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dimanche 24 juin 2018

Eugenio Tavares - "Partindo / Partir"

Eugénio Tavares, poète du Cap-Vert 


Eugénio Tavares (1867-1930) nasceu na Ilha Brava, Cabo Verde (colónia portuguesa até 1975). Filho de mãe cabo-verdiana e de pai português, tendo ficado órfão de mãe logo à nascença e de pai 4 anos depois, Eugénio Tavares foi criado pela sua madrinha, Eugénia Medina, e pelo padrinho, o médico José Martins Vera Cruz, tendo sido o amor uma presença real na sua infância. Terá sido, talvez, este amor originário que se germinou, mesmo sem a presença dos pais biológicos, que estimulou Eugénio Tavares a fazer do amor o tema central da sua excelsa obra poética, uma ideia que está bem traduzida nas palavras do poeta: «…entre as minhas infelicidades não faltou essa suprema de eu ter aberto os olhos na vida ao mesmo tempo que ela (a minha mãe) fechava os seus no sono eterno»1. Mas, apesar desta infelicidade inicial, continua Eugénio: veio a ter «por milagre da bondade humana, parentes, pais, amor, tudo! Tudo, com origem no amor; nada, com origem no sangue!»....

http://docplayer.com.br/27473146-Uma-filosofia-do-amor-na-poesia-de-eugenio-tavares.html


Eugénio de Paula Tavares est un écrivain et poète né le 5 novembre 1867 sur l'île de Brava (Cap-Vert) et mort le 1er juin 1930 dans la même île, fils de mère née au cap-vert et de père portugais.
Vie rude, archipel avec peu de resources naturelles, pluies incertaines et sucessives sècheresses, obligeaient les habitants du Cap-Vert (ancienne colonie du Portugal) à avoir recours à l’émigration. Le départ et le désir de retour sont des thèmes très présents dans la literature du pays. 

J'ai preparé mon habituelle traduction (d'amateur) suivie du texte du poème en portugais :


PARTINDO / PARTIR

Triste de t’avoir laissée, de bonne heure le matin
Je suis descendu au port. Et de suite, ailes au vent,
Nous avons navigué, sous un ciel gris,
Comme l’hirondelle,  dans un air de pluie.

Les yeux sur l'île, j'ai vu, mon amie,
Petit à petit, en s’amenuisant,
S’éloigner la maison, se perdre en un instant
La montagne sur laquelle notre amour s’abrite.

Je ne demande rien; ni je veux savoir
Où je vais: ni même si jamais reviendrai;
Combien, de bonheur ou de larmes, m'attendent

Je sais seulement, Oh mon printemps,
Que tu me restes larmoyante et triste.
Et sans toi la Lumière n'existe.

PARTINDO

Triste, por te deixar, de manhãzinha
Desci ao porto. E logo, asas ao vento,
Fomos singrando, sob um céu cinzento,
Como, num ar de chuva, uma andorinha.

Olhos na Ilha eu vi, amiga minha,
A pouco e pouco, num decrescimento,
Fugir o Lar, perder-se num momento
A montanha em que o nosso amor se aninha.

Nada pergunto; nem quero saber
Aonde vou: se voltarei sequer;
Quanto, em ventura ou lágrimas, me espera

Apenas sei, ó minha Primavera,
Que tu me ficas lagrimosa e triste.
E que sem ti a Luz já não existe.

Eugénio Tavares



Chegamos à 41ª Edição do Poetizando e Encantando da querida Prof. Lourdes que nos convida a participar no mundo das palavras encantadas!
https://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com/
Copiada do blogue da Prof. Lourdes, é a 2ª imagem- Uma paisagem azulada, um casal e algumas pessoas no alto de uma colina, observam o céu azulado com nuvens brancas e um balão pequenino em forma de um coração, vermelho se destacando no alto do céu. A lua lá no alto presenciando a tudo.Respondo ao convite com muito gosto, e com a "noite de luar":


Noite de luar


Alto no firmamento, vestido de prata,
Vem o luar em leito de final do dia.
A noite distribui mistérios dos céus,
Em definida e silenciosa harmonia.


Procuro anjos, quietude e deleite
Num mundo enfeitado de corações,
Mas só a brisa, esconde o tagarelar,
Das estrelinhas acabadas de acordar!


Soltam-se as azáfamas das nuvens,
Zelando pelo sossego dos mares,
Escurecem os caminhos nos montes,
Amor, abraça-me quando retornares!


É a noite que se estende devagar!
Juntamos as mãos, cismando nos sonhos,
Perguntas-me, com ternura e prazer,
Se são sete luas, para o bébé nascer? !


Angela