samedi 30 juin 2018

Fernando Pessoa - "A última nau / Le dernier navire"



Fernando Pessoa (1888-1935)  - poète portugais

Ce poème de Fernando Pessoa évoque le départ du roi portugais Dom Sebastião (Sebastian 1er) et le “phénomène” qui a prit le nom de sébastianisme. Le sébastianisme (Sebastianismo) est un mythe messianique portugais, basé sur la croyance qui consiste à espérer le retour sur le trône du Portugal du jeune roi Sébastien disparu à Alcacer Quibir (1578).

Je vous ai préparé une traduction d'amateur, c'est le texte en rouge, j'espère que vous aimerez:
Portrait du roi Dom Sebastião (Sebastien Ier)


A última nau / Le dernier navire 

Emportant à son bord le Roi Dom Sebastião,
Et en hissant, comme un nom, haut, l’étendard
De l'Empire,
Partit le dernier navire, sous le soleil amère
Errant, parmi les cris d’angoisse et de prophétique
Mystère.

Il n'est pas revenu.
A quelle île inconnue
A-t-il accosté? Reviendra-t-il du sort incertain
Qu'il a connu?
Dieu se réserve le corps et la forme du futur,
Mais Sa lumière se projecte, rêve sombre
Et court.
Ah, plus l'âme au peuple faiblit,
Plus mon âme atlantique se raffermit
Et se répand,
Et en moi, dans un océan qui n'a ni de temps ni d'espace,
Je vois entre le brouillard ta silhouette blême
Revenant.

Je ne sais pas l’heure, mais je sais qu'il y a l’heure,
Que Dieu la retarde, l’appelle l’âme partante
Mystère.



Tu surgis  au soleil en moi, et la brume part:
La même, et de l'Empire tu portes encore
L'étendard.



Le sébastianisme commence en 1578 à la disparition du roi Sébastien Ier durant la bataille des Trois Rois au Maroc. En l'absence d'héritier direct, le trône de Portugal est l'objet de disputes entre plusieurs candidats. Parmi eux, Philippe de Habsbourg finit par évincer le roi Antoine Ier et par s'imposer par la force, associant le Portugal in persona regis aux possessions espagnoles. La période philippine est vécue par la population comme une période de déclin et d'abandon de la part de la cour, qui est installée à Madrid. Le corps de Sébastien Ier n'ayant jamais été retrouvé, (et n'ayant pas laissé d'héritier) un mythe du retour se développe progressivement dans toutes les classes sociales, d'après lequel  le roi disparu reviendra « dans un matin de brume », pour restaurer la grandeur du pays et sauver la nation. Associé d'abord à un mouvement nationaliste et indépendantiste, il fait écho à la légende ibérique du « roi caché » (rei encoberto), qui attend le bon moment pour remonter sur le trône et chasser les étrangers...
Source: Wikipedia


Et voici le texte du poème: 

A ultima nau


Levando a bordo El-Rei Dom Sebastião,
E erguendo, como um nome, alto, o pendão
Do Império,
Foi-se a última nau, ao sol aziago
Erma, e entre choros de ancia e de presago
Mistério.

Não voltou mais. A que ilha indescoberta
Aportou? Volverá da sorte incerta
Que teve?
Deus guarda o corpo e a forma do futuro,
Mas Sua luz projecta-o, sonho escuro
E breve.
Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
Mais a minh'alma atlântica se exalta
E entorna,
E em mim, num mar que não tem tempo ou 'spaço,
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.

Não sei a hora, mas sei que há a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a névoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império.

Fernando Pessoa 


“NOTA: Este poema constitui uma espécie de fulcro de Mensagem. Inicia-se em 1578 com a partida de D. Sebastião, entre sinais de mau presságio, para Marrocos. A nau com a sua bandeira içada nunca mais voltou e o embarque de D.Sebastião torna-se místico pelo seu desaparecimento material e comparável ao do Rei Artur, após a batalha de Camlan, para a Ilha Encantada de Avalon ("a que ilha indescoberta aportou?"). Com o desaparecimento de D.Sebastião morre, aparentemente, o sonho de um império universal sob o seu ceptro. Neste momento Fernando Pessoa, que até agora se tinha referido ao passado de Portugal, diz, num aparte, que o futuro é por vezes intuível aos homens e passa imediatamente a contar a sua visão do porvir. A Última Nau volta e trás um vulto (O Desejado) que Pessoa assemelha a D.Sebastião, que vem retomar a caminhada para o império universal- já não material, mas espiritual…
Source: https://www.inverso.pt/Mensagem/MarPortugues/ultimanau.htm

dimanche 24 juin 2018

Eugenio Tavares - "Partindo / Partir"

Eugénio Tavares, poète cap-verdien


Eugénio Tavares (1867-1930) nasceu na Ilha Brava, Cabo Verde. Filho de mãe cabo-verdiana e de pai português, tendo ficado órfão de mãe logo à nascença e de pai 4 anos depois, Eugénio Tavares foi criado pela sua madrinha, Eugénia Medina, e pelo padrinho, o médico José Martins Vera Cruz, tendo sido o amor uma presença real na sua infância. Terá sido, talvez, este amor originário que se germinou, mesmo sem a presença dos pais biológicos, que estimulou Eugénio Tavares a fazer do amor o tema central da sua excelsa obra poética, uma ideia que está bem traduzida nas palavras do poeta: «…entre as minhas infelicidades não faltou essa suprema de eu ter aberto os olhos na vida ao mesmo tempo que ela (a minha mãe) fechava os seus no sono eterno»1. Mas, apesar desta infelicidade inicial, continua Eugénio: veio a ter «por milagre da bondade humana, parentes, pais, amor, tudo! Tudo, com origem no amor; nada, com origem no sangue!»....

http://docplayer.com.br/27473146-Uma-filosofia-do-amor-na-poesia-de-eugenio-tavares.html


Eugénio de Paula Tavares est un écrivain et poète cap-verdien, né le 5 novembre 1867 sur l'île de Brava (Cap-Vert) et mort le1er juin 1930 dans la même île, fils de mère cap-verdienne et de père portugais.
Vie rude, archipel avec peu de resources naturelles, pluies incertaines et sucessives sècheresses, obligeaient les habitants du Cap-Vert (ancienne colonie du Portugal) à avoir recours à l’émigration. Le départ et le désir de retour sont des thèmes très présents dans la literature du pays. 

J'ai preparé mon habituelle traduction (d'amateur) suivie du texte du poème en portugais :


PARTINDO / PARTIR

Triste de t’avoir laissée, de bonne heure le matin
Je suis descendu au port. Et de suite, ailes au vent,
Nous avons navigué, sous un ciel gris,
Comme l’hirondelle,  dans un air de pluie.

Les yeux sur l'île, j'ai vu, mon amie,
Petit à petit, en s’amenuisant,
S’éloigner la maison, se perdre en un instant
La montagne sur laquelle notre amour s’abrite.

Je ne demande rien; ni je veux savoir
Où je vais: ni même si jamais reviendrai;
Combien, de bonheur ou de larmes, m'attendent

Je sais seulement, Oh mon printemps,
Que tu me restes larmoyante et triste.
Et sans toi la Lumière n'existe.

PARTINDO

Triste, por te deixar, de manhãzinha
Desci ao porto. E logo, asas ao vento,
Fomos singrando, sob um céu cinzento,
Como, num ar de chuva, uma andorinha.

Olhos na Ilha eu vi, amiga minha,
A pouco e pouco, num decrescimento,
Fugir o Lar, perder-se num momento
A montanha em que o nosso amor se aninha.

Nada pergunto; nem quero saber
Aonde vou: se voltarei sequer;
Quanto, em ventura ou lágrimas, me espera

Apenas sei, ó minha Primavera,
Que tu me ficas lagrimosa e triste.
E que sem ti a Luz já não existe.

Eugénio Tavares



Chegamos à 41ª Edição do Poetizando e Encantando da querida Prof. Lourdes que nos convida a participar no mundo das palavras encantadas!
https://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com/
Copiada do blogue da Prof. Lourdes, é a 2ª imagem- Uma paisagem azulada, um casal e algumas pessoas no alto de uma colina, observam o céu azulado com nuvens brancas e um balão pequenino em forma de um coração, vermelho se destacando no alto do céu. A lua lá no alto presenciando a tudo.Respondo ao convite com muito gosto, e com a "noite de luar":


Noite de luar


Alto no firmamento, vestido de prata,
Vem o luar em leito de final do dia.
A noite distribui mistérios dos céus,
Em definida e silenciosa harmonia.


Procuro anjos, quietude e deleite
Num mundo enfeitado de corações,
Mas só a brisa, esconde o tagarelar,
Das estrelinhas acabadas de acordar!


Soltam-se as azáfamas das nuvens,
Zelando pelo sossego dos mares,
Escurecem os caminhos nos montes,
Amor, abraça-me quando retornares!


É a noite que se estende devagar!
Juntamos as mãos, cismando nos sonhos,
Perguntas-me, com ternura e prazer,
Se são sete luas, para o bébé nascer? !


Angela

samedi 16 juin 2018

Antero de Quental - "A um poeta / A un poete"


Je vous invite aujourd'hui à lire un poème de 
Antero de Quental - écrivain et poète portugais
(1842-1891)
né à Ponta Delgada (Açores)
Ayant étudié à Coimbra, Antero de Quental est considéré un líder du Realisme au Portugal, ce courant littéraire apparu au XIXe siècle en Europe, qui se voulait par les mots, representer la réalité elle-même, et en même temps être une critique de la société.
J'ai preparé une traduction "d'amateur":                                                      Antero de Quental                                                                                                                                                                                                                                        (image du net)

A um poeta / À un poète

Toi, qui dors, esprit serein,
Posé à l'ombre des cèdres séculaires,
Comme un lévite à l'ombre des autels,
Loin de la lutte et du fracas terrestre,

Réveille-toi! c'est l'heure! Le soleil, déjà haut et plein,
A fait fuir les larves tumulaires ...
Pour sortir du coeur de ces océans,
Un nouveau monde n'attend qu'un signe …                                                

Ecoute! C’est la grande voix des foules!
Ce sont tes frères qui se lèvent! ce sont des chansons
Mais de guerre ... et ce sont des voix du tocsin!

Lève-toi donc, soldat du Futur,
Et des rayons de lumière du rêve pur,
Toi, rêveur, façonne une épée de combat! 



J'espère que vous avez apprécié !

Et voici le texte en portugais de ce sonnet d'Antero de Quental  (qui appelle à un réveil des consciences):
A um poeta

Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,

Acorda! é tempo! O Sol, já alto e pleno,
Afugentou as larvas tumulares…
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno…

Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos que se erguem! são canções…
Mas de guerra… e são vozes de rebate!
Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!

Antero de Quental




Chegando finalmente ao Poetizando, respondo ao convite da querida prof. Lourdes que nos encanta com o seu carinho pelas palavras, 
esta é a minha participação nesta 40ª Edição do Poetizando e Encantando com o meu brincar com as palavras, inspiradas pela
2ª Imagem- Uma paisagem com as ondas do mar quase alcançando um coração desenhado na areia.

Coração na areia

O coração arrasta-se na areia,
Resiste, mostra-se ao vento,
Quer ir, mas fica,
Para que o encontres quando vieres ver o mar,
No silêncio, uma prece para te ver chegar

Amor, não tardes!
Onda sim, onda não,
É mais um pouco do coração
Que se desfaz
E que com desgosto se afasta com a maré

Acredita que o amor é universal
Mas só para ti
Bate este sentimento tão forte
Que perdura para além da morte
Que sem querer desfalecer, só te quer amar!

E logo, cai a noite longe no firmamento
E abriga o nosso momento
Porventura tão especial
Que as estrelas espelham poemas
Enquanto que as ondas beijam a magia do lugar

Angela


 
Arte Espírita - Antero de Quental 
Publié par FEBtv Federação Espírita Brasileira 
Ajoutée le 27 mai 2017

dimanche 10 juin 2018

Ana Paula Tavares- "Canto de nascimento / Chanson de la naissance"


Ana Paula Tavares


Ana Paula Ribeiro Tavares, née à Lubango le 30 octobre 1952, est une poétesse et écrivain angolaise.
Historienne de formation, elle enseigne, de nos jours, la littérature africaine à l'Université Católica de Lisbonne.





Je vous invite à lire un des poèmes de cette grande poétesse contemporaine, que j'ai traduit (en amateur) pour vous aider à mieux le comprendre. Dans ses oeuvres, l'auteur revisite l'histoire et la condition de la femme africaine.

Canto de nascimento / le chant de la naissance 

Le feu est allumé
les mains sont prêtes

le jour a arrêté sa marche lente
pour plonger dans la nuit.

Les mains créent dans l'eau
une nouvelle peau

des draps blancs
une casserole qui bout
plus la lame à couper

Une douleur aigue
qui marque les intervalles du temps
vingt courges de lait
que le vent transforme en beurre

la lune posée sur la pierre à aiguiser

Une femme offre à la nuit
le silence ouvert
d'un cri
pas de son ni de geste
rien que le silence ainsi ouvert au cri
poussé entre les intervales des larmes

Les vieilles égrènent de lentes mémoires
qui éclairent la nuit avec des mots
puis se réchauffent les mains qui allument des feux

Une femme brûle
sur le feu d'une douleur gelée
pareille à toutes les douleurs
la plus douleureuse des douleurs.

Cette femme brûle
au milieu de la nuit perdue
recevant la rivière
pendant que les petits enfants dorment
leurs petits rêves de lait.



Voici le texte original du poème:
Canto de nascimento
Aceso está o fogo  
prontas as mãos  

o dia parou a sua lenta marcha 

de mergulhar na noite.  

As mãos criam na água  

uma pele nova  

panos brancos 

uma panela a ferver  
mais a faca de cortar 

Uma dor fina 

a marcar os intervalos de tempo 
vinte cabaças de leite 
que o vento trabalha manteiga 

a lua pousada na pedra de afiar 


Uma mulher oferece à noite

o silêncio aberto
de um grito
sem som nem gesto
apenas o silêncio aberto assim ao grito
solto ao intervalo das lágrimas

As velhas desfiam uma lenta memória

que acende a noite de palavras
depois aquecem as mãos de semear fogueiras

Uma mulher arde

no fogo de uma dor fria
igual a todas as dores
maior que todas as dores.

Esta mulher arde
no meio da noite perdida
colhendo o rio
enquanto as crianças dormem
seus pequenos sonhos de leite.
– Ana Paula Tavares, em “O lago da lua”.

Ana Paula Ribeiro Tavares nasceu no Lubango, província da Huíla, a 30 de Outubro de 1952. Passou parte da sua infância naquela província, onde fez os seus estudos primários e secundários. Iniciou o seu curso de História da Faculdade de Letras do Lubango (hoje ISCED-Lubango), terminando-o em Lisboa. Em 1996 concluiu o Mestrado em Literaturas Africanas. Atualmente vive em Lisboa,...
source:https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=2258
Je vous invite aussi à connaitre Lubango, ville natale de Ana Paula Tavares, une ville construite par les Portugais dans le sud d’Angola, et qui s’appelait Sá da Bandeira avant l’indépendance de la colonie (1975), et avant la guerre:
 
Angola de outros tempos Sá da Bandeira Lubango 2 
Publié par Ilidio G Ferrão  
Angola de outros tempos Sá da Bandeira Lubango 2 
Publié par Ilidio G Ferrão 


É com muito gosto respondo ao seu convite:) da 39ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO da querida Prof. Lourdes qui nos propõe várias imagens, entre as quais esta

2ª Imagem - UMA PAISAGEM de um grande lago, sol brilhante a iluminar, uma jovem pensativa, caminha descalça na areia.
source: https://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.pt/

Deusa materna

Eu, mulher, integro por género e condição,
o mar de lamúrios reprimidos e infindáveis
que palmilham o tempo e o rumo,
de ritos longínquos e improváveis

Queimam-me as fagulhas de fogueiras,
da doce terra quente subsariana,
que competem com as estrelas
em delírios azuis, de Copacabana

Oiço os cânticos das divindades,
oriundas de pântanos e de lagos,
chegam-me os queixumes dos morros,
filhos de pálido luar, e leves afagos

Assim sigo pela praia lusitana
descalça, de olhos fixos no cenário
de água e contornos ondulantes,
lendo estrofes, de esmero lendário

E eis que ao acaso, deixada na estrada
a deusa materna de ventre fecundo
esconde o grito do seu clamor
em dobras de silêncio profundo

Angela

dimanche 3 juin 2018

Cecilia Meireles - "Canção / Chanson"

image du net
Cecília Benevides de Carvalho Meireles  (1901 - 1964) –  professeur et poétesse brésilienne
Cecília Meireles est née à Rio de Janeiro, dans une famille d'origine portugaise qui était partie s'installer au Brésil. Orpheline dès son très jeune âge, Cecília a été élévée par sa grand-mère originaire des Açores, qui lui racontait des contes et qui a grandemente encouragé son  goût pour la littérature et son sens de l'humanisme. 
Son enfance solitaire se devine dans ses poèmes de profonde réfléxion sur contemplation et la place dédiée à l'éphémère.
En 1922, elle se marie avec l'artiste plasticien portugais Fernando Correia Dias avec qui elle aura trois filles, Maria Elvira, Maria Matilde et Maria Fernanda. La plus connue d'entre elles est Maria Fernanda Meireles Correia Dias, qui deviendra actrice... (Wikipedia)


J'ai preparé la traduction d'un joli poème de Cecília Meireles, j'espère que cela vous aiderá à l'apprécier ! un poème sur le destin cruel, la perte des rêves non réalisés, que le poète détruit pour que tout paraisse en ordre...
Canção / Chanson

J’ai mis mon rêve sur un navire
et j’ai mis le navire sur la mer;
- puis, j’ai ouvert la mer avec les mains,
pour que mon rêve puisse naufrager.

Mes mains sont encore mouillées
du bleu des vagues entrouvertes,
et la couleur qui coule de mes doigts
colore les plages désertes.

Le vent s’approche de loin,
la nuit se courbe de froid;
au fond de l’eau périt peu à peu
mon rêve, qui est dans un navire...

Je pleurerai autant qu’il le faut,
pour que la mer puisse monter,
et que mon navire atteigne le fond
et que mon rêve soit emporté.

Après, tout será parfait;
la plage lisse, les eaux ordonnées,
mes yeux secs comme les pierres
et mes deux mains brisées.
Et voici le texte original du poème:
Canção -

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles, in 'Viagem'

Mis en music pour être chanté par Amália Rodrigues avec le titre de NAUFRÁGIO, les paroles ont été chantées par un grand nombre d'artistes depuis Amália; je vous propose d'écouter la chanteuse portugaise Micaela Vaz en ton de fado:
 
Micaela Vaz - Naufrágio
Publié par Micaela Vaz

Micaela Vaz canta "Naufrágio" - letra de Cecília Meireles e música de Alain Oulman, com Ricardo Parreira na Guitarra Portuguesa e Marco Oliveira na Viola de Fado. Espectaculo "Com qu voz" - Odegand Festival - Ghent - Bélgica - 12-09-2009 

..Cecília nasceu no Rio de Janeiro em 1901. Órfã de pai e de mãe, foi educada pela avó materna, que exerceu forte influência sobre a sua formação. Escreveria mais tarde: “Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno. Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida...
https://www.revistabula.com/7668-os-melhores-poemas-de-cecilia-meireles

Chegando ao Poetizando e ao convite da nossa querida prof. Lourdes, esta é a minha participação nesta 38ª Edição do Poetizando e Encantando com a
1ª Imagem- Um casal de namorados em um momento singelo de carícia ou carinho.

O abraço

Perdida no sentido da vida
procuro o equilíbrio do ser,
no tempo que passa e que pesa
nos júbilos de aprender!

Falam-me as pedras da rua
brilho de vibrantes cristais,
acenam-me as velas nas ondas,
de barquinhos irreais.

Viram-se flores de girassol,
que o sol deveriam seguir,
que mistério por desvendar?
que a mim querem aludir?

Chegada a noite tenebrosa,
de estrelinhas cintilantes
recebo mensagens seguras
de boas novas distantes!

Será que tudo se liga
para me dar a entender,
que sinto no teu abraço
o aconchego do meu viver!

Angela