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mardi 13 octobre 2020

Leonor de Almeida - "Junto às margens de um rio / Au bord d'une rivière"

Leonor de Almeida Portugal, Marquise d'Alorna  (image Wikipedia)

Je vous invite à faire la connaissance d'une femme de lettres et poétesse portugaise, née au 18e siècle: 
Leonor de Almeida (pseudonyme: Alcipe).
Cette poétesse appartenait à la noblesse portugaise. Grand nombre de ses oeuvres ont été rédigées lorsqu'elle a vécu dans le couvent de Chelas (à Lisbonne) où elle est rentrée à l'âge de 8 ans, en même temps que sa soeur de 6 ans, après que son père ait été acccusé d'avoir participé à un attentat contre le roi. 
Elle en sortit en 1777, au bout de 18 ans.
Selon plusieurs publications, durant ces années au couvent, Leonor aura étudié les oeuvres de Rousseau, Gray, Young, Corneille et Racine entre autres, dont elle traduisait les écrits. Elle apprit l'allemand, l'anglais, l'italien, le français, le latin et l'arabe.

Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre, Marquesa de Alorna,
(São Jorge de Arroios, Lisboa, 31 de outubro de 1750 — Coração de Jesus, Lisboa, 11 de outubro de 1839) foi uma nobre e poetisa portuguesa.
Era filha de D. João de Almeida Portugal, segundo marquês de Alorna e quinto conde de Assumar. 
Tendo o seu pai sido preso, acusado de participar no atentado ao rei D. José, Leonor, de oito anos, entrou com sua irmã para o convento de Chelas, vindo somente a sair após a morte do Marquês de Pombal. 
Casou en 1779 com o Conde de Oeynhausen e viajou por Viena, Berlim e Londres. Enviuvou aos 43 anos de idade, vivendo com algumas dificuldades económicas, dificuldades estas que não a impediram de se dedicar à literatura. 
Adoptou na Arcádia o nome de Alcipe. Traduziu a Arte Poética de Horácio e o Ensaio sobre a Crítica de Pope. É considerada uma poetisa pré-romântica. As suas obras foram publicadas em 1844 em seis volumes com o título genérico de Obras Poéticas. http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/alorna.htm

Me voici à la recherche des poèmes de la Marquise d'Alorna!
Como está sereno o céu,
como sobe mansamente
a Lua resplandecente
e esclarece este jardim!

Os ventos adormeceram;
das frescas águas do rio
interrompe o murmúrio
de longe o som de um clarim.

Acordam minhas ideias,
que abrangem a Natureza;
e esta nocturna beleza
vem meu estro incendiar.

Mas, se à lira lanço a mão,
apagadas esperanças
me apontam cruéis lembranças,
e choro em vez de cantar.

Leonor de Almeida


Junto às margens de um rio 

Junto às margens de um rio docemente
Com meus suspiros altercando,
A viva apreensão ia pintando
Passadas glórias no cristal luzente.

Mas quando nesta ideia mais contente
O coração se estava recreando,
Despenhou-se do peito o gosto brando,
Envolto com a rápida corrente.

Lá vão parar meus gostos no Oceano,
Ficando inanimado o peito e frio,
Que o recreio buscou só por seu dano.

Acabou-se o contente desvario,
E meus olhos saudosos do engano
Quase querem formar um novo rio.

Leonor de Almeida

Avec ma traduction d'amateur:

Près des rives d'une rivière calmement
Avec mes soupirs qui se tiraillaient,
L'appréhension vivante qui dessinait
Les gloires passées sur le cristal brillant.

Mais lorsque dans ce mode plus complaisant 
Le cœur se venait à recréer,
Le doux aloi de ma poitrine s'est échappé,
Enveloppé par le rapide courant.

Mes goûts dans l'Océan iront aboutir,
Ma poitrine devenant inanimée et gelée,
Que le délassement n'a cherchée que pour l'amoindrir.

Fini le joyeux enivrement,
Et mes yeux tristes de le voir finir
Veulent presque former un nouveau torrent.