vendredi 15 janvier 2016

Jose Regio - "Cantico Negro / Chanson Noire"

José Régio  (1901 -1969), poète portugais

Né à Vila do Conde, nom de baptême : José Maria dos Reis Pereira,
est un écrivain, poète, nouvelliste, dramaturge, romancier...

Je vous invite à écouter la jolie interprétation d'un de ses poèmes récité par Maria Bethânia, "Cântico Negro / Chanson Noire":


Cântico Negro publié par Edmilson Chagas

Et je vous propose ma traduction libre pour aider ceux qui ne comprennent pas le portugais:

"Viens par ici" - me disent certains avec des yeux doux,
 
Me tendant les bras, et en étant surs
 
De que ça serait bien si je les entendais
 
Quand ils me disent: "Viens par ici!"
 
Je les regarde avec des yeux blasés,
 
(Il y a dans mes yeux l'ironie et la fatigue)
 
Et je croise mes bras,
 
Et je n'irai jamais par lá ...

Ma gloire est celle-là:
 
Créer l’inhumanité!
 
Ne suivre personne.
 
- Car le manque d’entrain avec laquelle je vis

Est le même que celui avec lequel j’ai déchiré le ventre de ma mère.

Non, je n'irai pas par là! Je vais juste par où
M’emmènent mes propres pas...


Si aucun de vous ne répond à ce que je prétends savoir,
Pourquoi me répétez-vous : « viens par ici » ?
Je préfère glisser dans les ruelles boueuses,
Tourbillonner au gré des vents,
Comme des lambeaux, traîner les pieds sanglants,
Plutôt que d’aller par là...
Si je suis venu au monde, c’était
Seulement pour déflorer les forêts vierges,
Et dessiner mes propres pieds dans le sable inexploré !
Tout ce que je peux faire d’autre ne vaut rien.

Comment alors serez-vous
Ceux qui me donnent les haches, les outils, et le courage
Pour que je renverse mes obstacles ?...
Il coule, dans vos veines, le sang usé de vos aieux,
Et vous aimez ce qui est facile !
Moi j’aime le Lointain et l’Illusion,
J’aime les abîmes, les torrents, les déserts...

Partez! Vous avez les routes,
Vous avez les jardins, vous avez les parterres,
Vous avez les patries, avous avec les toits,
Et avez des règles, des traités, des philosophes et des savants.
Moi j’ai ma Folie!
Je la soulève, tel un flambeau, qui brûle dans la nuit obscure,
Et je sens l’écume, le sang, et des chansons sur mes lèvres...

C’est Dieu et le Diable qui me guident, personne d’autre.
Tous ont eu un père, tous ont eu une mère;
Mais moi, qui ne jamais commence ni termine,
Je suis né de l’amour qui existe entre Dieu et le Diable.

Oh, que personne ne me donne de pieuses intentions
Que personne ne me demande des définitions!
Que personne ne me dise: “viens par ici”!
Ma vie est un ouragan qui s’est déchaîné.
C’est une vague qui s’est soulevée.
C’est un atome en plus qui s’est activé…
Je ne sais par où je vais aller,
Je ne sais vers où je vais aller,
- Je sais que je n'irai pas par là.

texte original



"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...


A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe


Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

4 commentaires:

  1. Já conhecia esta versão de Gal Costa.
    Linda!
    Boa semana

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  2. Sei que minha ausência tem afastado pessoas
    tão querida por mim como você.
    Concordo esta cada dia mais difícil manter
    um blog no ar.
    De verdade só quem gosta muito e fez amizades
    que nenhuma ausência separa ou nos deixa esquecer.
    A 11 ano entrava acanhada com meu primeiro
    blog no ar.
    Fonte de Amor..
    Eu mantenho todos meus blogs no ar muitos
    eu tirei do ar ,
    mas aquele que foi o primeiro me acompanha pela vida afora.
    Sinto saudades das amizades que fiz
    nesses 11 anos.
    Mas hoje venho para te agradecer seu carinho
    que tanto significa para mim.
    Peço desculpas por hoje estar mais ausente
    muitas coisas também mudou para mim.
    Veio a dor e mesmo com dificuldade ainda tento
    prosseguir.
    Que Deus abençoe você em sua jornada.
    Um feliz Domingo.
    Deixo um beijo carinhoso
    e o convite para me visitar.
    E se for do seu gosto deixei mimo
    na postagem fique a vontade para levar.
    Abraços fraternos e eternos.
    Evanir..

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  3. Fiz um poema, há tempos, e que está postado no meu blogue, mas chama-se: "Cântico Branco" e escolhi o mesmo vídeo de Bethania.

    Beijinhos.

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  4. Sim, lindo este poema - o melhor dele para mim, mas gosto mais de uma interpretação de um outro português que não é ele mesmo, pois consta-me à memória que o próprio José Régio o declamava. Se bem que o de Betânia não está mal. O poema é lindo. Grato. Abraço. Laerte.

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