lundi 2 août 2021

Álvares de Azevedo - "Meu desejo / Mon Désir

Le poète romantique Àlvares de Azevedo (1831-1852) est né à São Paulo (Brésil) décrit dans le poème ci-dessous son désir ardent d'être auprès de la femme qu'il aime.

Álvares de Azevedo (1831 - 1852) foi um escritor brasileiro que pertenceu à segunda geração do romantismo, também conhecida como fase ultrarromântica.
Manuel Antônio Álvares de Azevedo, poeta, contista e ensaísta, nasceu em São Paulo, e faleceu o Rio de Janeiro.
Bisneto de Alexandre Álvares Duarte de Azevedo, nascido em 1720 em Braga, Portugal, e que se mudou para o Brasil. 

Álvares de Azevedo, image de Wikipedia

Meu Desejo

Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta:
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta.

Meu desejo? era ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra.
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra.

Meu desejo? era ser o cortinado
Que não conta os mistérios do teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.

Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escumilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!

Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro.

Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de langor!

  Álvares de Azevedo


Meu desejo - Álvares de Azevedo por José Marcio Castro Alves
Publié par MAPIMESTUPEFACTO . 24 nov. 2012
Meu desejo - Álvares de Azevedo por José Marcio Castro Alves

Avec ma traduction d'amateur:

Mon désir ? serait d'être le gant blanc
Que ta douce petite main serre:
Le  camélia qui se fane sur ton sein,
L'ange que de te voir le ciel déserte….

Mon désir? serait d'être le soulier 
Qui au bal, ton joli petit pied enserre….
L'espoir dans le futur dont tu rêves,
La nostalgie que tu as ici sur la terre….

Mon désir? serait d'être ce rideau
Qui ne raconte pas les mystères de ton lit;
D'être de ton collier de soie noire
La croix sur ta poitrine lorsque tu es endormie.

Mon désir ? serait d'être le miroir
Qui te voit la plus belle lorsque tu défais
Du bal les vêtements d'organdi et de fleurs
Et qui en amoureux regarde tes nus attraits !

Mon désir ? serait d'être de ton lit 
Le drap de fine toile, et le coussin
Avec lequel tu recouvres le sein, où tu reposes,
Les cheveux dénoués, le visage séduisant….

Mon désir? serait d'être la voix de la terre
Que de l'étoile du ciel puisse entendre l'amour!
Être l'amant dont tu rêves, celui que tu désires
Dans tes rêveries enchantées de langueur!




dimanche 18 juillet 2021

António Feijó - "O Amor e o Tempo / l'Amour et le Temps"

António Feijó (1859-1917), un poète portugais du mouvement parnassien:

António de Castro Feijó (Ponte de Lima, 1 de Junho de 1859 - Estocolmo, 20 de Junho de 1917) foi um poeta e diplomata português. Como poeta, António Feijó é habitualmente ligado ao Parnasianismo e o final da sua obra tende a um certo tom fúnebre. Morre em Estocolmo, a 20 de Junho de 1917, com 58 anos de idade, cerca de dois anos depois da morte prematura da esposa.

Le Parnasse ou mouvement parnassien:
Sur le net je trouve la définition suivante:
“Parnasse était un mouvement littéraire français de la seconde moitié du XIXe siècle, créé en réaction contre le romantisme de Víctor Hugo, le subjectivisme et le socialisme artistique. Les fondateurs de ce mouvement étaient Théophile Gautier et Leconte de Lisle. Le mot est d'origine grecque et se réfère au haut du mont Parnassus où étaient les muses inspirantes, qui étaient de petites déesses…”

O parnasianismo foi um movimento literário essencialmente poético que surgiu na França no final do século XIX, em oposição ao Realismo e Naturalismo, e tendo como consonância a valorização da cultura clássica e também o combate ao lirismo que os autores parnasianos consideravam excessivo nas nas correntes literárias que o antecederam.
Como principal frase de definição tem a “arte pela arte”, com o uso da linguagem culta e rebuscada.

Je vous invite à lire et à écouter pour ceux qui compreenent le portugais, le joli poème, avec la traduction plus bas en rouge:


O AMOR E O TEMPO


Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.


Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.


– «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»











Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento…
– «Por que voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» – Nesse momento,


Volta-se o Amor e diz com azedume:
– «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo… Adeus! Adeus!»


António Feijó



O Amor E O Tempo Poema de António Feijó com narração de Mundo Dos Poemas
Publié par Mundo Dos Poemas . 8 juil. 2021

Ci-dessous, ma traduction d'amateur:

L'Amour et le Temps

Par la montagne escarpée
Tous les quatre en joyeux entour,
L'Amour,  le Temps, ma Bien-Aimée
Et moi, nous montions un jour.

De ma Bien-Aimée sur le doux semblant
Des signes de fatigue il y avait déjà;
L'amour de vitesse nous gagnant
Et le temps qui accélérait le pas.

- "Amour! Amour! Plus doucement!
Ne cours pas tant, car de si légère
Elle ne peut sans doute pas marcher
Ma douce compagnière!»

Soudain, l'Amour et le Temps, combinés,
Déploient leurs ailes tremblantes dans le vent...
– « Pourquoi volez-vous si pressés ?
Où vous dirigez-vous?" - À ce moment,

L'amour se retourne et dit avec amertume :
– « Soyez patients, mes amis !
J'ai toujours eu cette coutume
De avec le Temps m'enfuir… Adieu ! Adieu!"

 



António Feijó
Fez os estudos liceais em Braga, de onde partiu, em 1877 para Coimbra, onde concluiu o curso de Direito em 1883. Dirigiu, juntamente com Luís de Magalhães, a Revista Científica e Literária publicada nos seus tempos de estudantes académicos da Universidade de Coimbra.
Em 1886 ingressou na carreira diplomática.
Exerceu cargos diplomáticos no Brasil (consulados nos estados de Pernambuco e do Rio Grande do Sul) e, a partir de 1895, na Suécia, assim como na Noruega e na Dinamarca.
Desposou em 24 de Setembro de 1900 a sueca Maria Luísa Carmen Mercedes Joana Lewin (nascida em 19 de agosto de 1878), cuja morte prematura, em 21 de setembro de 1915, o viria a influenciar numa temática fúnebre, patente na sua obra. Wikipedia














Biografia

Fez os estudos liceais em Braga, de onde partiu, em 1877[1] para Coimbra, onde concluiu o curso de Direito em 1883. Dirigiu, juntamente com Luís de Magalhães, a Revista Científica e Literária[2] publicada nos seus tempos de estudantes académicos da Universidade de Coimbra.

Em 1886 ingressou na carreira diplomática.

Exerceu cargos diplomáticos no Brasil (consulados nos estados de Pernambuco e do Rio Grande do Sul) e, a partir de 1895, na Suécia, assim como na Noruega e na Dinamarca.

Desposou em 24 de Setembro de 1900 a sueca Maria Luísa Carmen Mercedes Joana Lewin (nascida em 19 de agosto de 1878), cuja morte prematura, em 21 de setembro de 1915, o viria a influenciar numa temática fúnebre, patente na sua obra.

samedi 19 juin 2021

Baltasar Lopes da Silva / Osvaldo Alcântara


Baltasar Lopes, image du net


Baltasar Lopes da Silva ( São Nicolau, 23 de abril de 1907 - Lisboa, Portugal, 28 de maio de 1989) foi romancista, contista, poeta, filólogo e ensaísta nascido em Cabo Verde, que escreveu em português e em crioulo cabo-verdiano
com o nome poético de Osvaldo Alcântara.
Encontramos ainda a informação que Baltasar Lopes
"Após a independência do seu país, foi membro do Conselho de Justiça da República de Cabo Verde"

Amor Electro | Mar Salgado [Official Video]
Publié par Amor Electro •16 nov. 2014
Amor Electro | Mar Salgado [Official Video]


Le poète Baltasar Lopes da Silva, fils de Maria José da Conceição Lopes da Silva et de Pedro Lopes da Silva (1870-1933), est né le 23 avril 1907 à Caleijão, sur l'île de São Nicolau, au Cap-Vert et meurt le 28 mai 1989 à Lisbonne
Parti étudier au Portugal, il est licencié en Droit, ainsi qu'en Philologie romane à l'Université de Lisbonne.
​Il est tour à tour professeur, puis recteur au Lycée Gil Eanes, avocat, animateur sportif, chercheur, essayiste, philologue, écrivain..
L'auteur du plus célèbre des romans modernes capverdiens, Chiquinho (1947), écrivait de la poésie sous le pseudonyme d'Osvaldo Alcântara.
Sa production est imposante et diversifiée, touchant aussi bien le roman que la poésie, les essais, les articles de fonds...


MAR

​És estrela e única vida.
Vida que sobe das esquinas ocultas
no mar sem águas, no mar
com águas sem sal que vêm a diluir-se
lá do fundo das distâncias mágicas!

Vida para quê?
Ó distância da vida pouco e pouco escoando-se.
Mistério do caminho cada vez mais certo?
E as auroras que eu via
e nelas me alava para as viagens futuras!

Mas não esta viagem em limite,
de passadas mutiladas.

Mar, tu és o que fica.

Osvaldo Alcântara


La mer ma traduction d'amateur

l'élèment toujours très présent dans la poésie du Cap-Vert, la mer qui guide le destin des habitants des îles


Tu es l'étoile et la seule vie.
La vie qui surgit des encoignures cachées
de la mer sans eau, de la mer
avec des eaux non salées qui viennent en se diluant
dans les profondeurs des distances magiques !

La vie pour quoi faire ?
Oh distance de la vie qui s'éloigne peu à peu.
Mystère du chemin de plus en plus infaillible?
Et les aurores que je voyais
et en elles je trouvais les ailes pour les futurs voyages !

Mais pas ce voyage circonscrit,
d'allures mutilées.

Mer, tu es ce qui reste.


Baltasar Lopes, image du net


samedi 5 juin 2021

Luís de Camões - "Mudam-se os tempos, Mudam-se as vontades / Les temps changent et les désirs aussi"


Luís Vaz de Camões, est un poète portugais, né vers 1525, mort le 10 juin 1580 à Lisbonne.
Auteur de poèmes dans la tradition médiévale (redondilhas) ou pastorale, de sonnets,  et particulièrement de l'épopée nationale des Lusiades..

Portrait du poète Luís de Camões (Wikipedia)
O retrato pintado em Goa, 1581

Luís Vaz de Camões foi um poeta de Portugal, considerado uma das maiores figuras da literatura em língua portuguesa.

Dans ce sonnet, les désirs changeants provoquent la nostalgie et les regrets d'un passé moins instable qui correspondait à l'attente de jadis.
Le poème a pour thème le changement; le sujet poétique aborde les changements qui se produisent. Tout est en changement constant, mais il y a deux aspects qui dérangent particulièrement le poète : les changements dans sa vie ne suivent plus ceux qui se produisent dans la Nature et le fait que le changement lui-même finit par changer.

Mudam-se os tempos, Mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões



Et comme d'habitude, voici ma traduction d'amateur en français!

Les temps changent et les désirs aussi

Les temps changent et les désirs aussi,
Et l’être change et la confiance également;
Tout l’univers est fait de changement,
Prenant toujours des qualités rajeunies.

Sans cesse nous voyons des nouveautés
En tout différentes de notre attente ;
Des maux, le souvenir garde la tourmente,
Et des plaisirs, s’il y en eut, l'amer regret.

Le temps couvre le sol d’un vert caban,
Après l’avoir couvert de neige gelée,
Et enfin il transforme en pleurs le tendre chant.

Et en plus de ce changement journalier,
En changeant ainsi plus encore il nous surprend,
Car il ne change plus comme jadis il le faisait.

Pour terminer, je vous invite à écouter une belle oeuvre du compositeur portugais João Domingos Bomtempo (1775-1842), dédiée à la mémoire du poète Luís de Camões, et que j'aime beaucoup.

João Domingos Bomtempo (Lisboa, 28 de dezembro de 1775 – Lisboa, 18 de agosto de 1842) foi um pianista clássico, compositor e pedagogo português.
João Domingos Bomtempo 
- Requiem in C-minor, Op.23 "À memória de Camões" (c.1818)
Publié par KuhlauDilfeng3 - 9 janv. 2014 

João Domingos Bomtempo (Lisbon, December 28, 1775 -- Lisbon, August 18, 1842) was a Portuguese classical pianist, composer and pedagogue. Work: Requiem in C-minor, Op.23 "À memória de Camões" (c.1818)

vendredi 21 mai 2021

Bárbara Heliodora Silveira - "Conselhos a meus filhos - les conseils a mes enfants"


Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira est née au Brésil colonie, au 18e siècle, bien avant l'indépendance de 1822.
 (São João del-Rei, 1759 — 1819)

Filha do português José da Silveira e Sousa, Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira nasceu no Brasil (São João del-Rei) em 1759.

Conselhos A Meus Filhos
 Poema de Bárbara Heliodora Silveira com narração de Mundo Dos Poemas  
 Publié par Mundo Dos Poemas . •11 févr. 2021

Je vous présente un de ses poèmes, dont j'ai fait la traduction d'amateur en partie, (en rouge), une intéressante liste de conseils en vers dirigés à ses enfants

Conselhos a seus filhos
 
   Meninos, eu vou dictar                     Mes enfants, je vais vous dicter
As regras do bem viver,                      Les règles pour bien se conduire, 
Não basta somente ler,                        Il ne suffit pas seulement de lire,
É preciso ponderar,                             Il faut aussi méditer,
Que a lição não faz saber,                   Car la leçon ne fait pas instruire.
Quem faz sábios é o pensar.               Pour être savant il faut penser.

 
   Neste tormentoso mar                     Dans cette mer tourmentée
D'ondas de contradicções,                  De vagues de contradictions,
Ninguém soletre feições,                   Que personne ne compte les expressions,
Que sempre se há de enganar;            Au risque de toujours se tromper   
De caras a corações                            Des visages jusqu'aux coeurs
Há muitas léguas que andar.               Il y a de grandes distances à marcher. 


    Aplicai ao conversar                       Appliquez aux conversations
Todos os cinco sentidos,                     Tous vos sens qui sont cinq,
Que as paredes têm ouvidos,              Car les murs ont des oreilles,
E também podem falar:                      Et ils peuvent aussi parler:
Há bichinhos escondidos,                   Il y a des petites bêtes cachées, 
Que só vivem de escutar.                    Qui ne vivent que pour écouter.
 

    Quem quer males evitar                  Celui qui veut éviter les maux
Evite-lhe a ocasião,                             De l'occasion doit s'éloigner,
Que os males por si virão,                   Car les maux d'eux-mêmes viendront,
Sem ninguém os procurar;                  Sans que personne ne les cherche;
E antes que ronque o trovão,               Et avant que n'éclate le tonnerre,       
Manda a prudência ferrar.                    Ferrer ce que dit la raison.
 

    Não vos deixeis enganar                  Nous vous laissez pas tromper 
Por amigos, nem amigas;                     Par des amis, ou par des amies;
Rapazes e raparigas                              Des garçons ou des filles
Não sabem mais, que asnear;               Qui ne savent que niaiser;
As conversas, e as intrigas                    Les conversations, et les intrigues
Servem de precipitar.                            Servent qu'à se précipiter.
  

    Sempre vos deveis guiar                   Vous devez toujours être guidés
Pelos antigos conselhos,                        Par les anciens conseils,
Que dizem, que ratos velhos                 Qui disent que les vieilles souris
Não há modo de os caçar:                     Sont très difficiles à chasser:
Não batam ferros vermelhos,               Ne battez pas le fer quand il est chaud,  
Deixem um pouco esfriar.                     Laissez le refroidir un peu.
 


    Se é tempo de professar                    S'il est temps de prononcer 
De taful o quarto voto,                          De bien mise le quatrième voeu, 
Procurai capote roto                             Cherchez l'habit rapiécé,
Pé de banco de um brilhar,                   Un rameur bon et brillant,
Que seja sábio piloto                            Qui soit un habile pilote
Nas regras de calcular.                          Dans les règles de calculer. 
  

    Se vos mandarem chamar
Para ver uma funcção,
Respondei sempre que não,
Que tendes em que cuidar:
Assim se entende o rifão.
Quem está bem, deixa-se estar.
 
    Devei-vos acautelar
Em jogos de paro e topo,
Prontos em passar o copo
Nas angolinas do azar:
Tais as fábulas de Esopo,
Que vós deveis estudar.
 
    Quem fala, escreve no ar,
Sem pôr virgulas nem pontos,
E pode quem conta os contos,
Mil pontos acrescentar;
Fica um rebanho de tontos
Sem nenhum adivinhar.
 
    Com Deus e o rei não brincar,
É servir e obedecer,
Amar por muito temer
Mas temer por muito amar,
Santo temor de ofender
A quem se deve adorar!
 
    Até aqui pode bastar,
Mais havia que dizer;
Mas eu tenho que fazer,
Não me posso demorar,
E quem sabe discorrer
Pode o resto adivinhar.

                                        Bárbara Heliodora (1759 — 1819)


La poétesse a été mariée à Inácio José de Alvarenga Peixoto l'un des partisans de la révolution républicaine et séparatiste qui éclata à Pernambuco em 1817 (inconfidência mineira), lui-même avocat et poète. 

Barbara était la fille de José da Silveira e Sousa qui avait déménagé du Portugal pour le Brésil, où il s'est marié.



samedi 1 mai 2021

Ruy Belo - "E tudo era possível - Et tout était possible"


En cherchant un poème sur le moi de mai qui commence aujourd'hui, je me demandais si ce mois inspirait les poètes!
Oui, c'est un renouveau, les jours clairs, les floraisons, les nouvelles aventures de la vie...
Voici un poème sur le mois de mai qui commence aujourd'hui.
Son auteur, Ruy Belo poète portugais (1933 - 1978)

E Tudo Era Possível 
| Poema De Ruy Belo com narração de Mundo Dos Poemas 
 Publié par Mundo Dos Poemas •15 juil. 2020

E Tudo Era Possível

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido


Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido


E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer


Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer


Ruy Belo


Et Tout Était Possible (ma traduction d'amateur)

Dans ma jeunesse avant de partir 
de la maison de mes parents prêt à voyager
je connaissais déjà le déchaînement de la mer
des pages des livres que j'avais déjà lus


Le mois de mai arrivait et tout était fleuri 
le flux des matins se mettait à  tourner 
et il fallait entendre le songeur qui parlait  
de la vie comme si cela s'était déjà produit


Et tout se passait dans une autre vie
et il y avait pour les choses toujours une sortie
C'était quand? Moi-même je ne saurais le dire


Je sais seulement que j'avais le pouvoir d'un enfant
entre les choses et moi il y avait de la proximité 
et tout était possible si on le voulait  

Ruy Belo, image du net

Sobre o poeta português Ruy Belo:
"Rui de Moura Ribeiro Belo (São João da Ribeira, Rio Maior, 27 de fevereiro de 1933 — Queluz, Sintra, 8 de agosto de 1978) 
foi um poeta e ensaísta português. 
Ruy Belo nasceu em S. João da Ribeira, pequena aldeia do concelho de Rio Maior, em 1933. Foi aluno do liceu de Santarém e cursou Direito, primeiro na Universidade de Coimbra, depois na Universidade de Lisboa, onde se diplomou em 1956. 
De partida para Roma, doutorou-se em Direito Canónico na Universidade de S. Tomás de Aquino. Em Lisboa, viria a frequentar também a Faculdade de Letras, terminando em 1967 a licenciatura em Filologia Românica. Além de actividade no domínio editorial, Ruy Belo foi também professor..."

lundi 26 avril 2021

Fernando Lopes-Graça et José Gomes Ferreira

Par manque de temps, je n'ai pu faire un autre article. Avec un peu de retard pour le 25 Avril qui célèbre le jour de la liberté au Portugal, la révolution des oeillets, je republie un post dont j'avais traduit le poème, avec la musique de Fernando Lopes Graça.
Fernando Lopes-Graça est un compositeur portugais né le 17 décembre 1906 à Tomar et mort à Parede le 27 novembre 1994.
Il est considéré comme l'un des plus grands compositeurs portugais du XXee siècle.
https://fr.wikipedia.org/wiki/Fernando_Lopes-Gra%C3%A7a

Le compositeur utilise largement son activité artistique dans le but de réveiller les consciences endormies par la propagande du régime.

image du net

Militant du parti communiste portugais pendant la dictature, Lopes Graça a été même emprisonné. Ses oeuvres appelaient à l'engagement politique. Cela lui a valu bien des déboires comme le besoin de recourir à l’exil.
Les paroles sont de José Gomes Ferreira, écrivain, poète, lui aussi un intellectuel portugais engagé dans la lutte contre le fascisme.

Acordai! / Réveillez-vous!
Acordai!/
Réveillez-vous!
Homens que dormis/
Hommes qui dormez
a embalar a dôr/
et qui bercez la souffrance
dos silêncios vís!/
des silences vils!
Vinde no clamor /
Venez avec la huée
das almas virís,/
des coeurs virils
arrancar a flor /
arracher la fleur
que dorme na raíz!/
qui dort profondément!
Acordai!
Réveillez-vous!
Raios e tufões/
Éclairs et ouragans
que dormís no ar /
qui dormez dans l’air
e nas muitidões! /
et parmi les foules!
Vinde incendiar /
Venez incendier
de astros e canções /
d’astres et de chansons
as pedras e o mar/
les pierres et l’océan
o mundo e os corações! /
le monde et les coeurs!
Acordai! Réveillez
Acendei /
Allumez
de almas e de sóis,/
d’ âmes et de soleils,
este mar sem cais /
cette mer sans quai
nem luz de faróis! /ni lumière de phares!
Acordai depois / Réveillez après
das lutas finais /
des luttes finales
os nossos heróis /
nos héros
que dormem nos covais/
qui dorment dans les trouées!
Acordai!
Réveillez-vous!




Interprété par le Groupe Chorale de l’Université de Coimbra