lundi 29 juin 2020

Judith Teixeira: "Bailados do Luar/ Les danses du clair de lune"

Judith Teixeira - poète et écrivain portugaise née à Viseu (ville du Portugal) le 25 janvier 1880. Elle mourut à Lisbonne le 17 mai 1959.

Judite dos Reis Ramos Teixeira, Judith Teixeira, ou Lena de Valois (Viseu, 25 de Janeiro de 1880 - Lisboa, 17 de Maio de 1959) foi uma escritora e poetisa portuguesa.


Je vous invite à lire un de ses poèmes écrit en 1925. Comme la plupart des oeuvres de Judith Teixeira, ses poèmes se caractérisent par leur dimension érotique et sensuelle.

Ma traduction "d'amateur" suit la version originale, pour les personnes qui ne comprennent pas le portugais.

Bailados do Luar / Les danses du clair de lune

Pétalas de rosas
tombam lentamente, silenciosas…
E devagar
vem entrando
a farândola rítmica
e silente
dos góticos bailados do luar!...

Sobre as dobras macias
e assediantes
da seda do meu leito desmanchado,
esguias sombras
adelgaçando afagos,
poisam no meu peito desvestido…
E a boca hipnótica e algente
do meu luarento amante,
vai esculpindo o meu corpo
pálido e vencido!...


No espaço azul e vago,
esvoaça subtilmente
a cálida lembrança
da tua voz!


Busco a verdade viva do teu beijo
e encontro apenas
esta estranha heresia,
crispando o alvo recorte
do meu corpo magoado!...

Estilhaçam-se, vibrando
numa ânsia doentia,
os meus nervos nostálgicos,
irreverentes
empalidecendo
em dolências inocentes
o rubor do meu desejo
insaciado…


As rosas vão tombando lentamente,
devagar,
sobre a carícia dormente
e embruxada…
dos espásmicos beijos do luar…
Oiço a tua voz
em toda a parte!


E perco-me dentro dos meus próprios braços,
tumultuosos e exigentes,
                  a procurar-te!

Judith Teixeira, in 'Antologia Poética' - 1925


Des pétales de rose
tombent lentement, en silence ...
Et tout doucement
voici qui arrive
la farandole rythmique
et silencieuse 
des danses gothiques du clair de lune! ...
Sur  les plis doux 
et harceleurs
de la soie de mon lit défait,
des ombres élancées
affinent les étreintes,
et se  posent sur ma poitrine devêtue ...
Et la bouche hypnotique et glacée
de mon amant du clair de lune,
sculpte mon corps
pâle et vaincu! ...

Dans l'espace bleu et vague,
vole subtilement
la mémoire chaude
de ta voix!

Je cherche la vérité vivante de ton baiser
et je ne trouve
que cette étrange hérésie,
qui impatiente le contour laiteux
de mon corps blessé! ...

En frémissant d'inquiétude malsaine
mes nerfs nostalgiques se brisent en éclats,
irrévérents
et estompent
avec d'innocentes indolences
la rougeur de mon désir 
inassouvi...

Les roses tombent lentement,
tout doucement,
sur la caresse assoupie
et envoûtée ...
par les baisers spasmodiques du clair de lune…
J'entends ta voix
partout!

Et je me perds dans mes propres bras,
tumultueux et exigeants,
                  en te cherchant!

Judith Teixeira, in 'Antologia Poética' - 1925
Neste link, se gostarem da sua poesia, podemos encontrar outros poemas da poetisa Judith Teixeira :
  https://books.google.pt/books?id=uM-cBwAAQBAJ&pg=PA172&lpg=PA172&dq=%22P%C3%A9talas+de+rosas+tombam+lentamente,+silenciosas%22&source=bl&ots=fETfzkzGXg&sig=ACfU3U3Wnh9EOzQZ9NZBLObZEojK1bYNUQ&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwi499zk5qTqAhWGHRQKHVxOCQIQ6AEwCnoECAsQAQ#v=onepage&q=%22P%C3%A9talas%20de%20rosas%20tombam%20lentamente%2C%20silenciosas%22&f=false

Deixei um espaço para a música. Este ano, este tipo de espetáculos estão totalmente proibidos, temos de respeitar as diretivas da DGS! Mas a música é para ser ouvida e para espalhar alegria!


Je vous invite à un moment musical. Rien de tout cela cette année! mais la musique est éternelle et rend heureux! 

Alors écoutons le groupe portugais Santamaria qui a eu beaucoup de succès depuis plusieurs année (ci-dessous en 2010 à Porto)
Santamaria Santamaria - Eu Sei, Tu És (Ao Vivo) 
Publié par Santamaria • 25/11/2010  
Gravado ao vivo Avenida dos Aliados, Porto 8 de Agosto de 2008 


Pour terminer, j'ai aussi sélectionné pour vous faire écouter une participante du concours The Voice Portugal, la jeune portugaise de 16 ans, Filipa Maldonado qui participait au concours The Voice Portugal.

Elle chantait "A máquina" une chanson de Marisa Liz (la chanteuse en mauve qui est membre du jury, et qui la rejoint, un beau moment quand elles chantent ensemble!)
The Voice Publié Par The Voice Portugal  - 03/11/2019  
A concorrente Filipa Moldando cantava "A Máquina" uma canção da Marisa Liz
"...Filipa Maldonado, que máquina! A concorrente de apenas 16 anos virou as 4 cadeiras e deixou os mentores rendidos à versão que fez da canção dos Amor Electro. Sem surpresas, escolheu ficar na equipa da Marisa Liz...."

samedi 6 juin 2020

Jacinta Passos (1914-1973) - "Cantigas das mães/chansons des mamans"

Jacinta Passos (image du net)
"... Jacinta Passos, écrivain et poète brésilienne, est devenue l'une des journalistes les plus actives de Bahia dans les années 40, écrivant sur les sujets qui l'intéressaient le plus, pour lesquels elle s'est battue: la politique, les transformations sociales et la position des femmes dans la société...

Elle a également collaboré avec des journaux et des magazines à Rio de Janeiro et à São Paulo. Membre du Parti communiste brésilien de 1945 jusqu'à sa mort en 1973, elle a consacré une grande partie de sa vie à la lutte clandestine et quotidienne pour un Brésil moins injuste.." (info du net)


"...Jacinta Passos, escritora e poetisa brasileira, tornou-se uma das mais ativas jornalistas da Bahia na década de 40, escrevendo sobre os assuntos que mais a interessavam, pelos quais lutava: política, transformações sociais e posição da mulher na sociedade. Colaborou também com jornais e revistas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Militante do Partido Comunista Brasileiro de 1945 até a morte, em 1973, dedicou grande parte da vida ao trabalho penoso, clandestino e cotidiano de luta por um Brasil menos injusto" (informação da internet)

Cantigas das mães
(para minha mãe)

Fruto quando amadurece
cai das árvores no chão,
e filho depois que cresce
não é mais da gente, não.
Eu tive cinco filhinhos
e hoje sozinha estou.
Não foi a morte, não foi,
oi!
foi a vida que roubou.

Tão lindos, tão pequeninos,
como cresceram depressa,
antes ficassem meninos
os filhos do sangue meu,
que meu ventre concebeu,
que meu leite alimentou.
Não foi a morte, não foi,
oi!
foi a vida que roubou.

Muitas vidas a mãe vive.
Os cinco filhos que tive
por cinco multiplicaram
minha dor, minha alegria.
Viver de novo eu queria
pois já hoje mãe não sou.
Não foi a morte, não foi,
oi!
foi a vida que roubou.

Foram viver seus destinos,
sempre, sempre foi assim.
Filhos juntinhos de mim,
Berço, riso, coisas puras,
briga, estudos, travessuras,
tudo isso já passou.
Não foi a morte, não foi,
oi!
foi a vida que roubou.

Jacinta Passos em "Nossos poemas" - 1942
"...Jacintha Velloso Passos nasceu na fazenda Campo Limpo, município de Cruz das Almas, Recôncavo da Bahia, em 30 de novembro de 1914. Pertencia a família tradicional do lugar. Seu bisavô paterno, Manoel Caetano de Oliveira Passos, conhecido como "o velho", português de aspeto sisudo, no século XIX fora um dos fundadores do arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Cruz das Almas. Themístocles da Rocha Passos, depois de firmar-se na política local, tornou-se figura proeminente na Bahia, durante a monarquia e início da república. O pai de Jacinta, Manoel Caetano da Rocha Passos, nasceu em 1884, portanto ainda durante o império e a vigência da escravidão..." (informação da internet)

Voici ma traduction d'amateur

Chansons des mamans
(pour ma mère)



Le fruit à maturité
tombe des arbres sur le sol,

et le fils après avoir grandi
ne nous appartient pas, non plus.
J'ai eu cinq enfants petits
Et aujourd'hui seule je suis.
Ce n'est pas la mort, mais non,
oh!
c'est la vie qui me les a volés.

Si mignons, si petits,
comme ils ont vite grandi,
mieux aurait été qu'ils restent  bébés
les enfants de mon sang,
que mon ventre a conçus,
que mon lait a nourris.
Ce n'est pas la mort, mais non,
oh!
c'est la vie qui me les a volés.

Une mère vit de nombreuses vies.
Les cinq enfants que j'ai eus
ont par cinq multiplié
mes douleurs, mes joies.
Je voudrais revivre ma vie
car aujourd'hui mère je ne suis.
Ce n'est pas la mort, mais non,
oh!
c'est la vie qui me les a volés.

Ils sont partis vivre leur destin,
cela a toujous été ainsi.
Mes enfants contre moi serrés,
Berceau, rires, choses pures,
disputes, études, pitreries,
tout cela est déjà du passé.
Ce n'est pas la mort, mais non,
oh!
c'est la vie qui me les a volés.

J'avais souhaité publier le poème le 1er juin, date dediée à la Journée Internationale de l'Enfant, mais simplement, j'ai pris du retard!

lundi 18 mai 2020

Tempo de confinamento/ Par temps de confinement



Tempo de confinamento
Confesso a quem por aqui passa,
que tenho sede de um abraço,
que me confino e desatino,
na grandeza de um mero espaço.

Que imagino roseirais em flor
e desenhos de auroras sobre as dunas,
barquinhos de brincar nas correntes,
meandros de sapais e de espumas.

Confesso a quem por aqui passa,
que me procuro, murmuro e me aventuro,
fico sem saber o que é tempo.
O alento encontro-o por aqui,
e por aqui, na visita diária do vento.

Dói-me a ausência dos outros,
o clamor que aquece a alma,
os sossegos desassossegados.
Calo a ternura sem fim,
mais o frio do distanciamento, 
sonho com manhãs leves e belas.
Correm os dias… a passo lento.

Angela


Mais en période de déconfinement, un peu de musique et "faisons ce qui n'a pas encore été fait"!
Je vous invite à écouter Pedro Abrunhosa, toujours avec des créations très poétiques:

Pedro 
Pedro Abrunhosa - 'Fazer o Que Ainda Não Foi Feito'
Publié par Pedro Abrunhosa •13/07/2010 
'Pedro Abrunhosa & Comité Caviar' Álbum 'LONGE'

Fazer o Que Ainda Não Foi Feito

Sei que me vês
Quando os teus olhos me ignoram
Quando por dentro eu sei que choram
Sabes de mim
Eu sou aquele que se esconde
Sabe de ti, sem saber onde
Vamos fazer o que ainda não foi feito

Trago-te em mim
Mesmo que chova no verão
Queres dizer sim, mas dizes não
Vamos fazer o que ainda não foi feito

E eu sou mais do que te invento
Tu és um mundo com mundos por dentro
E temos tanto pra contar
Vem nesta noite
Fomos tão longe a vida toda
Somos um beijo que demora
Porque amanhã é sempre tarde demais

E eu sei que dói
Sei como foi andares tão só por essa rua
As vozes que te chamam e tu na tua
Esse teu corpo é o teu porto, é o teu jeito
Vamos fazer o que ainda não foi feito

Sabes quem sou, para onde vou
A vida é curva, não uma linha
As portas que se fecham e eu na minha
A tua sombra é o lugar onde me deito
Vamos fazer o que ainda não foi feito

E eu sou mais do que te invento
Tu és um mundo com mundos por dentro
E temos tanto pra contar
Vem nesta noite
Fomos tão longe a vida toda
Somos um beijo que demora
Porque amanhã é sempre tarde demais

Tens uma estrada
Tenho uma mão cheia de nada
Somos um todo imperfeito
Tu és inteira e eu desfeito
Vamos fazer o que ainda não foi feito

E eu sou mais do que te invento
Tu és um mundo com mundos por dentro
E temos tanto pra contar
Vem nesta noite
Fomos tão longe a vida toda
Somos um beijo que demora
Porque amanhã é sempre tarde demais

Vem nesta noite
Fomos tão longe a vida toda
Somos um beijo que demora
Porque amanhã é sempre tarde demais

Porque amanhã é sempre tarde demais
Porque amanhã é sempre tarde demais
Porque amanhã é sempre tarde demais


Et avec ma traduction d'amateur:
Faisons ce qui n'a pas encore été fait


Je sais que tu me vois
Quand tes yeux m'ignorent

Quand à l'intérieur je sais qu'ils pleurent
Tu me connais
Je suis celui qui se cache
Qui te connait, sans savoir d'où
Faisons ce qui n'a pas encore été fait

Je t'amène en moi
Même s'il pleut en été
Tu veux dire oui, mais tu dis non
Faisons ce qui n'a pas encore été fait

Et je suis plus que je ne t'invente
Tu es un monde avec des mondes dedans
Et nous avons tellement de choses à dire
Viens ce soir
Nous sommes allés si loin toute la vie
Nous sommes un baiser qui tarde
Parce que demain será toujours trop tard

Et je sais que ça fait mal
Je sais comment c'était toi si seule dans cette rue
Les voix qui t'appellent et toi sans faire de cas
C'est ton corps qui est ton port, c'est ta façon
Faisons ce qui n'a pas encore été fait


Tu sais qui je suis, où je vais
La vie est courbe, ce n'est pas une ligne
Les portes qui se ferment et moi dans mon idée
Ton ombre est l'endroit où je me couche
Faisons ce qui n'a pas encore été fait


Et je suis plus que je ne t'invente
Tu es un monde avec des mondes dedans

Et nous avons tellement de choses à dire
Viens ce soir
Nous sommes allés si loin toute la vie
Nous sommes un baiser qui tarde
Parce que demain será toujours trop tard

Tu as une route
J'ai une main pleine de rien

Nous sommes un tout imparfait
Tu es entière et moi je suis défait
Faisons ce qui n'a pas encore été fait


Et je suis plus que je ne t'invente

Tu es un monde avec des mondes dedans
Et nous avons tellement de choses à dire

Viens ce soir
Nous sommes allés si loin toute la vie
Nous sommes un baiser qui tarde
Parce que demain será toujours trop tard

Viens ce soir
Nous sommes allés si loin toute la vie
Nous sommes un baiser qui tarde 
Parce que demain será toujours trop tard

Parce que demain será toujours trop tard
Parce que demain será toujours trop tard
Parce que demain será toujours trop tard



mercredi 13 mai 2020

Antonio Gedeao - "Maezinha / Maman"



Le mois de mai, est le mois de la Fête des Mères, célébrée le premier dimanche du mois au Portugal, le deuxième dimanche au Brésil.
Je vous invite à écouter et à lire un poème du poète portugais António Gedeão, 
António Gedeão étant le pseudonyme de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, poète, écrivain, professeur, historien, né à Lisbonne
(1906-1997).
MÃEZINHA, António Gedeão - Poème récité par Vitor D' Andrade RTP 
"Um Poema por Semana" é uma ideia de Paula Moura Pinheiro. São 15 poemas em 75 dias, ditos por 75 pessoas. www.rtp.pt/umpoemaporsemana; www.facebook.com/rtpdois;
Poema "Mãezinha" de António Gedeão - Publié par RTP - 24/03/2011

António Gedeão (Rómulo Vasco da Gama de Carvalho) nasceu em 24 de Novembro de 1906, na Rua do Arco do Limoeiro em Lisboa, e foi professor, pedagogo e autor de manuais escolares, historiador da ciência e da educação, divulgador científico e poeta. Faleceu em 1997.


Mãezinha / Maman


A terra de meu pai era pequena
e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões, nem mísseis.
Corria branda a noite e a vida era serena.

Segundo informação, concreta e exata,
dos boletins oficiais,
viviam lá na terra, a essa data
3023 mulheres, das quais
45 por cento eram de tenra idade,
chamando tenra idade
à que vai do berço até à puberdade.

28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.
Umas, viúvas, que nunca mais (oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido
desde o dia da morte do extremoso marido;
outras, senhoras casadas, mães de filhos...
(De resto, as senhoras casadas,
pelas suas próprias condições,
não têm que ser consideradas
nestas considerações.)

Das outras, 10 por cento,
eram meninas casadoiras, seriíssimas, discretas,
mas que por temperamento,
ou por outras razões mais ou menos secretas,
não se inclinavam para o casamento.

Além destas meninas
havia, salvo erro, 32,
que à meiga luz das horas vespertinas
se punham a bordar por detrás das cortinas
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.

Dessas havia 9 que moravam
em prédios baixos como então havia,
um aqui, outro além, mas que todos ficavam
no troço habitual que o meu pai percorria,
tranquilamente no maior sossego, às horas em
que entrava e saía do emprego.

Dessas 9 excelentes raparigas
uma fugiu com o criado da lavoura;
5 morreram novas, de bexigas;
outra, que veio a ser grande senhora,
teve as suas fraquezas mas casou-se
e foi condessa por real mercê;
outra suicidou-se
não se sabe porquê.

A que sobeja
chama-se Rosinha.
Foi essa que o meu pai levou à igreja.
Foi a minha mãezinha.

António Gedeão (image du net)
Avec ma traduction d'amateur:

La région de mon père était petite
et les transports difficiles.
Il n'y avait ni trains, ni voitures, ni avions, ni missiles.
La nuit se déroulait calme et la vie était sereine.

Selon les informations, concrètes et exactes,
des bulletins officiels,
dans le pays vivaient, à cette date
3023 femmes, dont
45 pour cent étaient enfants en bas âge,
bas âge se sous-entend
celui qui va du berceau à la puberté.

28 pour cent du reste
étaient des dames, de ces dames qu'il y avait avant.
Quelques unes, des veuves qui n'avaient plus jamais (oh! plus jamais!) même pas souri
depuis le jour de la mort de leur merveilleux mari;
d'autres, des dames mariées, mères d'enfants ...
(En fait, les dames mariées,
de par leur propres conditions,
ne doivent pas être considérées
dans les présentes considérations)

Parmi les autres, 10 pour cent,
étaient des filles en âge de se marier, très sérieuses, discrètes,
mais qui par leur caractère,
ou pour d'autres raisons plus ou moins secrètes,
pour le mariage n'avaient pas de penchant.

Outre ces filles
il y en avait, sauf erreur, 32,
qui à la douce lumière des heures du soir
se mettaient à broder derrière les rideaux
tout en guettant, du coin de l'oeil, qui dans les rues passait.

De ce nombre, 9 vivaient
dans des bâtiments bas comme à l'époque il existait,
un ici, un là-bas, mais que tous étaient situés
dans le parcours habituel que mon père suivait,
tranquillement dans le plus grand calme, aux heures
qu'il allait et rentrait du travail.

De ces 9 admirables jeunes filles
une s'est enfuie avec l'employé de la ferme;
5 de la varicelle sont mortes jeunes;
une autre, qui est devenu une grande dame,
qui a eu ses faiblesses mais qui s'est mariée
et est devenue comtesse par volonté du roi;
une autre s'est suicidée
on ne sait pas pourquoi.

Celle qui reste
s'appelle Rosinha.
C'est celle que mon père emmena à l'église.
C'était ma maman.

Le mois de mai est aussi le mois de la grande fête de Fátima. Malheureusement cette année, le sanctuaire est fermé, et les célébrations se déroulent sans la présence des pélerins. On ne voit pas les belles images, comme celles de 2018:
Procissão das Procissão das Velas - Santuário de Fátima - 
Publié par Portugal cool  •04/05/2018

mardi 28 avril 2020

Manuel Bandeira - "Desencanto / Desenchantement"


En visitant le blog d'une amie, j'ai vu son hommage au poète brésilien Manuel Bandeira.
https://espiritual-marazul.blogspot.com/2020/04/amor-navegavel-inspirada-em-manoel.html
Alors de ce pas, en suivant son inspiration, voici un poème de ce grand poète.


De son nom complet, Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho est né à Recife le 19 Avril 1886 et est décédé en 1968, à Rio de Janeiro (information du net).

Manuel Bandeira é um do grandes nomes da poesia brasileira.
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro,1968)
foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro (wikipedia)
"...Desencanto é considerado um metapoema, ou seja, um poema que procura descrever o próprio processo de criação literária..."
(image du net)

Sans oublier bien sûr, ma traduction d'amateur, de ce "Désenchantement" considéré comme un métapoème. Le poète écrit sur les efforts qu'il faut faire pour exprimer sa passion poétique:

Désanchantement
Je fais ces vers comme quelqu'un qui pleure
De désarroi... de désenchantement...
Ferme mon livre si pour l'instant
Tu n'as aucun motif pour te lamenter. 

Mes vers sont le sang. Volupté ardente…
Tristesse éparse… vain regret…
Dans les veines il me fait souffrir. Amer et chaud,
Il tombe, goutte à goutte, du coeur.
Et dans ces vers d'angoisse rauque,
Ainsi des lèvres coule la vie,
En laissant dans la bouche un âcre goût.
— J'écris ces vers comme quelqu'un qui meurt.
J'ai trouvé sur le net cette définition:
"...Nous entendons par le terme "métapoésie" tout poème (qu'il soit en vers ou en prose; qu'il s'agisse de calligramme, de métagramme ou d'aphorisme) qui porte sur la poésie dans la poésie même..."



vendredi 10 avril 2020

Madredeus - "O Pastor / Le Berger"



"Lisbon under stars", un beau spectacle de son et lumière, dont le nom peut se traduire para "Lisbonne sous les étoiles", a eu lieu dans le "Convento do Carmo", de mai à juillet 2019.

  Lisbon Lisbon under stars  
publié par Gonçalo Fragoso 24 de jun. de 2019 
Le spectacle fait revivre quelques 600 ans de la vie de Lisbonne et du Portugal.
Dans l'extrait ci-dessus, nous pouvons entendre la jolie chanson "o pastor" (le berger) par le groupe Madredeus, qui accompagne le voyage des grands navigateurs portugais.

O Pastor

Letra: Pedro Ayres Magalhães
Música: Madredeus

Ai que ninguém volta
ao que já deixou
ninguém larga a grande roda
ninguém sabe onde é que andou
Ai que ninguém lembra
nem o que sonhou
(e) aquele menino canta
a cantiga do pastor
Ao largo
ainda arde
a barca
da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
deixa a alma de vigia
Ao largo
ainda arde
a barca
da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
acordar é que eu não queria
Ao largo
ainda arde
a barca
da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
deixa a alma de vigia
Ao largo
ainda arde
a barca
da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
acordar é que eu não queria
chanté par Teresa Salgueiro

"...Teresa Salgueiro é, sem dúvida, uma figura artística ímpar no nosso País e, desde há quase três décadas, constitui uma imagem emblemática de Portugal no mundo.
O seu percurso na música inicia-se em 1986 quando, com apenas 17 anos, é convidada para integrar a fundação do grupo Madredeus, gravando 9 discos de música original, criada especificamente para a sua voz. Entre 1987 e 2007, vinte anos de viagem e mais de cinco milhões de álbuns vendidos em todo o mundo tornaram-nos nos primeiros representantes internacionais da música feita em Portugal depois de Amália Rodrigues. E Teresa Salgueiro, com a sua presença discreta e delicada e a sua voz extraordinária, foi a “figura de proa” dessa nau musical..."
http://www.teresasalgueiro.pt/index.php/pt/biografia


J'ai préparé pour vous, une traduction "d'amateur", que voici:

Oh personne ne revient
vers ce qui a été laissé
personne ne lache la grande roue
personne ne sait le parcours qui a été fait

Oh personne ne se souvient
de ce qui a été rêvé
et ce garçon chante
la chanson du berger

Au large 
elle brûle encore
la barque de la fantaisie
mon rêve se termine tard
et laisse mon âme en vigie

Au large 
elle brûle encore
la barque de la fantaisie
mon rêve se termine tard
de me réveiller je n'ai pas envie

Au large 
elle brûle encore
la barque de la fantaisie
mon rêve se termine tard
et laisse mon âme en vigie

Au large 
elle brûle encore
la barque de la fantaisie
mon rêve se termine tard
de me réveiller je n'ai pas envie

Je vous invite a regarder et à écouter la version originale du groupe:
Madredeus - 
Madredeus - O Pastor
Publié par Madredeus - 3 de jan. de 2013 
Music video by Madredeus performing O Pastor. (P) 1990 The copyright in this sound recording is owned by EMI Music Portugal, Lda