samedi 23 mars 2019

Mísia chante "Tive um coração, perdi-o / J'ai eu un coeur, je l'ai perdu"



Poetizando com os amigos e amigas na 74ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO, a quem agradeço o carinho que têm demonstrado, e a quem desejo muitas felicidades :)
Copiada do blogue da Prof. Lourdes Duarte, a 5ª Imagem- uma jovem banha-se nas águas do mar muitas rosas espalhadas na água.
Post ilustrado com algumas fotos minhas tiradas em rios do norte de Portugal


Abraço a água


Tão bela por baixo das pontes,
Frescura que desce dos montes,
Borbulhar que alimenta as fontes,
A água  que muda os caminhos,
Do seu primoroso divagar.

Deslizando por seixos macios,
É ouvi-la cantar pelas pedras,
Histórias de marinheiros,
Refúgios de aventureiros,
Gotinhas muito juntinhas na sua voz acetinada.

Criam-se rendas de espuma a brilhar
Que se espraiam prazerosas,
Transportando brancas rosas, nos braços de um longo mar,
De costas voltadas à sede,
Em jardins de encantar. 

Aromas de areia molhada
Vão-nos chegando, até que um dia..
A água se enfurece em agonia,
São maus tratos em demasia.

Abraço a água,
Que não é tua, não é minha, nem de ninguém,
Águas que lavam as mágoas,
A água, que só Deus tem!

Angela

Clip realizado por Maria de Medeiros, Mísia canta "Tive um coração, perdi-o" de Amália Rodrigues, no castelo de Almourol (região centro de Portugal).

Tive um coração, perdi-o.
Ai, quem mo dera encontrar!
Tive um coração, perdi-o.
Ai, quem mo dera encontrar!
Preso no fundo do rio
Ou afogado no mar.
Preso no fundo do rio
Ou afogado no mar.

Quem me dera ir embora,
Ir embora sem voltar!
Quem me dera ir embora,
Ir embora sem voltar!
A morte que me namora
Já me pode vir buscar.
A morte que me namora
Já me pode vir buscar.

Tive um coração, perdi-o.
Ai, inda o vou encontrar!
Tive um coração, perdi-o.
Ai, inda o hei de encontrar!
Preso no lodo do rio
Ou afogado no mar.
Preso no lodo do rio
ou afogado no mar.

Compositores: Letra, Amália Rodrigues; Música, José Fontes Rocha

Ce poème était au départ chanté par Amália Rodrigues qui l'a composé. Depuis il y a eu plusieurs interprètes, parmi lesquels la chanteuse portuguese Mísia.
Je fais ici une rapide traduction d'amateur!

J'ai eu un coeur, je l'ai perdu.
Oh, j'aimerais le retrouver!
J'ai eu un coeur, je l'ai perdu.
Oh, j'aimerais le retrouver!
Coincé au fond de la rivière
Ou dans la mer noyé.
Coincé au fond de la rivière
Ou dans la mer noyé.

J'aimerais pouvoir partir,
Partir et sans revenir!
J'aimerais pouvoir partir,
Partir et sans revenir!
La mort qui me courtise,
Peut maintenant m'emporter.
La mort qui me courtise,
Peut maintenant m'emporter.

J'ai eu un coeur, je l'ai perdu.
Oh, un jour je le retrouverai!
J'ai eu un coeur, je l'ai perdu.
Oh, un jour je dois le retrouver!
Coincé dans la boue de la rivière
Ou dans la mer noyé.
Coincé dans la boue de la rivière

ou dans la mer noyé.

Aqui deixo a minha participação nesta edição, com muito gosto por ter participado, e agradecendo o convite da Prof.ª Lourdes !

mercredi 20 mars 2019

Eugénio de Andrade - "Em louvor das crianças / Louange aux enfants"




Eugénio de Andrade (1923-2005), poeta português (imagem da net)



"Em Louvor das Crianças" texte poétique, écrit par le poète portugais Eugénio de Andrade, dans «Rosto precário»

Em Louvor das Crianças

Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso. A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue.

O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.

Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário'



voici  ma traduction d'amateur, de ce texte poétique:
Louange aux enfants

S'il y a sur la terre un royaume que nous est familier mais en même temps étrange, fermé dans ses limites et, simultanément, sans frontières, ce royaume est celui de l'enfance. Dans ce pays innocent, d’où on est toujours expulsé trop tôt, on y revient seulement à des moments privilégies – ces retours que parfois on appelle poésie. Cette espèce de terre mythique est habitée par des êtres d’une si grande beauté qu’ils ont servi de modèle aux anges, et c’est aux enfants, comme tous savent par les Évangiles, que le paradis a été promis.
Le charme des enfants vient, surtout, de leur proximité avec les animaux – leur rapport avec le monde n’est pas basé sur l’utilité, mas sur le plaisir. Ils ne connaissent pas encore les deux grands ennemis de l’âme, qui sont, comme disait Saint-Exupéry, l’argent et la vanité. Ces créatures fragiles, les seules dès l’origine promises à l’immortalité, sont aussi les plus vulnérables – elles ont la poitrine ouverte aux merveilles du monde, mais sans défense contre la bestialité des hommes, qui, malgré toute la technologie avancée, ne diminue ni disparaît.
La souffrance d’un enfant est d’un ordre si monstrueux qu’il est souvent utilisé comme argument pour mettre en doute l’existence de la bonté divine. Non, il n’y a pas de salut pour celui qui fait souffrir un enfant, que cela reste à jamais gravé dans vos esprits.
Le simple fait que nous permettions que des millions d’enfants souffrent de la faim, et arrosent de leur larmes la terre où, un jour, il leur faudra encore lutter pour la justice et pour la liberté, prouve clairement que nous ne sommes pas fils de Dieu.


A publicação deste texto tem por finalidade mostrar a minha admiração pela obra de Eugénio de Andrade e uma maneira de divulgar o seu trabalho. O texto será retirado se a publicação do mesmo se reverlar inconveniente.

Chegando ao convite da Prof. Lourdes Duarte na sua 73ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO! 
Copiei do seu blogue, a 5ª Imagem- Uma linda menina, vestida como uma princesa, deitada ao lado de rosas com ar de felicidade.
https://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com/2019/03/73-edicao-do-poetizando-e-encantando.html
"É uma brincadeira sem competição, participa-se com o coração e o amor a poesia."
Menina

Menina de sorriso de prata,
Nascida em bercinho de ouro,
Seus pais dão graças aos céus,
Por tão inestimável tesouro!

Como num futuro em botão,
Vejo o rosto de uma criança,
Como rosas que se semeiam,
Num muro verde de esperança!
Angela

Eurovision 
Eurovision Portugal 1971- Tonicha - Menina do Alto da Serra Publié par Eurovision Portugal -  Publicado a 21/01/2010 
"Menina do Alto da Serra" (Contry Girl), also known simply as "Meninal" (Girl) was the portuguese entry in the Eurovision Song Contest 1971, performed in Portuguese by Tonicha. 

Menina do alto da serra 

Menina de olhar sereno raiando pela manhã
De seio duro e pequeno num coletinho de lã
Menina cheirando a feno casado com hortelã
Menina cheirando a feno casado com hortelã

Menina que no caminho vais pisando formosura
Trazes nos olhos um ninho todo em penas de ternura
Menina de andar de linho com um ribeiro à cintura
Menina de andar de linho com um ribeiro à cintura

Menina de saia aos folhos, quem a vê fica lavado
Água da sede dos olhos, pão que não foi amassado
Menina de riso aos molhos, minha seiva de pinheiro
Menina de saia aos folhos, alfazema sem canteiro

Menina de corpo inteiro com tranças de madrugada
Que se levanta primeiro do que a terra alvoroçada
Menina de corpo inteiro com tranças de madrugada
Menina de corpo inteiro com tranças de madrugada

Menina de saia aos folhos, quem na vê fica lavado
Água da sede dos olhos, pão que não foi amassado
Menina de fato novo, Avé Maria da terra
Rosa brava, rosa povo, brisa do alto da serra 

Rosa brava, rosa povo, brisa do alto da serra

Rosa brava, rosa povo, brisa do alto da serra

Rosa brava, rosa povo, brisa do alto da serra!

A letra da canção é de Ary dos Santos
A música é de Nuno Nazareth Fernandes

Para recordar: a "Menina do Alto da Serra", também conhecida apenas por "Menina" foi a canção que representou Portugal no Festival Eurovisão da Canção 1971, interpretada por Tonicha.


vendredi 8 mars 2019

Dia internacional da mulher



Voici ma participation à l'invitation de notre amie Lourdes Duarte, qui nous encourage à jouer aux poètes!

J'illustre mon post avec quelques vidéos prises sur le net, où les femmes du Portugal produisent un joli travail, par la création et les chorégraphies de diverses danses colorées.
Poetizando com a Prof.ª Lourdes Duarte, selecionei no seu blogue a 6ª - Imagem - uma linda mulher no meio das flores amarelas com ar de felicidade
http://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com/2019/03/72-edicao-do-poetizando-e-encantando.html  
na 72ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO
Espero que gostem da associação da publicação com o trabalho destas mulheres e suas danças coloridas (a vila de Ovar situa-se no norte de Portugal) ! Obrigada.


Mulher cor

mulher flor
mulher alegria
mulher amor
pode lhe chover na alma
mas brilha o sol dentro do seu coração

é a mulher encanto na terra
é a mulher rainha do céu
partilha de beleza e poema
que tanto Deus lhe deu

ondula seu corpo ao luar
feliz com a diabrura
esquecendo a amargura
seu olhar mais brilhante que a luz
que o poeta inspira e seduz

mulher porto de abrigo
mulher filha do vento
que lhe corre nas veias
livre como o pensamento
e a graça que suspende o tempo!

Angela


Dança com as Estrelas Final - Pedro Teixeira - cha cha cha Guardar
Publié par Fãs Pedro Teixeira - Publicado a 23/09/2013

 
Costa de Prata @Desfile de Domingo - Carnaval de Ovar 2019
Publié par SambaFanPT - Publicado a 03/03/2019


Bailarinos de válega Carnaval de Ovar 2015 
Publié par gamplay HD - Publicado a 19/02/2015 
Grupo de passarelle-Bailarinos de válega carnaval de ovar 2015 (Corso* Domingo 15-2-2015)
Tema: "Abraçovar"

jeudi 28 février 2019

Florbela Espanca - "A Flor do Sonho / La Fleur du Reve"



Forbela Espanca (1894-1930) est née à Vila Viçosa, au Portugal. Poète et poétesse d'avant-garde, son écriture est caractérisée par un ton confessionnel fort (ses textes correspondent à une sorte de journal intime, un langage personnel centré sur ses propres frustrations et aspirations), avec un accent érotique féministe sans précédent… (traduit)
Florbela Espanca  (Flor Bela de Alma Conceição Espanca) (1894-1930) nasceu em Vila Viçosa, Portugal. Contista e poetisa de vanguarda, sua escrita é caracterizada pelo forte tom confessional (seus textos correspondem a uma espécie de diário íntimo, uma linguagem pessoal centrada em suas próprias frustrações e anseios), com um acento erótico feminista sem precedentes..
https://www.jornaldopovo.com.br/site/blogs/485/258813/Florbela_Espanca.html
A Flor do Sonho

A Flor do Sonho, alvíssima, divina,
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
Fosse florir num muro todo em ruína.

Prende em meu seio a haste branda e fina
E não posso entender como é que, enfim,
Essa tão rara flor abriu assim!...
Milagre...fantasia...ou, talvez sina...

Ó flor que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?!...

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa da minh'alma
E nunca, nunca mais eu me entendi…

Florbela Espanca


J'ai illustré mon post avec des photos que j'ai prises dans le nord du Portugal, où les magnolias fleurissent en hiver, et nous offrent ces belles corolles blanches ou roses, sur des troncs dénudés.
Je vous propose ma traduction (d'amateur) du poème ci-dessus:

La fleur du rêve

La fleur du rêve, immaculée, divine,
S'est miraculeusement ouverte en moi,
Comme si un magnolia de satin,
Se serait épanoui sur un mur en ruine.

Il accroche sur ma poitrine la tige douce et fine
Et je ne peux pas comprendre comment, enfin,
Cette fleur si rare s'est ouverte comme cela! ...
Miracle ... fantaisie ... ou peut-être le destin...

Oh fleur qui en moi tu es née sans épines,
Que mal y a-t-il que mes yeux soient tristes?
S'ils sont tristes pour l'amour de toi ?! ...

Depuis que, en moi par nuit calme tu es née

L'envol de mon âme au loin s'est éloigné.
Et plus jamais, plus jamais je ne me suis comprise ...


Escolhi a 1ª PRIMEIRA IMAGEM- Um longo caminho numa paisagem de serrado com sol brilhante.
da 71ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO
https://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com/2019/02/71-edicao-do-poetizando-e-encantando.html
para responder ao convite a Prof.ª Lourdes Duarte! obrigada amiga!
Foi um semana em que não tive oportunidade de criar um poeminho meu, assim pedi ajuda à Florbela Espanca. Espero que gostem :)

Esfinge

Sou filha da charneca erma e selvagem.
Os giestais, por entre os rosmaninhos,
Abrindo os olhos d’oiro, p’los caminhos,
Desta minh’alma ardente são a imagem.

Embalo em mim um sonho vão,miragem:
Que tu e eu, em beijos e carinhos,
Eu a Charneca e tu o Sol, sozinhos,
Fossemos um pedaço de paisagem!
E à noite, à hora doce da ansiedade
Ouviria da boca do luar
O De Profundis triste da saudade…

E à tua espera,enquanto o mundo dorme,
Ficaria, olhos quietos, a cismar…
Esfinge olhando a planície enorme…
Florbela Espanca, 1923.


mardi 19 février 2019

Judith Teixeira - "Volúpia / Volupté"



2ª Imagem - Um casal namorando com o brilho do sol se pondo iluminando-os lindamente.
A convite da Prof.ª Lourdes, no seu blogue e na 70ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO



Je vous présente deux poèmes de Judith Teixeira, je les ai trouvés sur le net, j'espere qu'ils vous plairont, sur le sujet de l'amour /passion! suivis de ma traduction d'amateur.

Judith Teixeira fut une romancière et poétesse portugaise, née à Viseu, Portugal, en 1880. Elle est décédée à Lisbonne en 1959. 

Ses écrits d'avant-garde et érotiques pour l'époque, ont suscité de nombreuses réactions polémiques.


No seguimento do post anterior, convido-vos novamente a apreciar a poesia sensual de poetisa portuguese Judith Teixeira, com dois poemas que encontrei na net.
Volúpia

Era já tarde e tu continuavas
entre os meus braços trémulos, cansados...
E eu, sonolenta, já de olhos fechados,
bebia ainda os beijos que me davas!

Passaram horas!.. Nossas bocas flavas,
Muito unidas, em haustos repousados,
Queimavam os meus sonhos macerados,
Como rescaldos de candentes lavas.

Veio a manhã e o sol, feroz, risonho,
entrou na minha alcova adormecida,
quebrando o lírio roxo do meu sonho...

Mas deslumbrou-se... e em rúbidos adejos
Ajoelhou-se... e numa luz vencida,
Sorveu... sorveu o mel dos nossos beijos!

Judith Teixeira, in 'Abril - Madrugada' 

*Rubido - adj. Que tem cor vermelha, rubra.
**Adejos - subst. Voos, voleios,

Volupté


Il était tard et tu étais encore
entre mes bras tremblants et fatigués ...
Et moi, somnolente, les yeux déjà fermés,
je buvais encore les baisers que tu me donnais!

Les heures ont passé! Nos bouches pâles,
Très unies, en goulées détendues,
Embrasaient mes rêves macérés,
comme des lendemains de laves brûlantes.

Le matin s’est levé, et le soleil, féroce, réjoui,
entra dans mon alcôve endormie,
brisant le lis pourpre de mon rêve ...

Puis il s’émerveilla ... et en envols cramoisis,
Il s'agenouilla ... et sous la lumière vaincue,
Il savoura ... savoura le miel de nos baisers!

E o segundo poema de Judith Teixeira:

Mais beijos

Devagar…
outro beijo… ou ainda…
O teu olhar, misterioso e lento,
veio desgrenhar
a cálida tempestade
que me desvaira o pensamento!

Mais beijos!…
Deixa que eu, endoidecida,
incendeie a tua boca
e domine a tua vida!

Sim, amor..
deixa que se alongue mais
este momento breve!…
— que o meu desejo subindo
solte a rubra asa
e nos leve!

Judith Teixeira
Maio – 1925 

Voici ma traduction d'amateur du 2ème poème "Mais beijos", de Judith Teixeira
Mai – 1925

Encore des baisers


Lentement ...
un autre baiser ... ou encore...
Ton regard, mystérieux et lent,
est venu désordonner
la tempête ardente
qui affole ma pensée!

Encore des baisers! ...
Laisse moi, abasourdie,
incendier ta bouche
et commander ta vie!

Oui, mon amour…
laisse-le encore se prolonger
ce bref moment!...
- que mon désir grandissant
déploie son aile vermeil
en nous emportant!


"...A brincadeira tem como objetivo incentivar a o gosto pela poesia, a interação entre amigos, visitando , comentando e seguindo os blogues participantes.
A partir de uma ou mais imagens que indico a cada semana, desenvolve-se a criatividade escrevendo versos, poesias, pensamentos ou mensagens.
É uma brincadeira sem competição, participa-se com o coração e o amor a poesia…. Profª. Lourdes Duarte". E a minha participação:


O amor acorda

O amor acorda porque se faz tarde,
cria maravilhas no leito dos rios,
solta as aves, coloca anjos nas nuvens,
constrói caminhos de versos macios!

Era uma vez… contava-se às princesas,
que viam no sopro do vento, ramos de lírios,
flores de laranjeira, pétalas de açucenas,
e campos, com perfumes de alfazemas.

E vemos magia e encantamento em poemas,
desejos de mãos dadas, coração a bater,
ternuras e carinhos com muita cor,
nas loucuras de um verdadeiro amor!

E vive-se histórias de amor ardente,
intensamente, como o passar do tempo
na imaginação e sonhos do momento,
frescos e leves, como o pensamento!

Angela



Avec mes photos des roses de Braga

samedi 9 février 2019

Judith Teixeira - "Outono / Automne"


Judith Teixeira fut une romancière et poétesse portugaise, née à Viseu, Portugal, en 1880. Elle est décédée à Lisbonne en 1959. 
Ses écrits d'avant-garde et érotiques pour l'époque, ont suscité de nombreuses réactions polemiques.

Judite dos Reis Ramos Teixeira, Judith Teixeira, (Viseu, 25 de Janeiro de 1880 - Lisboa, 17 de Maio de 1959) foi uma escritora e poetisa portuguesa. A sua obra apresentava um erotismo pouco convencional, o que não era muito frequente na poesia da época, e que foi causa de muitas polémicas.
Escolhi este poema "Outono" para vos apresentar esta poetisa.

Outono

Anda o sol amarelo, adoentado                                 
e pelas tardes, quando deixa o céu,                             
vai roxo de tristeza e magoado                                    
cansado do ardor que despendeu.                              

As árvores, num gesto desvairado,                         
têm o ar de alguém que se rendeu                          
à força dum destino desgraçado…                      
- Não é só delas, esse gesto é teu!                         

A ventania veio desgrenhar                              
espectros outonais no teu olhar!                             
- Abre teus braços para o meu carinho.                

Esperemos o Inverno sem temê-lo,                        
e quando a neve rir no teu cabelo,                                            
os meus hão-de ficar da cor do linho!                    

Judith Teixeira
Sol-Posto 
1921
Judith Teixeira - image du net


Voici ma traduction libre et d'amateur, que j'espère pourra aider à la comprehension du poème:
Le soleil apparait jaune, chétif, 
et le soir, lorsqu' il quitte le ciel, 
il s'en va violet de tristesse et de peine 
fatigué de l'ardeur qu'il a démontrée. 

Les arbres, dans un geste frénétique, 
ont l'air de quelqu'un qui s'est rendu 
à la force d'un destin fatidique ... 
- Ce geste qui est aussi le tien! 

Le vent est venu déparailler
les spectres de l'automne dans tes yeux! 
- Ouvre tes bras à mes calins. 

Attendons l'hiver sans frayeur, 
et quand la neige rira dans tes cheveux, 
les miens seront de la couleur du lin!


É com muito gosto que estou participando no Poetizando e Encantando. Já recebemos o novo convite com um conjunto de imagens inspiradoras que devemos selecionar para a nossa participação !
A Profª Lourdes Duartes deseja-nos as boas-vindas no seu blogue da amizade
http://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com/2019/02/69-edicao-do-poetizando-e-encantando.html
de onde copiei a seguinte imagem:
1ª Imagem - Uma jovem protegendo-se da neve que cai ,com uma sombrinha, caminha entre as árvores cujas folhas coloridas espalham-se no chão.
A ausência

Visto o luto da tua ausência
E o meu coração mergulha nas lembranças da saudade.
Pensamentos silenciosos acompanham os meus passos.
O Outono exibe as suas vestes, de brilho e de vaidade.

Ouço os sons da canção do exílio,
No refrão que desliza sobre o mar.
Leio o teu sorriso, adivinho o teu rosto,
No quadro de um céu negro, vazio, e sem luar.

Meu amor, retido em solo inóspito ficaste,
Sob o ruido das armas que estremecem a terra,
E eu carrego a mágoa e a solidão,
A salvo dos cruéis abismos da guerra.

Quando só me respondem as névoas que salpicam a paisagem,
E que se apaga a luz pálida da razão,
Agarro a esperança do teu regresso,
Que me alimenta os dias, e agasalha o coração.

Angela


Trois de mes photos prises dans le parc municipal de Loulé

lundi 4 février 2019

João Rodrigues de Castelo Branco - "Cantiga partindo-se / Chanson du depart"


Je vous presente aujourd'hui le poète portugais João Rodrigues de Castelo Branco. 
Poète des XVe et XVIe siècles (on situe son décès en 1515), il a laissé des oeuvres liées au mouvement littéraire de la Renaissance, où l'on trouve la célébration exaltée de l'amour, la souffrance, et le désir de la mort si l'amour ne peut être partagé, la sublimation du sentiment noble que le poète ressent pour la femme aimée.

Voici ma traduction libre de ce joli poème, j'espère que cela aidera ceux qui ne comprennent pas le portugais, et je m'excuse si l'interprétation n'est pas la plus correcte, car les termes anciens sont assez difficiles!

Chanson du départ

Ma dame, ils partent si tristes.
mes yeux pour toi, mon bien,
que tu n’as jamais vu d’aussi tristes
d’autres yeux pour aucun.

Si tristes, si nostalgiques,
si malades du départ,
tellement fatigués, tellement en larmes,
de la mort si désireux
cent mille fois plus que de la vie.
Ils partent si tristes les tristes,
si las d'attendre tant,
que tu n’as jamais vu d’aussi tristes
d’autres yeux pour aucun
.

Vitorino - Vitorino - "Cantiga partindo-se" do disco "Leitaria Garrett" (LP 1984) 
Publié par DoTempoDosSonhos Publicado a 23/03/2012 
Letra de João Roíz de Castel'Branco Musica de Vitorino Piano por Olga Prats Direcção musical e arranjos de Alejandro Erlich -- Oliva Publico na integra. 4/12 

João Rodrigues de Castelo Branco ou Joam Roiz de Castel-Branco, também grafado João Ruiz de Castelo-Branco, foi um militar e nobre português, fidalgo da Casa Real, cortesão e poeta humanista. Poeta que nasceu no decorrer do século XV e terá falecido em 1515 em Castelo Branco (Portugal)
(Wikipedia). 
Poeta renascentista, que deixou obras aliadas ao Renascimento em que a sublimação do amor e do sofrimento encontra o seu desfecho na partida ou na morte, quando o amor não é correspondido.
O seu poema mais conhecido é Cantiga sua partindo-se, poema de amor possivelmente dedicado a uma dama da corte.

Cantiga partindo-se 

Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes os tristes,
tão fora d' esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém

João Rodrigues de Castelo Branco
("Cantiga Partindo-se", Cancioneiro Geral)


Vamos agora poetizar com a Profª Lourdes Duarte. Na 68ª edição do seu Poetizando e Encantando, escolhi uma das imagens que ela colocou para nos convidar a participar no desafio:


A 2ª Imagem- Um guife de uma jovem pensativa, segurando uma rosa negra enquanto o vento sopra folhagens sobre ela.


A rosa negra

Dei-te um abraço,
mas não me convenço da eternidade
e da tranquilidade que a minha alma sente.

Tento sorrir,
E vejo um arco-íris que só abraça o céu.
Enquanto que o mundo cochila, à mercê da intransigência e das agruras da sorte.

Só me resta a cor cinza que pinta os meus dias,
Quando, lentamente, ouço a chuva que cai no meu coração.
A mesma que fecunda a terra e repete o ciclo das sementes.

Mas não vou chorar. A esperança não morre.
Nas pétalas da rosa que me ofereceste, enfrentarei o mau presságio,
E irei ao encontro dos sonhos que poderão encher a tela do nosso destino.

Sei que existem espinhos de dor,
Farei deles espadas que simbolizem a perfeição da minha luta
Para te reencontrar, e abrir o caminho de um grande amor.
Esta é a minha jura, perante a beleza desta flor!

Angela

Fico feliz por ter participado nesta edição. Abraços meus a todos!