samedi 5 juin 2021

Luís de Camões - "Mudam-se os tempos, Mudam-se as vontades / Les temps changent et les désirs aussi"


Luís Vaz de Camões, est un poète portugais, né vers 1525, mort le 10 juin 1580 à Lisbonne.
Auteur de poèmes dans la tradition médiévale (redondilhas) ou pastorale, de sonnets,  et particulièrement de l'épopée nationale des Lusiades..

Portrait du poète Luís de Camões (Wikipedia)
O retrato pintado em Goa, 1581

Luís Vaz de Camões foi um poeta de Portugal, considerado uma das maiores figuras da literatura em língua portuguesa.

Dans ce sonnet, les désirs changeants provoquent la nostalgie et les regrets d'un passé moins instable qui correspondait à l'attente de jadis.
Le poème a pour thème le changement; le sujet poétique aborde les changements qui se produisent. Tout est en changement constant, mais il y a deux aspects qui dérangent particulièrement le poète : les changements dans sa vie ne suivent plus ceux qui se produisent dans la Nature et le fait que le changement lui-même finit par changer.

Mudam-se os tempos, Mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões



Et comme d'habitude, voici ma traduction d'amateur en français!

Les temps changent et les désirs aussi

Les temps changent et les désirs aussi,
Et l’être change et la confiance également;
Tout l’univers est fait de changement,
Prenant toujours des qualités rajeunies.

Sans cesse nous voyons des nouveautés
En tout différentes de notre attente ;
Des maux, le souvenir garde la tourmente,
Et des plaisirs, s’il y en eut, l'amer regret.

Le temps couvre le sol d’un vert caban,
Après l’avoir couvert de neige gelée,
Et enfin il transforme en pleurs le tendre chant.

Et en plus de ce changement journalier,
En changeant ainsi plus encore il nous surprend,
Car il ne change plus comme jadis il le faisait.

Pour terminer, je vous invite à écouter une belle oeuvre du compositeur portugais João Domingos Bomtempo (1775-1842), dédiée à la mémoire du poète Luís de Camões, et que j'aime beaucoup.

João Domingos Bomtempo (Lisboa, 28 de dezembro de 1775 – Lisboa, 18 de agosto de 1842) foi um pianista clássico, compositor e pedagogo português.
João Domingos Bomtempo 
- Requiem in C-minor, Op.23 "À memória de Camões" (c.1818)
Publié par KuhlauDilfeng3 - 9 janv. 2014 

João Domingos Bomtempo (Lisbon, December 28, 1775 -- Lisbon, August 18, 1842) was a Portuguese classical pianist, composer and pedagogue. Work: Requiem in C-minor, Op.23 "À memória de Camões" (c.1818)

24 commentaires:

  1. Réponses
    1. Espero que também tenha gostado de ouvir a obra de J Domingos de Bomtempo :)

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  2. Dos poetas, primazia
    A esse grande poeta
    De uma arte seleta
    Em que a sua poesia
    Foi luz que ainda alumia
    Dias de artes modernas
    Sem ter cabeça nem pernas
    Ou sem pé e nem cabeça.
    É justo que ele mereça
    Nossas gratidões eternas.

    Viva Luiz de Camões, cujo nome, às vezes, é vilipendiado por prêmio em seu nome ser atribuído ao quem jamais fez sentido. Parabéns por tão bela postagem! Abraço fraterno. Laerte.

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    1. O seu comentário sempre muito delicioso, Laerte
      obrigada pelo dedicatória a Camões!
      espero que tenha gostado da obra de João Domingos Bomtempo:)

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  3. Boa tardinha de Domingo, querida amiga Ângela!
    ... do bem, se algum houve, as saudades.

    Camões cantava sentimentos com experiência e intensidade. Gosto muito, impossível ser diferente com o poeta expoente da literatura portuguesa.
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Beijinhos carinhosos e fraternos

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    1. Olá Rosélia
      muito obrigada pela visita, espero que também o Requiem à memória de Camões, do compositor português J Domingos Bomtempo tenha agradado :)
      beijinhos

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  4. O que os tempos e as vontades mudaram por aqui!!!!
    Boa semana

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  5. Muito interessante este post.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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  6. Olá, Ângela!

    E o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades é já 5ª feira próxima. Escolheste bem a proximidade do acontecimento para o teu post.

    Luís de Camões foi o maior poeta/escritor português e o soneto que tu escolheste é muito conhecido e querido. De facto, todo o mundo é composto de mudança, embora a narrada no soneto fosse de outro género, umas vezes voluntariamente, outras não, como foi o caso da Pandemia que alastrou por todo o mundo. Tivemos que mudar todos, sem dúvida.

    Não sabia quem era João Domingos Bomtempo, mas agora fiquei a saber que foi um pianista clássico. Escutei alguns minutos do vídeo e não todo, pke dura quase 1h.

    Beijos e boa semana.

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    1. Ai Céu, será que alguém um dia irá fazer sonetos sobre a pandemia?! esperemos que sim
      quererá dizer que passou... e que ficámos de novo com a liberdade
      Olha só para referir que João Domingos Bomtempo foi essencialmente um grande compositor português (Lisboa, 28 de dezembro de 1775 – Lisboa, 18 de agosto de 1842)
      A obra à memória de Luís de Camões (um requiem) é dele, gostei muito

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    2. Tenho a certeza que sim, pke há sempre historiadores e gente que gosta de registar acontecimentos e estes foram a nível mundial.
      Não sei se o mundo volta a ser o mesmo ou não, mas levaremos mto tempo a acertar o passo, acho eu.

      Qdo quiseres passa pelo meu blogue, porque há novo post. Obrigada!

      Beijos e que o Universo conspire a nosso favor.

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  7. Camões é para nunca esquecer. Que bom encontrá-lo aqui.
    Uma boa semana com muita saúde.
    Um beijo.

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    1. Camões escreveu tantos poemas, que difícil é a escolha
      para publicar um deles, sem pensar que talvez fosse melhor o outro:)

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  8. Eu sei que foi na guerra contra os Mouros
    que Camões perdeu a visão do olho direito,
    mas fica aqui uma dúvida, teria sido a
    guerra mesmo ou foi a PM do Recife e suas
    balas de borracha que cegaram o poeta?
    (risos)
    Beijos e beijos, muitos.

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    1. O Silvioafonso deve referir-se a esta notícia?!:

      "Publicado às 22h55 de 03/06/2021 -
      Recife - Foi identificado e afastado de suas funções o policial militar que efetuou o disparo de bala de borracha que atingiu o olho do arrumador de contêiner Jonas Correia de França, de 29 anos, durante a manifestação contra o governo no Centro do Recife no último sábado..."

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  9. Boa tarde. Aqui no Brasil temos o: https://viagenspelobrasilerio.blogspot.com/2021/04/real-gabinete-portugues-de-leitura.html?m=0

    Que Camões faz parte.

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  10. A proveitei a oportunidade de ser o seguidor número 81 do seu maravilhoso e excelente trabalho de qualidade.

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    1. Muito obrigada pelas simpáticas palavras, Luiz
      gosto muito do trabalho dos poetas,
      li há muito tempo, que depois do alimento, o que mais falta faz aos homens e às mulheres, é a arte :)
      Então na medida do possível, tento partilhar o que vou descobrindo!
      Este é o blogue principal
      https://portugalredecouvertes.blogspot.com/
      abraço

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  11. Um soneto marcante de Camões, que foi cantado, e bem, por José Mário Branco.
    Continuação de boa semana, amiga Ângela.
    Beijo.

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    1. Tive curiosidade Jaime!
      e fui procurar:
      https://www.youtube.com/watch?v=Xc_fMCp36mI

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  12. Ce commentaire a été supprimé par l'auteur.

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