Pausa deste blog

lundi 29 avril 2019

Zeca Afonso - "Balada de Outono / Ballade d'automne"



Feliz dia a todos e a todas! Aqui estou, respondendo ao convite, e poetizando Abril com a Prof.ª Lourdes Duarte.

Je vous invite aujourd'hui à écouter deux poèmes chantés par l'artiste engagé José Afonso (Zeca Afonso), qui, déjà avant la révolution de 1974, chantait la vie de ceux qui étaient avides de liberté dans le Portugal opprimé par le régime de la dictature.


José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (ZECA AFONSO) 
Aveiro, 2 de agosto de 1929 — Setúbal, 23 de fevereiro de 1987)
foi um poeta, cantor e compositor português, empenhado na luta pela liberdade e pela democracia.
José Afonso - José Afonso - Balada de Outono (ao vivo no Coliseu) 
Publié par José Eduardo Madeira Celeiro Diniz Rebelo Publicado a 14/06/2008  
O último concerto de Zeca Afonso em 29 de Janeiro de 1983, no Coliseu "Balada de Outono"

Balada de Outono / Ballade d'automne

Águas passadas do rio,           Eaux écoulées de la rivière
Meu sono vazio                      Que sommeil rêve vide
Não vão acordar;                   Ne vont pas réveiller;
Águas das fontes calai            Eaux des fontaines taisez-vous
Ó ribeiras chorai                    Oh rivières pleurez
Que eu não volto a cantar.    
Car je ne chanterai plus.

Rios que vão dar ao mar        Rivières qui allez à la mer
Deixem meus olhos secar       Laissez mes yeux sécher
Águas das fontes calai            Eaux des fontaines taisez-vous
Ó ribeiras chorai                    Oh rivières pleurez
Que eu não volto a cantar.    
Car je ne chanterai plus.

Águas das fontes calai            Eaux des fontaines taisez-vous
Ó ribeiras chorai                    Oh rivières pleurez

Que eu não volto a cantar      Car je ne chanterai plus.


Águas das fontes calai            Eaux des fontaines taisez-vous
Ó ribeiras chorai                    Oh rivières pleurez
Que eu não volto a cantar       Car je ne chanterai plus.

Águas do rio correndo            Eaux de la rivières qui coulez
Poentes morrendo                 Soleils couchants qui mourez 
Pràs bandas do mar;              Du côté de la mer;
Águas das fontes calai            Eaux des fontaines taisez-vous
Ó ribeiras chorai                    Oh rivières pleurez
Que eu não volto a cantar.    
Car je ne chanterai plus.

Rios que vão dar ao mar        Rivières qui rejoignez la mer
Deixem meus olhos secar       Laissez mes yeux sécher
Águas das fontes calai           Eaux des fontaines taisez-vous
Ó ribeiras chorai                    Oh rivières pleurez
Que eu não volto a cantar.    
Car je ne chanterai plus.

Águas das fontes calai           Eaux des fontaines taisez-vous
Ó ribeiras chorai                    Oh rivières pleurez
Que eu não volto a cantar      Car je ne chanterai plus.

Zeca Afonso, 1960.
Zeca Afonso-
Os Bravos (musica da liberdade)
publié par João Correia -  Publicado a 21/07/2008 

A imagem escolhida para a 79ª edição do Poetizando e Encantando a 1ª Imagem - Uma linda jovem com olhar saudoso aprecia os campos floridos.
https://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com/2019/04/79-edicao-do-poetizando-e-encantando.html

25-04-1974
Abril vermelho

Eram cravos, meu senhor,
Cravos de Abril em flor!
Eram dias de grandes festejos,
Amor do povo, abraços, beijos,
Que se seguiram à revolução!

A esperança terna se cobria
De contos e mitos da verdade.
Como ave a democracia,
Abriu asas brancas e leves,
Em etéreo esplendor e bondade.

E era forte e imensa a alegria
Que cantava as canções de Abril,
Que desfilava pelas ruas,
De rosto aberto, de punho erguido,
Vestida de louca vaidade!


O esperançoso perfume de Abril,
Também se encontra em botão,
No interior de uma rosa,
Pintada com cores da paixão!



Abril vermelho encantou,
E abriu o meu coração,
Deixou entrar a liberdade,
E o sonho, de que todos teriam pão.


Angela

(image du net)


mardi 23 avril 2019

Dimanche de Paques / Domingo de Pascoa


Participando na 78a Edição do Poetizando e Encantando da nossa querida Prof.ª Lourdes!  

Com a 4ª Imagem- Um jovem de braços abertos em um vasto campo de trigais, como se estivesse agradecendo a Deus. Les traditions du dimanche de Pâques au Portugal sont nombreuses, voici les images d'une procession qui se déroule chaque année sur le fleuve Homem, au Minho (nord du Portugal)
Páscoa em Procissão anual da Páscoa em Fiscal rio Homem - Minho
Publié par José Cardoso - 21/04/2014 

Domingo de Páscoa

Era dia de Páscoa,
e no cortejo onde tanta gente ia,
cantavam-se louvores,
trocavam-se votos e abraços,
espalhavam-se, muitas flores.

Nos passeios, pelas ruas,
a fé e a alegria marcavam o novo dia,
ouvindo o ritmo dos Compassos,
esquecendo o luto e a dor,
do Nosso Senhor dos Passos.

De Cristo se anunciava a ressurreição.
Campainhas tocavam, era a procissão.
Das ruas enfeitadas, bela era a visão,
dos tapetes floridos,
que tapavam o chão!

O ar inteiro se perfumava
com aromas de rosmaninho.
Os cânticos dos fiéis entoavam,
as cruzes adornadas repousavam,
em brancos panos de linho.

Era Domingo de Páscoa:
"Aleluia"! Não foi por magia,
e muito menos por sorte,
mas foi com o amor
que Jesus venceu a morte!

Angela


O Compasso Pascal é uma tradição cristã que consiste na visita casa a casa de uma paróquia (daqueles que a queiram receber) do Crucifixo de Cristo no dia de Páscoa para celebrar a sua Ressurreição.
La visite Pascale : une tradition qui se perpétue dans le nord du Portugal. Le "Compasso", un groupe de personnes vêtues d'habits traditionnels, accompagnées d'un prêtre, vont de porte en porte présenter la croix aux habitants du village ou du quartier qui le souhaitent, et où ils rendent hommage au Christ ressuscité.
La procession du dimanche de Pâques, à São Brás de Alportel en Algarve, se passe ainsi:
Reportagem |
Reportagem FESTA DAS TOCHAS FLORIDAS 2018
Publié par Município de São Brás de Alportel - Algarve, Publicado a 09/04/2018 
São Brás de Alportel viveu mais um Domingo de Páscoa intensamente com a Festa das Tochas Floridas, que atraiu ao coração do Algarve milhares de visitantes, entre turistas nacionais e estrangeiros. 

samedi 13 avril 2019

Fernando Pessoa - "Quando vier a Primavera / lorsque viendra le printemps"


Fernando Pessoa est un écrivain, critique, poète, majeur de la langue portugaise. Né le 13 juin à Lisbonne, ville où il meurt le 30 novembre 1935.
Une partie de son enfance a été vécue à Durgan, en Afrique du Sud, où son beau-père était diplomate portugais.




Fernando Pessoa a crée une oeuvre poétique sous une multitude de pseudonymes qu’il appelait ses  <<hétéronymes » (ses doubles) et chacun correspondait à une personnalité différente. En plus de son propre nom, il y a eu :
· Alberto Caeiro, qui incarne la nature et la sagesse païenne;
· Ricardo Reis, l'épicurisme à la manière d'Horace;
· Alvaro de Campos, le « modernisme » et la désillusion;
· Bernardo Soares, modeste employé de bureau à la vie insignifiante s'il n'était l'auteur du Livre de l'intranquillité
· et alii (au moins soixante-douze en incluant les simples pseudonymes et semi-hétéronymes). Wikipedia
Voici un poème publié sous le nom du pseudonyme Alberto Caeiro

Quando vier a Primavera 

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;

E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

7-11-1915- “Poemas Inconjuntos”. 
In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa
[Quando vier 
Quando vier a primavera,], Alberto Caeiro - Pedro Lamares
Publié par : RTP - Publicado a 17/06/2011
"Um Poema por Semana" é uma ideia de Paula Moura Pinheiro. São 15 poemas em 75 dias, ditos por 75 pessoas. www.rtp.pt/umpoemaporsemana; www.facebook.com/rtpdois; Poema [Quando vier a primavera,], Alberto Caeiro 
L'acteur Pedro Lamares, a été invité pour réciter le poème de Fernando Pessoa, publication de la TV portugaise.
Et voici ma traduction d'amateur :
Lorsque viendra le printemps,
si je suis déjà mort,
les fleurs s'épanouiront de la même manière
et les arbres ne seront pas moins verts qu'au printemps dernier.
La réalité n'a pas besoin de moi.

Je ressents une joie immense
à la pensée que ma mort n'a aucune importance.

Si je savais que demain je mourrais
et que le printemps serait pour après-demain,
je mourrais content, car il serait pour après-demain.
Si c'est là son temps, quand viendra-t-il sinon en son temps ?

J'aime que tout soit réel et que tout soit précis ;

Et j'aime qu'il en soit ainsi, même si je ne l'aimerais pas.
C'est pourquoi, si je meurs maintenant, je meurs content,
parce que tout est réel et que tout est précis.

Vous pouvez prier en latin sur mon cercueil, si vous le désirez.
Si vous le désierz, vous pouvez danser et chanter tout autour.
Je n'ai pas de préférences pour quand je ne pourrais plus avoir de préférences.

Ce qui sera, quand cela sera, c'est cela qui sera ce qui est."
Olá Profª Lourdes, chegando à
77ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO
"É uma brincadeira sem competição, participa-se com o coração e o amor a poesia".
Copiando do seu blogue a 5ª Imagem- uma linda jovem ler sentada debaixo de uma árvore.
Leitura de Primavera

Quando acordo de manhã
e que vejo brilhar a luz do dia,
sinto vontade de amar
a terra, o ar que respiro, a beleza dos campos,
a leveza dos sons,
o brilho turquesa da maresia!

Porque a Primavera chegou
e espalha aromas de rosas, de jasmim,
de flores de laranjeiras
e de alecrim;
tão perfumadas e belas são as flores.

Em beirais antigos e acolhedores,
procuram abrigo
andorinhas de voos agitados e graves;
é tempo de construir os seus ninhos,
tanto se empenham as primorosas aves!

Também procuro o meu refúgio num canto do jardim
e nas páginas de um livro,
deliciando-me com a força das palavras
que primeiro se atropelam,
em citações sábias e amenas.
Depois se modelam,
em guirlandas de rimas, calmas e serenas!

E se leio,
dou graças ao Senhor e também canto,
no silêncio feliz, para longe de mim
afasto o pranto!

Angela 


Minhas fotos de flores de primavera.

dimanche 31 mars 2019

Rui de Noronha - "Por amar-te tanto / Parce que je t'aime tant"


Pour répondre à l'invitation de notre amie Lourdes Duarte, voici les images copiées de son blog,

http://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com/2019/03/75-edicao-do-poetizando-e-encantando.htm


No Poetizando da Prof.ª Lourdes Duarte, escolhi a 1ª Imagem - Uma jovem vestida de vermelho ergue os braços como se estivesse segurando uma estrela no céu.


Filhos das estrelas

Na escuridão de um céu vazio e estrelado,
Os nossos olhos procuram mapas de caminhos,
Buscam adivinhanças no infinito gelado,
Como se de um mundo familiar se tratasse!

Ei-los a desenhar constelações,
Onde sonhos e promessas de amor
Iluminam os céus negros e tristes,
Despovoados de magia e de cor.

Diz-se sermos filhos das estrelas,
E por elas somos guiados nos mares,
Oriundos de nebulosas e galáxias,
Átomos de poeiras estelares.

Poderão, na cauda de luminosos cometas,
Viajar rastos das nossas memórias?
Odisseias das nossas origens,
Sem consciência, sem registo, e sem glórias?

Mas é na terra que tudo se aglutina,
E dá corpo ao minucioso processo,
E que a mente tanto se dilata,
Que nos cremos donos do universo!

Angela




"Já descoberto tínhamos diante,
Lá no novo Hemispério, nova estrela,
Não vista de outra gente, que, ignorante,
Alguns tempos esteve incerta dela.
Vimos a parte menos rutilante
E, por falta de estrelas, menos bela,
Do Pólo fixo, onde inda não se sabe
Que outra terra comece ou mar acabe.
Canto V, 14 - em Os Lusíadas (Luís de Camões)
- refere a descoberta do Cruzeiro do Sul
http://vintage.portaldoastronomo.org/tema_pag.php?id=31&pag=4 



Je termine avec ce paragraphe en hommage à un poète du Mozambique, un pays qui ces derniers temps pleure ses morts suite à la tragédie du cyclone Idai et de ses conséquences au Zimbabawe et surtout au Mozambique.
La ville de Beira, particulièrement touchée par la tragédie, a vu ses infrastructures détruites par les les pluies torrentielles et par les inondations.




Le Portugal participe activement aux plans d'urgence en envoyant toutes sortes de marchandises et des professionnels pour aider les populations en détresse.
Portugal participa ativamente em planos de emergência, enviando todo o tipo de bens e profissionais para ajudar pessoas em situação de desespero e grandes dificuldades.
António Rui de Noronha foi um poeta moçambicano, sendo considerado o precursor da poesia moderna moçambicana. Wikipedia
Nascimento: 29 de outubro de 1909, na então Lourenço Marques, atual Maputo, Moçambique
Falecimento: 25 de dezembro de 1943, Maputo, Moçambique

Por amar-te tanto

Que culpa terei eu de amar-te assim?
Que culpa terás tu de o não saberes?
Quem adivinha o que se passa em mim?
Como hei de adivinhar o que tu queres?

Oh! Corações secretos de mulheres!
Oh! Minhas ilusões, mágoas sem fim!
Porque hei de eu ter só mágoas, não prazeres,
por tanto te querer, doce jasmim?

Tudo, que sob a luz do sol existe,
alegre é num momento e noutro triste,
só eu herdei apenas dor e pranto...

O mais humilde verme, que rasteja,
um outro tem, que o ama, afaga e beija
- e eu nada tenho por amar-te tanto…

Rui de Noronha

En 1975 le Mozambique accède à son indépendance, après avoir été une colonie portugaise pendant plusieurs siècles (Vasco da Gama y avait établi des comptoirs comerciaux).
La ville de Beira est aussi dans le coeur des portugais. Voici des images anciennes:
Cidade da Cidade da Beira Moçambique 
Publié par TopSecretPt 
Em 1975, Moçambique tornou-se independente, tendo sido uma colónia portuguesa durante vários séculos (Vasco da Gama estabeleceu feitorias no século XV).
A cidade da Beira também está no coração dos portugueses. No vídeo algumas imagens antigas.

samedi 23 mars 2019

Mísia chante "Tive um coração, perdi-o / J'ai eu un coeur, je l'ai perdu"



Poetizando com os amigos e amigas na 74ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO, a quem agradeço o carinho que têm demonstrado, e a quem desejo muitas felicidades :)
Copiada do blogue da Prof. Lourdes Duarte, a 5ª Imagem- uma jovem banha-se nas águas do mar muitas rosas espalhadas na água.
Post ilustrado com algumas fotos minhas tiradas em rios do norte de Portugal


Abraço a água


Tão bela por baixo das pontes,
Frescura que desce dos montes,
Borbulhar que alimenta as fontes,
A água  que muda os caminhos,
Do seu primoroso divagar.

Deslizando por seixos macios,
É ouvi-la cantar pelas pedras,
Histórias de marinheiros,
Refúgios de aventureiros,
Gotinhas muito juntinhas na sua voz acetinada.

Criam-se rendas de espuma a brilhar
Que se espraiam prazerosas,
Transportando brancas rosas, nos braços de um longo mar,
De costas voltadas à sede,
Em jardins de encantar. 

Aromas de areia molhada
Vão-nos chegando, até que um dia..
A água se enfurece em agonia,
São maus tratos em demasia.

Abraço a água,
Que não é tua, não é minha, nem de ninguém,
Águas que lavam as mágoas,
A água, que só Deus tem!

Angela

Clip realizado por Maria de Medeiros, Mísia canta "Tive um coração, perdi-o" de Amália Rodrigues, no castelo de Almourol (região centro de Portugal).

Tive um coração, perdi-o.
Ai, quem mo dera encontrar!
Tive um coração, perdi-o.
Ai, quem mo dera encontrar!
Preso no fundo do rio
Ou afogado no mar.
Preso no fundo do rio
Ou afogado no mar.

Quem me dera ir embora,
Ir embora sem voltar!
Quem me dera ir embora,
Ir embora sem voltar!
A morte que me namora
Já me pode vir buscar.
A morte que me namora
Já me pode vir buscar.

Tive um coração, perdi-o.
Ai, inda o vou encontrar!
Tive um coração, perdi-o.
Ai, inda o hei de encontrar!
Preso no lodo do rio
Ou afogado no mar.
Preso no lodo do rio
ou afogado no mar.

Compositores: Letra, Amália Rodrigues; Música, José Fontes Rocha

Ce poème était au départ chanté par Amália Rodrigues qui l'a composé. Depuis il y a eu plusieurs interprètes, parmi lesquels la chanteuse portuguese Mísia.
Je fais ici une rapide traduction d'amateur!

J'ai eu un coeur, je l'ai perdu.
Oh, j'aimerais le retrouver!
J'ai eu un coeur, je l'ai perdu.
Oh, j'aimerais le retrouver!
Coincé au fond de la rivière
Ou dans la mer noyé.
Coincé au fond de la rivière
Ou dans la mer noyé.

J'aimerais pouvoir partir,
Partir et sans revenir!
J'aimerais pouvoir partir,
Partir et sans revenir!
La mort qui me courtise,
Peut maintenant m'emporter.
La mort qui me courtise,
Peut maintenant m'emporter.

J'ai eu un coeur, je l'ai perdu.
Oh, un jour je le retrouverai!
J'ai eu un coeur, je l'ai perdu.
Oh, un jour je dois le retrouver!
Coincé dans la boue de la rivière
Ou dans la mer noyé.
Coincé dans la boue de la rivière

ou dans la mer noyé.

Aqui deixo a minha participação nesta edição, com muito gosto por ter participado, e agradecendo o convite da Prof.ª Lourdes !

mercredi 20 mars 2019

Eugénio de Andrade - "Em louvor das crianças / Louange aux enfants"




Eugénio de Andrade (1923-2005), poeta português (imagem da net)



"Em Louvor das Crianças" texte poétique, écrit par le poète portugais Eugénio de Andrade, dans «Rosto precário»

Em Louvor das Crianças

Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso. A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue.

O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.

Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário'



voici  ma traduction d'amateur, de ce texte poétique:
Louange aux enfants

S'il y a sur la terre un royaume que nous est familier mais en même temps étrange, fermé dans ses limites et, simultanément, sans frontières, ce royaume est celui de l'enfance. Dans ce pays innocent, d’où on est toujours expulsé trop tôt, on y revient seulement à des moments privilégies – ces retours que parfois on appelle poésie. Cette espèce de terre mythique est habitée par des êtres d’une si grande beauté qu’ils ont servi de modèle aux anges, et c’est aux enfants, comme tous savent par les Évangiles, que le paradis a été promis.
Le charme des enfants vient, surtout, de leur proximité avec les animaux – leur rapport avec le monde n’est pas basé sur l’utilité, mas sur le plaisir. Ils ne connaissent pas encore les deux grands ennemis de l’âme, qui sont, comme disait Saint-Exupéry, l’argent et la vanité. Ces créatures fragiles, les seules dès l’origine promises à l’immortalité, sont aussi les plus vulnérables – elles ont la poitrine ouverte aux merveilles du monde, mais sans défense contre la bestialité des hommes, qui, malgré toute la technologie avancée, ne diminue ni disparaît.
La souffrance d’un enfant est d’un ordre si monstrueux qu’il est souvent utilisé comme argument pour mettre en doute l’existence de la bonté divine. Non, il n’y a pas de salut pour celui qui fait souffrir un enfant, que cela reste à jamais gravé dans vos esprits.
Le simple fait que nous permettions que des millions d’enfants souffrent de la faim, et arrosent de leur larmes la terre où, un jour, il leur faudra encore lutter pour la justice et pour la liberté, prouve clairement que nous ne sommes pas fils de Dieu.


A publicação deste texto tem por finalidade mostrar a minha admiração pela obra de Eugénio de Andrade e uma maneira de divulgar o seu trabalho. O texto será retirado se a publicação do mesmo se reverlar inconveniente.

Chegando ao convite da Prof. Lourdes Duarte na sua 73ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO! 
Copiei do seu blogue, a 5ª Imagem- Uma linda menina, vestida como uma princesa, deitada ao lado de rosas com ar de felicidade.
https://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com/2019/03/73-edicao-do-poetizando-e-encantando.html
"É uma brincadeira sem competição, participa-se com o coração e o amor a poesia."
Menina

Menina de sorriso de prata,
Nascida em bercinho de ouro,
Seus pais dão graças aos céus,
Por tão inestimável tesouro!

Como num futuro em botão,
Vejo o rosto de uma criança,
Como rosas que se semeiam,
Num muro verde de esperança!
Angela

Eurovision 
Eurovision Portugal 1971- Tonicha - Menina do Alto da Serra Publié par Eurovision Portugal -  Publicado a 21/01/2010 
"Menina do Alto da Serra" (Contry Girl), also known simply as "Meninal" (Girl) was the portuguese entry in the Eurovision Song Contest 1971, performed in Portuguese by Tonicha. 

Menina do alto da serra 

Menina de olhar sereno raiando pela manhã
De seio duro e pequeno num coletinho de lã
Menina cheirando a feno casado com hortelã
Menina cheirando a feno casado com hortelã

Menina que no caminho vais pisando formosura
Trazes nos olhos um ninho todo em penas de ternura
Menina de andar de linho com um ribeiro à cintura
Menina de andar de linho com um ribeiro à cintura

Menina de saia aos folhos, quem a vê fica lavado
Água da sede dos olhos, pão que não foi amassado
Menina de riso aos molhos, minha seiva de pinheiro
Menina de saia aos folhos, alfazema sem canteiro

Menina de corpo inteiro com tranças de madrugada
Que se levanta primeiro do que a terra alvoroçada
Menina de corpo inteiro com tranças de madrugada
Menina de corpo inteiro com tranças de madrugada

Menina de saia aos folhos, quem na vê fica lavado
Água da sede dos olhos, pão que não foi amassado
Menina de fato novo, Avé Maria da terra
Rosa brava, rosa povo, brisa do alto da serra 

Rosa brava, rosa povo, brisa do alto da serra

Rosa brava, rosa povo, brisa do alto da serra

Rosa brava, rosa povo, brisa do alto da serra!

A letra da canção é de Ary dos Santos
A música é de Nuno Nazareth Fernandes

Para recordar: a "Menina do Alto da Serra", também conhecida apenas por "Menina" foi a canção que representou Portugal no Festival Eurovisão da Canção 1971, interpretada por Tonicha.