Accompagnons les flâneries de poètes de langue portugaise, les compositions de rimes, les pensées inquiètes ou riantes, de Fernando Pessoa, Luis de Camões, Florbela Espanca, António Nobre, Avelina Noronha, Manuel Fonseca... (o tradutor à direita da página poderá contribuir para uma melhor compreensão dos textos. Obrigada)
Pausa deste blog
samedi 25 septembre 2021
Gabriel Fernandes da Trindade: DUETO CONCERTANTE
samedi 11 septembre 2021
O Hino da Independência do Brasil - 1822
No vídeo do Youtube, encontramos a seguinte explicação:
Já podeis, da Pátria filhos, Vous pouvez, fils de la Patrie,
Ver contente a mãe gentil; Voir heureuse la mère gentil;
Já raiou a liberdade La liberté rayonne déjà
No horizonte do Brasil. À l'horizon du Brésil
Longe vá, temor servil: Loin s'en va, la peur servile:
Ou ficar a pátria livre, Ou avoir la patrie libre,
Ou morrer pelo Brasil. Ou mourir pour le Bresil.
Da perfídia astuto ardil, De la finaude et astucieuse rouerie,
Houve mão mais poderosa: Il y eut main plus puissante:
Zombou deles o Brasil. D'elles se moqua le Brésil.
Longe vá, temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
São muralhas do Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá, temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
Parabéns, ó brasileiro,
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.
Resplandece a do Brasil.
Brava gente brasileira!
Longe vá, temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
jeudi 19 août 2021
Alda do Espírito Santo - Em redor da minha baía / autour de ma baie
Em Torno da Minha Baía
Aqui, na areia,
Sentada à beira do cais da minha baía
do cais simbólico, dos fardos,
das malas e da chuva
caindo em torrente
sobre o cais desmantelado,
caindo em ruínas
eu queria ver à volta de mim,
nesta hora morna do entardecer
no mormaço tropical
desta terra de África
à beira do cais a desfazer-se em ruínas,
abrigados por um toldo movediço
uma legião de cabecinhas pequenas,
à roda de mim,
num voo magistral em torno do mundo
desenhando na areia
a senda de todos os destinos
pintando na grande tela da vida
uma história bela
para os homens de todas as terras
ciciando em coro, canções melodiosas
numa toada universal
num cortejo gigante de humana poesia
na mais bela de todas as lições
Autour de ma baie
Assise au bord du quai de ma baie
du cais symbolique, des fardeaux,
des malles et de la pluie
qui tombe à torrents
sur le quais démantelé,
tombant en ruines
je voudrais voir autour de moi,
en ces heures chaudes du couchant
dans la tiédeur tropicale
de cette terre d'Afrique
au bord du quai qui s'effondre en ruines,
abrités par un auvent mobile
une legion de petites têtes,
autour de moi,
dans un vol magistral autour du monde
dessinant dans le sable
le sentier de toutes les destinées
en peignant sur la grande toile de la vie
une belle histoire
pour les hommes de tous les pays
murmurant en coeur, des chansons mélodieuses
dans un air universel
dans un cortège gigantesque de poésie humaine
dans la plus belle de toutes les lessons:
HUMANITÉ
lundi 2 août 2021
Álvares de Azevedo - "Meu desejo / Mon Désir
Meu Desejo
Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta:
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta….
Meu desejo? era ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra….
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra….
Meu desejo? era ser o cortinado
Que não conta os mistérios do teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.
Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escumilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!
Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro….
Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de langor!
Que ta douce petite main serre:
Le camélia qui se fane sur ton sein,
L'ange que de te voir le ciel déserte….
Mon désir? serait d'être le soulier
Qui au bal, ton joli petit pied enserre….
L'espoir dans le futur dont tu rêves,
La nostalgie que tu as ici sur la terre….
Mon désir? serait d'être ce rideau
Qui ne raconte pas les mystères de ton lit;
D'être de ton collier de soie noire
La croix sur ta poitrine lorsque tu es endormie.
Mon désir ? serait d'être le miroir
Qui te voit la plus belle lorsque tu défais
Du bal les vêtements d'organdi et de fleurs
Et qui en amoureux regarde tes nus attraits !
Mon désir ? serait d'être de ton lit
Le drap de fine toile, et le coussin
Avec lequel tu recouvres le sein, où tu reposes,
Les cheveux dénoués, le visage séduisant….
Mon désir? serait d'être la voix de la terre
Que de l'étoile du ciel puisse entendre l'amour!
Être l'amant dont tu rêves, celui que tu désires
Dans tes rêveries enchantées de langueur!
dimanche 18 juillet 2021
António Feijó - "O Amor e o Tempo / l'Amour et le Temps"
O AMOR E
O TEMPO
Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre
companhia,
O Amor, o Tempo, a minha
Amada
E eu subíamos um dia.
Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de
cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.
– «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que
tão ligeira
Não pode com certeza
caminhar
A minha doce companheira!»
Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao
vento…
– «Por que voais assim tão
apressados?
Onde vos dirigis?» – Nesse
momento,
Volta-se o Amor e diz com azedume:
– «Tende paciência, amigos
meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo… Adeus!
Adeus!»
António Feijó
Par la montagne escarpée
Tous les quatre en joyeux entour,
L'Amour, le Temps, ma Bien-Aimée
Et moi, nous montions un jour.
De ma Bien-Aimée sur le doux semblant
Des signes de fatigue il y avait déjà;
L'amour de vitesse nous gagnant
Et le temps qui accélérait le pas.
- "Amour! Amour! Plus doucement!
Ne cours pas tant, car de si légère
Elle ne peut sans doute pas marcher
Ma douce compagnière!»
Soudain, l'Amour et le Temps, combinés,
Déploient leurs ailes tremblantes dans le vent...
– « Pourquoi volez-vous si pressés ?
Où vous dirigez-vous?" - À ce moment,
L'amour se retourne et dit avec amertume :
– « Soyez patients, mes amis !
J'ai toujours eu cette coutume
De avec le Temps m'enfuir… Adieu ! Adieu!"
samedi 19 juin 2021
Baltasar Lopes da Silva / Osvaldo Alcântara
Sa production est imposante et diversifiée, touchant aussi bien le roman que la poésie, les essais, les articles de fonds...
MAR
És estrela e única vida.
Vida que sobe das esquinas ocultas
no mar sem águas, no mar
com águas sem sal que vêm a diluir-se
lá do fundo das distâncias mágicas!
Vida para quê?
Ó distância da vida pouco e pouco escoando-se.
Mistério do caminho cada vez mais certo?
E as auroras que eu via
e nelas me alava para as viagens futuras!
Mas não esta viagem em limite,
de passadas mutiladas.
Mar, tu és o que fica.
Osvaldo Alcântara
La mer - ma traduction d'amateur
Tu es l'étoile et la seule vie.
La vie qui surgit des encoignures cachées
de la mer sans eau, de la mer
avec des eaux non salées qui viennent en se diluant
dans les profondeurs des distances magiques !
La vie pour quoi faire ?
Oh distance de la vie qui s'éloigne peu à peu.
Mystère du chemin de plus en plus infaillible?
Et les aurores que je voyais
et en elles je trouvais les ailes pour les futurs voyages !
Mais pas ce voyage circonscrit,
samedi 5 juin 2021
Luís de Camões - "Mudam-se os tempos, Mudam-se as vontades / Les temps changent et les désirs aussi"
Mudam-se os tempos, Mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões
Les temps changent et les désirs aussi
Les temps changent et les
désirs aussi,
Et l’être change et la confiance également;
Tout l’univers est fait de changement,
Prenant toujours des qualités rajeunies.
Sans cesse nous voyons des
nouveautés
En tout différentes de notre attente ;
Des maux, le souvenir garde la tourmente,
Et des plaisirs, s’il y en eut, l'amer regret.
Le temps couvre le sol d’un vert caban,
Après l’avoir couvert de neige gelée,
Et enfin il transforme en pleurs le tendre chant.
Et en plus de ce changement journalier,
En changeant ainsi plus encore il nous surprend,
Car il ne change plus comme jadis il le faisait.










