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vendredi 27 janvier 2023

Eugénio de Andrade - Como se houvesse uma tempestade / Comme s'il y avait une tempête


Eugénio de Andrade, poète portugais (1923 - 2005

Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas Neto foi um dos maiores poetas portugueses contemporâneos.
Nascimento: 19 de janeiro de 1923, Fundão (região centro)
Falecimento: 13 de junho de 2005, Porto  (cidade do norte)

Em 19 de Janeiro de 2023, celebram-se os 100 anos do nascimento de Eugénio de Andrade (1923-2005)

Como se houvesse uma tempestade

(Eugénio de Andrade)

Como se houvesse uma tempestade 
escurecendo os teus cabelos, 
ou, se preferes, minha boca nos teus olhos 
carregada de flor e dos teus dedos; 

como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti, 
eu falei em neve, e tu calavas 
a voz onde contigo me perdi. 

Como se a noite viesse e te levasse, 
eu era só fome o que sentia; 
digo-te adeus, como se não voltasse 
ao país onde teu corpo principia. 

Como se houvesse nuvens sobre nuvens 
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou, se preferes, a tua boca clara 
singrando largamente no meu peito.

Avec ma traduction d'amateur

Comme s'il y avait une tempête 
qui noircissait tes cheveux , 
ou, si tu préfères, ma bouche sur tes yeux
chargée de fleurs et de tes doigts; 

comme s'il y avait un enfant aveugle
aux sursauts dans ton coeur, 
je parlais de la neige, et toi tu taisais  
la voix où je me suis perdu avec toi. 

Comme si la nuit venait et t'emportait, 
c'était juste la faim que je ressentais; 
je te dis adieu, commme si je ne revenais pas
au pays où ton corps commence. 

Comme s'il y avait des nuages sur les nuages 
et au-dessus des nuages la mer parfaite,
ou, si tu préfères, ta bouche claire 
qui sur ma poitrine navigue grandement.


image du net



mercredi 20 mars 2019

Eugénio de Andrade - "Em louvor das crianças / Louange aux enfants"




Eugénio de Andrade (1923-2005), poeta português (imagem da net)



"Em Louvor das Crianças" texte poétique, écrit par le poète portugais Eugénio de Andrade, dans «Rosto precário»

Em Louvor das Crianças

Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso. A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue.

O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.

Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário'



voici  ma traduction d'amateur, de ce texte poétique:
Louange aux enfants

S'il y a sur la terre un royaume que nous est familier mais en même temps étrange, fermé dans ses limites et, simultanément, sans frontières, ce royaume est celui de l'enfance. Dans ce pays innocent, d’où on est toujours expulsé trop tôt, on y revient seulement à des moments privilégies – ces retours que parfois on appelle poésie. Cette espèce de terre mythique est habitée par des êtres d’une si grande beauté qu’ils ont servi de modèle aux anges, et c’est aux enfants, comme tous savent par les Évangiles, que le paradis a été promis.
Le charme des enfants vient, surtout, de leur proximité avec les animaux – leur rapport avec le monde n’est pas basé sur l’utilité, mas sur le plaisir. Ils ne connaissent pas encore les deux grands ennemis de l’âme, qui sont, comme disait Saint-Exupéry, l’argent et la vanité. Ces créatures fragiles, les seules dès l’origine promises à l’immortalité, sont aussi les plus vulnérables – elles ont la poitrine ouverte aux merveilles du monde, mais sans défense contre la bestialité des hommes, qui, malgré toute la technologie avancée, ne diminue ni disparaît.
La souffrance d’un enfant est d’un ordre si monstrueux qu’il est souvent utilisé comme argument pour mettre en doute l’existence de la bonté divine. Non, il n’y a pas de salut pour celui qui fait souffrir un enfant, que cela reste à jamais gravé dans vos esprits.
Le simple fait que nous permettions que des millions d’enfants souffrent de la faim, et arrosent de leur larmes la terre où, un jour, il leur faudra encore lutter pour la justice et pour la liberté, prouve clairement que nous ne sommes pas fils de Dieu.


A publicação deste texto tem por finalidade mostrar a minha admiração pela obra de Eugénio de Andrade e uma maneira de divulgar o seu trabalho. O texto será retirado se a publicação do mesmo se reverlar inconveniente.

Chegando ao convite da Prof. Lourdes Duarte na sua 73ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO! 
Copiei do seu blogue, a 5ª Imagem- Uma linda menina, vestida como uma princesa, deitada ao lado de rosas com ar de felicidade.
https://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com/2019/03/73-edicao-do-poetizando-e-encantando.html
"É uma brincadeira sem competição, participa-se com o coração e o amor a poesia."
Menina

Menina de sorriso de prata,
Nascida em bercinho de ouro,
Seus pais dão graças aos céus,
Por tão inestimável tesouro!

Como num futuro em botão,
Vejo o rosto de uma criança,
Como rosas que se semeiam,
Num muro verde de esperança!
Angela

Eurovision 
Eurovision Portugal 1971- Tonicha - Menina do Alto da Serra Publié par Eurovision Portugal -  Publicado a 21/01/2010 
"Menina do Alto da Serra" (Contry Girl), also known simply as "Meninal" (Girl) was the portuguese entry in the Eurovision Song Contest 1971, performed in Portuguese by Tonicha. 

Menina do alto da serra 

Menina de olhar sereno raiando pela manhã
De seio duro e pequeno num coletinho de lã
Menina cheirando a feno casado com hortelã
Menina cheirando a feno casado com hortelã

Menina que no caminho vais pisando formosura
Trazes nos olhos um ninho todo em penas de ternura
Menina de andar de linho com um ribeiro à cintura
Menina de andar de linho com um ribeiro à cintura

Menina de saia aos folhos, quem a vê fica lavado
Água da sede dos olhos, pão que não foi amassado
Menina de riso aos molhos, minha seiva de pinheiro
Menina de saia aos folhos, alfazema sem canteiro

Menina de corpo inteiro com tranças de madrugada
Que se levanta primeiro do que a terra alvoroçada
Menina de corpo inteiro com tranças de madrugada
Menina de corpo inteiro com tranças de madrugada

Menina de saia aos folhos, quem na vê fica lavado
Água da sede dos olhos, pão que não foi amassado
Menina de fato novo, Avé Maria da terra
Rosa brava, rosa povo, brisa do alto da serra 

Rosa brava, rosa povo, brisa do alto da serra

Rosa brava, rosa povo, brisa do alto da serra

Rosa brava, rosa povo, brisa do alto da serra!

A letra da canção é de Ary dos Santos
A música é de Nuno Nazareth Fernandes

Para recordar: a "Menina do Alto da Serra", também conhecida apenas por "Menina" foi a canção que representou Portugal no Festival Eurovisão da Canção 1971, interpretada por Tonicha.