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mardi 12 octobre 2021

Maria da Saudade Cortesão - "Primavera / Printemps"

Maria da Saudade Cortesão, poétesse née en 1938 à Porto, ville du nord du Portugal; la jeune fille a accompagné son père au Brésil, où elle a connu et épousé Murilo Mendes.

image du net

Maria da Saudade Cortesão Mendes 
(Porto, 1938 – Lisboa, 25/11/2010) 
poetisa e tradutora, filha de Jaime Cortesão e esposa do poeta brasileiro Murilo Mendes.
"Filha de Jaime Cortesão, viveu grande parte da vida no estrangeiro acompanhando seu pai no exílio, primeiro em Paris (1927), depois em Madrid e, por fim, no Rio de Janeiro, onde conheceu o poeta Murilo Mendes com quem veio a casar-se em 1947. Entre 1952 e 1956 viajou pela Europa acompanhando o marido em missões culturais ..."

https://www.publico.pt/2010/11/26/culturaipsilon/noticia/morreu-a-poetisa-saudade-cortesao-1468164

Maria da Saudade Cortesão avec son mari Murilo Mendes
(image du net)

image du net

“…Como poeta publicou seis livros; traduziu “Crime na catedral”, de Eliot (além de Shakespeare e Camus), e publicou muita coisa que ainda está dispersa por jornais e revistas portugueses, brasileiros e italianos….”
https://domtotal.com/blogs/carlosavila/476/2015/01/a-musa-de-murilo/

PRIMAVERA - Maria da Saudade Cortesão Mendes

A Musa que passava
Não era a que sabias.
Vinha em lua minguante
A espaços vestida
Por espelhos azuis
E narcisos de frio.

Que remanso tão meigo
Em seus peitos havia!
Que miosótis de leite
Em suas veias tíbias,
Três tangentes tocavam
O seu coração dúbio.

Não lhe soubeste o corpo —
Terra da madrugada
Que se dava ferida,
Nem os seus cursos de água.
Olhavas tão ao longe
Enquanto o amor te olhava.


Avec ma traduction d'amateur (printemps en portugais é du genre féminin) :

PRINTEMPS

La  Muse qui passait
N'était pas celle que tu connaissais. 
Elle arrivait en lune décroissante 
Par intervalles habillée 
Par des miroirs bleus 
Et des jonquilles froides.

Quelle mare si douce
Qu'il y avait dans ses seins!
Quels myosotis laiteux
Dans ses veines vacillantes,
Trois tangentes qui touchaient
Son coeur indécis.

Tu n'as pas connu son corps —
La terre qui à l'aube
S'offrait avec sa blessure,
Ni ses cours d'eau.
Ton regard se perdait si loin
Pendant que l'amour te regardait.



un autre poème trouvé sur le net:

OFÉLIA 

Que perfil perdi no vento
Que rosto perdi na água,
Transparência perturbada,
Íris d’água cor do tempo.

Nunca a figura do sonho
Me pareceu tão velada —
Vejo só a meia-lua
Da sua nuca inclinada.

Edifício d’água e sombra
Que a corrente desmanchava
E em meus cabelos ao sul
As grinaldas desfolhava.

Deixai-me afundar nas frias
Solidões de junco e mágoa,
E de mim própria ausente
Repousar à sombra d’água.


Sobre o pai de Maria da Saudade:
Jaime Zuzarte Cortesão foi um médico, político, escritor e historiador português. Filho do filólogo António Augusto Cortesão, foi irmão do historiador Armando Cortesão e pai da renomeada ecologista Maria Judith Zuzarte Cortesão e da poetisa Maria da Saudade Cortesão, esposa do poeta modernista Murilo Mendes.