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jeudi 5 septembre 2019

Geraldo Bessa Victor - "soneto ao mar africano - sonnet a la mer africaine"



Je vous propose aujourd'hui de lire la traduction d'un poème d'un poète angolais, Geraldo Bessa Victor, né à Luanda en 1917. C'est la traduction que j'ai faite, traduction d'amateur!
Da lusofonia, o poeta, escritor, ensaísta e jornalista angolano Geraldo Bessa Victor nasceu em 1917 em Luanda, e faleceu no ano de 1985, em Lisboa, onde viveu durante a última parte da sua vida.



Soneto ao mar africano 

Ó grande mar, que banhas estas plagas
africanas, em ti ouço recados
dum mundo a outro mundo, nos teus brados
de prantos, risos, orações e pragas!

Na dramática voz das tuas vagas,
escuto os que, nos séculos passados,
choraram nesse canto dos teus fados,
cantaram nesse choro em que te alagas…

Na tua voz eu ouço o branco bravo,
que semeou Portugal nestes recantos
africanos, e ainda o negro escravo

- ao mesmo tempo indómito e servil –
que regou com seu sangue e com seus prantos 

a semente fecunda do Brasil!


Geraldo Bessa Victor

(traduction)
Sonnet à la mer africaine

O grande mer, que baignes ces parages
africaines, en toi j'entends des messages, d'un monde
vers l'autre monde, dans tes cris
de larmes, de rires, de prières, de diableries!

Dans la voix dramatique de tes vagues,
J'écoute ceux, qui au cours des siècles passés,
ont pleuré dans ce lieu de tes destinées,
ont chanté dans ces pleurs où tu t'inondes…

Dans ta voix j'entends le blanc rageur,
qui a semé le Portugal dans ces recoins
Africains, et aussi l'esclave noir

- à la fois indomptable et servile -
qui a arrosé de son sang et de ses larmes
la semence féconde du Brésil!


Geraldo Bessa Victor (image du net)




95ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO
5ª Imagem- Um casal caminha na areia da praia abraçados 
do blogue da Prof.ª Lourdes Duarte.
"...A partir de uma ou mais imagens que indica a cada semana, desenvolve-se a criatividade escrevendo versos, poesias, pensamentos ou prosas poéticas.
É uma brincadeira sem competição, participa-se com o coração e o amor a poesia…"
Obrigada, querida amiga Lourdes, pelo sempre amável convite! Deixo aqui a minha participação:


Areias macias


Areias macias, mar calmo, tudo ilusão.
As musas calaram a tua voz
e a alegria que nos abria os braços,
foi-se embora, e deixou-nos sós.

Vais partir no navio trazido pelas ondas
deste oceano sem fim e sem dor,
e do sal que já me escorre pelo rosto,
a despedida tem o sabor.

É o peso da saudade de que não gosto
que me aperta a alma,
e que não sei como explicar.
Talvez sintas que é maravilhoso
esquecer o brilho da lua,
viajar e não ficar.

Abraço-me a ti, adivinho que a água é fria,
que não me queres contar.
Se te apetece esquecer este abraço
não são velas que se afastam
é a minha vida, o meu traço.

No areal macio que pisamos,
nas estrelas que não vemos,
já sopram os ventos que levam a minha razão.
Vais partir num navio trazido pelo mar,
são movediças as areias no meu coração.

Angela