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vendredi 2 septembre 2022

Antero de Quental - Oceano nox

Antero de Quental


La mer a toujours inspiré les poètes. Les thèmes liés à la mer se retrouvent dans les sentiments de nostalgie et de contemplation.
Le poète est sans cesse attiré et fasciné par les flots, les couleurs et les mouvements de l'océan, et à eux il associe ses inquiétudes et ses émotions du moment.

Antero de Quental, poète portugais, est né le 18 de avril 1842, à l'île São Miguel, archipel des Açores.

Oceano Nox | Poema de Antero de Quental com narração de Mundo Dos Poemas
Publié par Mundo Dos Poemas . 16 sept. 2020

"Poesia e poema de autor português. Antero Tarquínio de Quental (Ponta Delgada, 18 de abril de 1842 – Ponta Delgada, 11 de setembro de 1891) foi um escritor e poeta português do século XIX que teve um papel importante no movimento da Geração de 70.
Um dos mais emblemáticos pensadores do século XIX português, Antero de Quental nasceu de uma família fidalga na ilha de S. Miguel, nos Açores. Em Coimbra estudou Direito e aí tornou-se destacada figura de uma notável geração de intelectuais, tendo ombreado, entre outros, com Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e Oliveira Martins. Autor de uma obra muito diversificada, constituiu-se marco incontornável na literatura portuguesa..."


Oceano nox,   poema de Antero de Quental

Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo do pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente…

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais…



À la fois poètique et romantique, j'ai trouvé que:
"Dans la mythologie romaine, Nox est la déesse de la Nuit, épouse d'Orcus. C'est la forme latinisée de Nyx, déesse grecque personnification de la Nuit."

Le poème, ayant comme toile de fond,  la nuit, la mer, le vent, reflète l'expression des émotions mélancoliques d'Antero de Quental, détresse et inquiétude existentielle, thèmes très chers aux Romantiques.


En rouge, ma traduction d'amateur:

Au bord de la mer, qui élevait gravement
Sa voix tragique et rauque, tandis que le vent
Passait comme un envol de la pensée
Qui cherche et hésite, inquiet et intermittent,

Au bord de la mer je me suis assis tristement,
Tout en regardant le ciel lourd et brumeux,
Et j'ai interrogé, rêveur, cette complainte
Qui sortait des choses, vaguement...

Quel désir anxieux te torture,
Êtres élémentaires, force obscure ?
Autour de quelle idée gravitez-vous ?

Mais dans l'immense extension, où se cache
L'Inconscient immortel,  seul me répond
Un rugissement, une lamentation, et rien de plus…


Praia das Maçãs, do pintor português José Malhoa




jeudi 8 août 2019

Antero de Quental As fadas / les Fees


A convite da Prof.ª Lourdes Duarte e da 91ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO 
imergimos na fantasia e na imaginação do sedutor mundo da infância.




6ª Imagem- Uma criança debaixo de uma árvore bem alta, segurando seu tronco observa sua altura, admirada.



Diz-se que Antero de Quental adotou as duas meninas filhas de um amigo que faleceu ainda jovem. E que terá sido para elas, que ele compôs o poema "As fadas", para lhes dar a conhecer o mundo mágico dos seres encantados que interagem com a natureza. 


Antero de Quental (1842-1891) nasceu em Ponta Delgada, foi um poeta e filósofo português. Foi um verdadeiro líder intelectual do Realismo em Portugal. Dedicou-se à reflexão dos grandes problemas filosóficos e sociais de seu tempo. Contribuiu para a implantação das ideias renovadoras da geração de 1870.

Em 1858, com 16 anos, Antero de Quental ingressou no curso de Direito na Universidade de Coimbra. Tornando-se o líder dos académicos, graças à sua marcante personalidade.

Ainda estudante de Coimbra, Antero de Quental liderou um grupo de estudantes, que repudiava as velhas ideias do Romantismo, causando uma polémica entre a velha e a nova geração de poetas. 
Source:https://www.ebiografia.com/antero_quental/
As fadas

As fadas… eu creio n'ellas!
Umas são moças e bellas,
Outras, velhas de pasmar…
Umas vivem nos rochedos,
Outras, pelos arvoredos,
Outras, á beira do mar...

Algumas em fonte fria
Escondem-se, enquanto é dia,
Saem só ao escurecer…
Outras, debaixo da terra,
Nas grutas verdes da serra,
É que se vão esconder...

O vestir… são taes riquezas,
Que rainhas, nem princesas
Nenhuma assim se vestiu!
Porque as riquezas das fadas
São sabidas, celebradas
Por toda a gente que as viu…

Quando a noite é clara e amena
E a lua vai mais serena,
Qualquer as pode espreitar,
Fazendo roda, ocupadas
Em dobar suas meadas
De ouro e de prata, ao luar.

O luar é os seus amores!
Sentadinhas entre as flores
Horas se ficam sem fim,
Cantando suas cantigas,
Fiando suas estrigas,
Em roca de oiro e marfim.

Eu sei os nomes d'algumas:
Viviana ama as espumas
Das ondas nos areaes,
Vive junto ao mar, sozinha,
Mas costuma ser madrinha
Nos batizados reaes.

Morgana é muito enganosa;
Ás vezes, moça e formosa,
E outras, velha, a rir, a rir…
Ora festiva, ora grave,
E voa como uma ave,
Se a gente lhe quer bulir.

Que direi de Melusina?
De Titania, a pequenina,
Que dorme sobre um jasmim?
De cem outras, cuja gloria
Enche as paginas da historia
Dos reinos de el-rei Merlin?

Umas tem mando nos ares;
Outras, na terra, nos mares;
E todas trazem na mão
Aquella vara famosa,
A vara maravilhosa,
A varinha do condão.

O que ellas querem, n'um pronto,
Fez-se alli! parece um conto…
Mesmo de fadas… eu sei!
São condões que dão á gente,
Ou dinheiro reluzente
Ou joias, que nem um rei!

A mais pobre criancinha
Se quiz ser sua madrinha,
Uma fada… ai, que feliz!
São palácios, n'um momento…
Belleza, que é um portento…
Riqueza, que nem se diz…

Ou então, prendas, talento,
Ciência, discernimento,
Graças, chiste, discrição…
Vê-se o pobre inocentinho
Feito um sábio, um adivinho,
Que aos mais sábios vae á mão!

Mas, com tudo isto, as fadas
São muito desconfiadas;
Quem as vê não hade rir.
Querem ellas que as respeitem,
E não gostam que as espreitem,
Nem se lhes hade mentir.

Quem as ofende… Cautela!
A mais risonha, a mais bella,
Torna-se logo tão má,
Tão cruel, tão vingativa!
É inimiga agressiva,
É serpente que alli está!

E têm vinganças terríveis!
Semeiam cousas horríveis,
Que nascem logo no chão...
Línguas de fogo que estalam!
Sapos com azas, que falam!
Um anão preto! um dragão!

Ou deitam sortes na gente…
O nariz faz-se serpente,
A dar pulos, a crescer…
É-se morcego ou veado…
E anda-se assim encantado,
Enquanto a fada quiser!

Por isso quem por estradas
For, de noite, e vir as fadas
Nos altos mirando o céu,
Deve com jeito falar-lhes
Muito cortês e tirar-lhes
Até ao chão o chapéu.

Porque a fortuna da gente
Está ás vezes somente
N'uma palavra que diz;
Por uma palavra, engraça
Uma fada com quem passa,
E torna-o logo feliz.

Quantas vezes, já deitado,
Mas sem sono, inda acordado,
Me ponho a considerar
Que condão eu pediria,
Se uma fada, um bello dia,
Me quisesse a mim fadar…

O que seria? um tesouro?
Um reino? um vestido de ouro?
Ou um leito de marfim?
Ou um palácio encantado,
Com seu lago prateado
E com pavões no jardim?

Ou podia, se eu quisesse,
Pedir também que me desse
Um condão, para falar
A lingua dos passarinhos,
Que conversam nos seus ninhos…
Ou então, saber voar!

Oh, se esta noite, sonhando,
Alguma fada, engraçando
Comigo (podia ser!)
Me tocasse da varinha,
E fosse minha madrinha
Mesmo a dormir, sem a ver…

E que amanhã acordasse
E me achasse… eu sei? me achasse
Feito um príncipe, um emir!...
Até já, imaginando,
Se estão meus olhos fechando…
Deixa-me já, já dormir!

Antero de Quental


"Les fées" un poème initiatique que le poète portugais Antero de Quental (1842-1891) aurait composé pour ses deux petites filles adoptives (les enfants d'un ami décédé). Le monde enchanté des fées si mystérieux et plein de magie se révèle aux enfants avides de moments magiques.
Dans le texte poètique, le poète donnent des explications sur les comportements des êtres légendaires (les fées) qui savent si bien utiliser leurs pouvoirs mystérieux, et qui s'associent aux éléments naturels et à l'harmonie des lieux; mais par moments ces créatures peuvent aussi paraitre bizarres et agressives!