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dimanche 21 février 2021

Fernando Pessoa - "A última nau - le dernier bateau"


Fernando Pessoa, l'illustre poète portugais (1888-1935), poète universel de par son oeuvre immense
Le poème qui suit, rappelle l'épisode tragique de la mort du jeune roi portugais Sébastien 1er partit combattre les maures.  Disparu lors de la bataille des Trois Rois (Alcácer-Quibir),
ce désastre provoca une grande crise de succession car Sébastien 1er est mort sans laisser d'héritier. Un des candidats au trône fut le puissant roi d'Espagne (petit fils du roi portugais Manuel 1er) qui, prenant le pouvoir à Lisbonne, donna lieu à l'Union Ibérique.
La croyance du peuple portugais basé sur la légende que le roi avait échappé à la mort, fit croître le "sébastianisme" et l'espoir d'un retour du souverain qui devrait revenir "lors d'un matin de brouillard" pour normaliser la situation du pays.


A última nau

Levando a bordo El-Rei D. Sebastião,
E erguendo, como um nome, alto o pendão
Do Império,
Foi-se a última nau, ao sol aziago
Erma, e entre choros de ânsia e de pressago
Mistério.

Não voltou mais. A que ilha indescoberta
Aportou? Voltará da sorte incerta
Que teve?
Deus guarda o corpo e a forma do futuro,
Mas Sua luz projeta-o, sonho escuro
E breve.

Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
Mais a minha alma atlântica se exalta
E entorna,
E em mim, num mar que não tem tempo ou ’spaço,
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.

Não sei a hora, mas sei que há a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a névoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império.

Fernando Pessoa em "Mensagem"



Ma traduction d'amateur:

Le dernier bateau

Emportant à son bord le Roi Dom Sebastião,
Et en hissant, comme un nom, haut, l’étendard
De l'Empire,
Partit le dernier bateau, sous le soleil amère
Errant, parmi les cris d’angoisse et de prophétique
Mystère.

Il n'est pas revenu. 
A quelle île inconnue
A-t-il accosté? Reviendra-t-il du sort incertain
Qu'il a connu?
Dieu se réserve le corps et la forme du futur,
Mais Sa lumière se projecte, rêve sombre
Et court.


Ah, plus l'âme au peuple faiblit,
Plus mon âme atlantique se raffermit
Et se répand,
Et en moi, dans un océan qui n'a ni de temps ni d'espace,
Je vois entre le brouillard ta silhouette blême
Revenant.

Je ne sais pas l’heure, mais je sais qu'il y a l’heure,
Que Dieu la retarde, l’appelle l’âme partante
Mystère
Tu surgis  au soleil en moi, et la brume part:

La même, et de l'Empire tu portes encore
L'étendard.






dimanche 27 octobre 2019

Fernando Pessoa - Alberto Caeiro - "Da mais alta janela da minha casa / de la plus haute fenêtre de ma maison"



Para comemorar a
100ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO

Do blogue da Prof. Lourdes Duarte
a 1ª IMAGEM - Um castelo de areia construído na palma da mão


Dou a palavra ao poeta Alberto Caeiro

Da mais alta janela da minha casa (Poema), de Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa)

Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.
E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.
Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.
Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?
Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.
Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico, como o Universo
Alberto Caeiro hétéronyme (double) du poète portugais Fernando Pessoa, né en 1888, à Lisbonne, décédé en 1935. Fernando Pessoa s'entoure de personnage imaginaires pour écrire son oeuvre.

ma traduction d'amateur se fait ainsi:

De la plus haute fenêtre de ma maison
Avec un mouchoir blanc je dis adieu
À mes vers qui partent pour l'humanité

Et je ne suis ni gai ni triste.
C'est le destin des poèmes.
Je les ai écrits et je dois les montrer à tous
Parce que je ne peux pas faire autrement
Comme la fleur qui ne peut pas cacher sa couleur,
Ni la rivière qui ne peut cacher son courant,
Ni l'arbre peut cacher qu'elle donne des fruits.

Les voilà qui s'éloignent comme empressés.
Et moi sans le vouloir, j'éprouve de la peine 
Comme une douleur dans le corps.

Qui les lira?
Qui sait dans quelles mains vont-ils arriver?

Fleur, mon destin est d'avoir été cueillie pour les yeux.
Arbre, mes fruits m'ont été arrachés pour les bouches.
Rivière, le destin de mon eau était de ne pas rester en moi.
Je me soumets et je me sens presque heureux,
Presque joyeux comme quelqu'un qui se fatigue d'être triste.

Partez, quittez-moi!
L'arbre meurt et est dispersée dans la nature.
La fleur se fanne et sa poussière dure toujours.
La rivière coule, se jette dans la mer et son eau est toujours celle qui fut la sienne.

Je passe et je reste, tout comme l'univers.


  Parabéns à Prof. Lourdes Duarte e a todos os participantes! 
(da internet, com moderação)

CARLOS CARLOS PAIÃO - VERSOS DE AMOR 
Publié par Luis Santos Saudoso Carlos Paião, 
um grande abraço onde quer que estejas! RTP 1980

Versos de Amor

Carlos Paião
 Às onze e meia, sai para a rua,
Com o seu fato domingueiro,
Dormindo a aldeia, brilhando a lua,
Num céu de estrelas, conselheiro
Coração quente, timidamente,
À sua porta então chamou
E abriu-se a janela e só para ela,
Triste, cantou...

Versos de amor,
Lindos esses versos de amor
Que fizera em segredo,
A sonhar, quase a medo,
Um viver tentador.
A sua vida por uns versos de amor,
Lindos esses versos de amor
Na mais terna amargura,
O silêncio murmura uma história de amor

A noite imensa, foi mais rainha,
Quando uma lágrima caiu,
Na recompensa, o amor que tinha,
Ela também chorou, sorriu
Foi tão bonito, tinham-lhe dito,
Que amar ás vezes faz doer,
Mas a dor que sentia,
Não lhe doía, dava prazer...

Versos de amor,
Lindos esses versos de amor
Que fizera em segredo,
A sonhar, quase a medo,
Um viver tentador.
A sua vida por uns versos de amor,
Lindos esses versos de amor
Na mais terna amargura,
O silêncio murmura uma história de amor
Na mais terna amargura,
O silêncio murmura uma história de amor.
Os sentimentos, trá--los o vento,
o dia à espera, o tempo a amar
e o beijo que deram emudeceram tanta paixão!
Versos de amor, lindos esses versos de amor
Que fizera em segredo, a sonhar, quase a medo
um viver tentador.
A sua vida por uns versos de amor
Lindos esses versos de amor
Na mais terna amargura,
O silêncio murmura uma história de amor!


samedi 13 avril 2019

Fernando Pessoa - "Quando vier a Primavera / lorsque viendra le printemps"


Fernando Pessoa est un écrivain, critique, poète, majeur de la langue portugaise. Né le 13 juin à Lisbonne, ville où il meurt le 30 novembre 1935.
Une partie de son enfance a été vécue à Durgan, en Afrique du Sud, où son beau-père était diplomate portugais.




Fernando Pessoa a crée une oeuvre poétique sous une multitude de pseudonymes qu’il appelait ses  <<hétéronymes » (ses doubles) et chacun correspondait à une personnalité différente. En plus de son propre nom, il y a eu :
· Alberto Caeiro, qui incarne la nature et la sagesse païenne;
· Ricardo Reis, l'épicurisme à la manière d'Horace;
· Alvaro de Campos, le « modernisme » et la désillusion;
· Bernardo Soares, modeste employé de bureau à la vie insignifiante s'il n'était l'auteur du Livre de l'intranquillité
· et alii (au moins soixante-douze en incluant les simples pseudonymes et semi-hétéronymes). Wikipedia
Voici un poème publié sous le nom du pseudonyme Alberto Caeiro

Quando vier a Primavera 

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;

E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

7-11-1915- “Poemas Inconjuntos”. 
In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa
[Quando vier 
Quando vier a primavera,], Alberto Caeiro - Pedro Lamares
Publié par : RTP - Publicado a 17/06/2011
"Um Poema por Semana" é uma ideia de Paula Moura Pinheiro. São 15 poemas em 75 dias, ditos por 75 pessoas. www.rtp.pt/umpoemaporsemana; www.facebook.com/rtpdois; Poema [Quando vier a primavera,], Alberto Caeiro 
L'acteur Pedro Lamares, a été invité pour réciter le poème de Fernando Pessoa, publication de la TV portugaise.
Et voici ma traduction d'amateur :
Lorsque viendra le printemps,
si je suis déjà mort,
les fleurs s'épanouiront de la même manière
et les arbres ne seront pas moins verts qu'au printemps dernier.
La réalité n'a pas besoin de moi.

Je ressents une joie immense
à la pensée que ma mort n'a aucune importance.

Si je savais que demain je mourrais
et que le printemps serait pour après-demain,
je mourrais content, car il serait pour après-demain.
Si c'est là son temps, quand viendra-t-il sinon en son temps ?

J'aime que tout soit réel et que tout soit précis ;

Et j'aime qu'il en soit ainsi, même si je ne l'aimerais pas.
C'est pourquoi, si je meurs maintenant, je meurs content,
parce que tout est réel et que tout est précis.

Vous pouvez prier en latin sur mon cercueil, si vous le désirez.
Si vous le désierz, vous pouvez danser et chanter tout autour.
Je n'ai pas de préférences pour quand je ne pourrais plus avoir de préférences.

Ce qui sera, quand cela sera, c'est cela qui sera ce qui est."
Olá Profª Lourdes, chegando à
77ª EDIÇÃO DO POETIZANDO E ENCANTANDO
"É uma brincadeira sem competição, participa-se com o coração e o amor a poesia".
Copiando do seu blogue a 5ª Imagem- uma linda jovem ler sentada debaixo de uma árvore.
Leitura de Primavera

Quando acordo de manhã
e que vejo brilhar a luz do dia,
sinto vontade de amar
a terra, o ar que respiro, a beleza dos campos,
a leveza dos sons,
o brilho turquesa da maresia!

Porque a Primavera chegou
e espalha aromas de rosas, de jasmim,
de flores de laranjeiras
e de alecrim;
tão perfumadas e belas são as flores.

Em beirais antigos e acolhedores,
procuram abrigo
andorinhas de voos agitados e graves;
é tempo de construir os seus ninhos,
tanto se empenham as primorosas aves!

Também procuro o meu refúgio num canto do jardim
e nas páginas de um livro,
deliciando-me com a força das palavras
que primeiro se atropelam,
em citações sábias e amenas.
Depois se modelam,
em guirlandas de rimas, calmas e serenas!

E se leio,
dou graças ao Senhor e também canto,
no silêncio feliz, para longe de mim
afasto o pranto!

Angela 


Minhas fotos de flores de primavera.

samedi 28 juillet 2018

Fernando Pessoa - "O meu olhar / mon regard"



Fernando Pessoa. Le grand poète portugais du XXe siècle (1888-1935) qui s’inventait des doubles, nous offre la création de plusieurs «hétéronymes», chacun avec une personalité différente, à qui il attribue une partie de son oeuvre poétique.
Alberto Caeiro est l'un de ses hétéronymes.
Photos de Fernando Pessoa, source Wikipedia 


J'ai aimé ce travail présenté sur youtube, pour illustrer le poème, je me permets de le partager avec vous !

https://www.youtube.com/watch?v=JmyW1-q1OlM

 Poema "O meu olhar" - Fernando Pessoa 
Publié par Isabel Ferraz Ajoutée le 13 août 2010 

J'ai preparé en rouge ma traduction d'amateur, de ce poème "Mon regard" de Fernando Pessoa, ici sous le nom de Alberto Caeiro, le côté bucolique de Pessoa et l'oeuvre "le gardien de troupeaux", dont voici un extrait:

Mon regard est clair comme un tournesol.
J'ai l'habitude de marcher le long des routes
En regardant à droite et à gauche,
Et de temps en temps en regardant en arrière ...
Et ce que je vois à chaque instant
C'est ce que je n'avais jamais vu auparavant,
Et je m’en rends très bien compte ...
Je connais l'ébahissement essentiel
Qu'aurait un enfant si, à la naissance,
Il aurait la conscience de naître vraiment ...
Je me sens né à chaque instant
À l’éternelle nouveauté du monde ...
Je crois au monde comme à une pâquerette,
Parce que je le vois. Mais je ne pense pas à lui.
Parce que penser c'est ne pas comprendre ...
Le monde n'a pas été fait pour qu’on pense à lui
(Penser c'est être malade des yeux)
Mais pour le regarder et tout en étant d'accord ...
Je n'ai pas de philosophie: j'ai des sens ...
Si je parle de la nature ce n'est pas parce que je sais ce que c'est,
Mais parce que je l'aime, et je l'aime pour cela,
Parce que celui qui aime ne sait jamais ce qu'il aime
Ni il sait pourquoi il aime, ni ce que c’est qu’aimer...
Aimer c’est l'innocence éternelle,
Et l’unique innocence est de ne pas penser.




Et voici le texte original du poème :

O meu olhar é nítido como um girassol

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender …
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar …
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…

Alberto Caeiro, in “O Guardador de Rebanhos – Poema II”




Em resposta ao convite da 46ª edição do Poetizando e Encantando, da professora Lourdes, de onde tiro a seguinte imagem que me inspirou para brincar com as palavras !
1ª Imagem- Uma jovem entre as árvores, com uma bicicleta carregada de flores, sente o ar puro da natureza. http://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com/

Livre pensamento

Passos que arrasto encurtam espaços,
e aproximam as flores dos jardins. De mansinho,
erguem-se as cores luminosas de um lindo dia !
São amores cristalinos em manhãs frondosas,
trilhos saudosos de eterna primavera,
as árvores e os frutos, da paz na terra.

Quando olhos lacrimosos pintam quadros irreais,
esqueço as palavras, e sinto livre o pensamento.
Vejo pombas brancas que se escapam de pombais,
terras prometidas, arcas de Noé, amores-perfeitos,
ternos sonhos, empurrados pelo vento.
E agradeço a oportunidade

Dos meros instantes presos na saudade,
à beira dos caminhos, e na luz das ramagens.
Ai surgem adornados castelos de fadas,
por onde prossigo a minha viagem,
escutando o sopro da brisa,
nos murmúrios e encantos da paisagem !

Angela


samedi 30 juin 2018

Fernando Pessoa - "A última nau / Le dernier navire"



Fernando Pessoa (1888-1935)  - poète portugais

Ce poème de Fernando Pessoa évoque le départ du roi portugais Dom Sebastião (Sebastian 1er) et le “phénomène” qui a prit le nom de sébastianisme. Le sébastianisme (Sebastianismo) est un mythe messianique portugais, basé sur la croyance qui consiste à espérer le retour sur le trône du Portugal du jeune roi Sébastien disparu à Alcacer Quibir (1578).

Je vous ai préparé une traduction d'amateur, c'est le texte en rouge, j'espère que vous aimerez:
Portrait du roi Dom Sebastião (Sebastien Ier)


A última nau / Le dernier navire 

Emportant à son bord le Roi Dom Sebastião,
Et en hissant, comme un nom, haut, l’étendard
De l'Empire,
Partit le dernier navire, sous le soleil amère
Errant, parmi les cris d’angoisse et de prophétique
Mystère.

Il n'est pas revenu.
A quelle île inconnue
A-t-il accosté? Reviendra-t-il du sort incertain
Qu'il a connu?
Dieu se réserve le corps et la forme du futur,
Mais Sa lumière se projecte, rêve sombre
Et court.
Ah, plus l'âme au peuple faiblit,
Plus mon âme atlantique se raffermit
Et se répand,
Et en moi, dans un océan qui n'a ni de temps ni d'espace,
Je vois entre le brouillard ta silhouette blême
Revenant.

Je ne sais pas l’heure, mais je sais qu'il y a l’heure,
Que Dieu la retarde, l’appelle l’âme partante
Mystère.



Tu surgis  au soleil en moi, et la brume part:
La même, et de l'Empire tu portes encore
L'étendard.



Le sébastianisme commence en 1578 à la disparition du roi Sébastien Ier durant la bataille des Trois Rois au Maroc. En l'absence d'héritier direct, le trône de Portugal est l'objet de disputes entre plusieurs candidats. Parmi eux, Philippe de Habsbourg finit par évincer le roi Antoine Ier et par s'imposer par la force, associant le Portugal in persona regis aux possessions espagnoles. La période philippine est vécue par la population comme une période de déclin et d'abandon de la part de la cour, qui est installée à Madrid. Le corps de Sébastien Ier n'ayant jamais été retrouvé, (et n'ayant pas laissé d'héritier) un mythe du retour se développe progressivement dans toutes les classes sociales, d'après lequel  le roi disparu reviendra « dans un matin de brume », pour restaurer la grandeur du pays et sauver la nation. Associé d'abord à un mouvement nationaliste et indépendantiste, il fait écho à la légende ibérique du « roi caché » (rei encoberto), qui attend le bon moment pour remonter sur le trône et chasser les étrangers...
Source: Wikipedia


Et voici le texte du poème: 

A ultima nau


Levando a bordo El-Rei Dom Sebastião,
E erguendo, como um nome, alto, o pendão
Do Império,
Foi-se a última nau, ao sol aziago
Erma, e entre choros de ancia e de presago
Mistério.

Não voltou mais. A que ilha indescoberta
Aportou? Volverá da sorte incerta
Que teve?
Deus guarda o corpo e a forma do futuro,
Mas Sua luz projecta-o, sonho escuro
E breve.
Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
Mais a minh'alma atlântica se exalta
E entorna,
E em mim, num mar que não tem tempo ou 'spaço,
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.

Não sei a hora, mas sei que há a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a névoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império.

Fernando Pessoa 


“NOTA: Este poema constitui uma espécie de fulcro de Mensagem. Inicia-se em 1578 com a partida de D. Sebastião, entre sinais de mau presságio, para Marrocos. A nau com a sua bandeira içada nunca mais voltou e o embarque de D.Sebastião torna-se místico pelo seu desaparecimento material e comparável ao do Rei Artur, após a batalha de Camlan, para a Ilha Encantada de Avalon ("a que ilha indescoberta aportou?"). Com o desaparecimento de D.Sebastião morre, aparentemente, o sonho de um império universal sob o seu ceptro. Neste momento Fernando Pessoa, que até agora se tinha referido ao passado de Portugal, diz, num aparte, que o futuro é por vezes intuível aos homens e passa imediatamente a contar a sua visão do porvir. A Última Nau volta e trás um vulto (O Desejado) que Pessoa assemelha a D.Sebastião, que vem retomar a caminhada para o império universal- já não material, mas espiritual…
Source: https://www.inverso.pt/Mensagem/MarPortugues/ultimanau.htm

vendredi 23 février 2018

Fernando Pessoa: "Poema de um Amigo aprendiz / Poeme d' un ami Ami apprenti"


Fernando Pessoa (1888-1935)  - poète portugais

"Poema de um Amigo aprendiz / Poeme d' un Ami apprenti"


Voici ma traduction libre, pour aider ceux qui ne comprennent pas le portugais:

Je veux être ton ami.
Ni de trop, ni pas assez.
Ni de loin, ni de trop près.
Aussi proche de la bonne mesure que je le pourrai.
Mais t'aimer, sans mesure, 
faire partie de ta vie 
de la façon la plus discrète 
que je le saurai.
Sans te priver de la liberté.
Sans jamais t'opprimer.
Sans parler lorsqu'il sera temps 
de se taire,et sans se taire, quand
il sera temps de parler.
Ni trop absent ni trop présent,
simplement,
calmement, t'apporter la paix...
C'est beau d'être un ami.
Mais, je l'avoue,
c'est si difficile d'assimiler !
Et c'est pourquoi 
je te demande d'être patient.
Je vais couvrir ton visage 
de souvenirs !
Donne-moi le temps  
de nos distances harmoniser!




POEMA DE UM AMIGO APRENDIZ

Quero ser teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te, sem medida,
e ficar na tua vida
da maneira mais discreta
que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade.
Sem jamais te sufocar.
Sem falar quando for hora de
calar, e sem calar, quando
for hora de falar.
Nem ausente nem presente por
demais, simplesmente,
calmamente, ser-te paz...
É bonito ser amigo.
Mas, confesso,
é tão difícil aprender!
E por isso
eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto
de lembranças!
Dá-me tempo
de acertar nossas distancias!


Fernando Pessoa


samedi 19 novembre 2016

Fernando Pessoa: "A criança que fui chora na estrada/ l'enfant que j'ai été pleure sur la route"



Fernando Pessoa (1888-1935)  - poète portugais

A criança que fui chora na estrada (1933)

voici ma traduction libre de ce joli poème qui porte toute la nostalgie des temps de l'enfance!


L'enfant qui j'ai été pleure sur la route


L’enfant que j’ai été pleure sur la route.
Je l’ai laissé là-bas en devenant ce que je suis;
Mais aujourd’hui, en voyant que ce que je suis n'est rien,
Je veux y retourner chercher celui qu'alors j’étais.

Ah, mais comment puis-je le retrouver? Celui qui
L’aller a échoué a le retour erroné.
Je ne sais plus d’où je viens ni où je suis.
De ne pas le savoir, mon âme en est prostrée.

Si au moins en atteignant ce lieu
Une haute montagne, d’où je pourrais enfin
Ce que j’ai oublié, en le regardant, me le rappeler.

En l’absence, au moins, je saurai qui je suis,
Et en me voyant tel que j’ai été de loin, je trouverai
En moi un peu de ce que j’étais ainsi.





A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei de encontrá lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.



PESSOA, Fernando. Novas Poesias Inédita

22-9-1933

dimanche 14 décembre 2014

Fernando Pessoa "O Mostrengo / L'horrible monstre"

Fernando Pessoa (1888-1935)  - poète portugais


O mostrengo                               L 'horrible monstre



O mostrengo que está no fim do mar            Le monstre qui est au bout de l’océan

Na noite de breu ergueu-se a voar;                       Une nuit de brai se mit à voler;

À roda da nau voou trez vezes,                            Autour du navire il vola trois fois,

Voou trez vezes a chiar,                                   Trois fois il vola en hurlant

E disse: «Quem é que ousou entrar                         et il dit: “Qui a osé entrer

Nas minhas cavernas que não desvendo,                   Dans mes cavernes que je ne devoile pas
Meus tectos negros do fim do mundo?»                     Mes toits noires du bout du monde?””
E o homem do leme disse, tremendo:                      Et l’homme du gouvernail a dit, en tremblant:
«El-rei D. João Segundo!»                                        “Le roi Jean le second”

«De quem são as velas onde me roço?                               A qui sont ces voiles que je frôle
De quem as quilhas que vejo e ouço?»                               A qui les quilles que je vois et entends?”
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,                              A dit le monstre, et il tourna trois fois
Três vezes rodou imundo e grosso.                              Trois fois il tourna, hideux et gras.
«Quem vem poder o que só eu posso,                               “Qui a le pouvoir qui n’est qu’à moiQue moro onde nunca ninguém me visse                              Moi qui habite où personne ne me voit
E escorro os medos do mar sem fundo?»                           Et je destille les peurs de la mer sans fond
E o homem do leme tremeu, e disse:                               Et l’homme du gouvernail trembla, et dit
«El-rei D. João Segundo                                         “le roi Jean le second!”

 Três vezes do leme as mãos ergueu,                                  Trois fois du gouvernail les mains il leva
Três vezes ao leme as reprendeu,                                Trois fois sur le gouvernail il les remit
E disse no fim de tremer três vezes:                               Et enfin tremblant trois fois il dit
«Aqui ao leme sou mais do que eu:                                   “Ici au gouvernail je suis plus que moi
Sou um povo que quere o mar que é teu;                       Je suis un peuple qui veut la mer qui est à toi
E mais que o mostrengo, que me a alma teme                  Et plus que le monstre que mon âme craint
E roda nas trevas do fim do mundo,                     Et qui tourne dans les tenébres du bout du monde,
Manda a vontade, que me ata ao leme,                 Commande la volonté qui m’attache au gouvernail
D' El-rei D. João Segundo!»                                         Qui est celle du roi Jean le second”


Il y beaucoup de littérature sur les voyages maritimes, et ce poème se trouve dans les livres scolaires des enfants portugais. J'espère que ma traduction permet de le comprendre.