De son nom complet Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares, Noemia de Sousa fut une poétesse mozambicaine, née à Lourenço Marques, l’ancien nom de Maputo, la capitale du Mozambique, et décédée le 4 décembre 2002, à Cascais, Portugal
Poétesse engagée, sous le régime colonial
Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares nasceu em Lourenço Marques (atual Maputo) em 20 de setembro de 1926 e morreu em Cascais, Portugal, em 4 de dezembro de 2002
Avec ma traduction d'amateur en rouge pour vous faire connaitre cette poétesse qui défendait les faibles et les exploités
Canção fraterna Chanson fraternelle
Irmão negro de voz quente Frère noir à la voix chaude
o olhar magoado, au regard blessé,
diz‑me: dis-moi:
Que séculos de escravidão Quels siècles d’esclavage
geraram tua voz dolente? Ont engendré ta voix endolorie?
Quem pôs o mistério e a dor Qui a mis le mystère et la douleur
em cada palavra tua? dans chacune de tes paroles?
E a humilde resignação Et l’humble résignation
na tua triste canção? dans ta triste chanson?
Foi a vida? o desespero? o medo? Est-ce la vie? le desespoir ? la peur ?
Diz‑me aqui, em segredo, Dis-le moi, en secret,
irmão negro. frère noir.
Porque a tua canção é sofrimento Car ta chanson est faite de souffrance
e a tua voz sentimento et ta voix est sentiment
e magia. et magie.
Há nela a nostalgia Elle englobe la nostalgie
da liberdade perdida, de la liberté perdue,
a morte das emoções proibidas, la mort des émotions interdites,
e a saudade de tudo que foi teu et la nostalgie de tout ce qui était à toi
e já não é. et qui n’est plus.
Diz‑me, irmão negro, Diz-moi, frère noir,
Quem fez a vida assim... Qui est-ce qui te transforma la vie ainsi...
Foi a vida? o desespero? o medo? Est-ce la vie? le desespoir ? la peur ?
Mas mesmo encadeado, irmão, Dans le même enchaînement, mon frère,
que estranho feitiço o teu! Quel étrange sortilège est le tien!
A tua voz dolente chorou Ta voix endolorie a pleuré
de dor e saudade, de douleur et de nostalgie
gritou de escravidão a crié d’esclavage
e veio murmurar à minha em
alma ferida et est venu murmurer à mon âme
blessée
que a tua triste canção dorida que ta triste chanson douloureuse
não é só tua, irmão de voz de veludo n’est pas qu’à toi, mon frère à la voix de velours
e olhos de luar. et aux yeux au clair de lune.
Veio, de manso murmurar Elle est venue, doucement en murmurant
que a tua canção é minha que ta chanson est aussi la mienne.
que a tua triste canção dorida que ta triste chanson douloureuse
não é só tua, irmão de voz de veludo n’est pas qu’à toi, mon frère à la voix de velours
e olhos de luar. et aux yeux au clair de lune.
Veio, de manso murmurar Elle est venue, doucement en murmurant
que a tua canção é minha que ta chanson est aussi la mienne.
- Noémia de Sousa, em "Sangue negro". Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001, p. 74-75.
Je vous invite à une visite à Lourenço Marques, aujourd'hui Maputo, capitale du Mozambique, l'ancienne colonie portugaise, la ville où est née la poétesse Noémia de Sousa, images d'avant l'indépendance et la guerre:
Lourenco Marques 1970
Publié par Fernando Cabral
Apesar de uma semana muito intensa, deixo a minha participação, cara Lourdes, é tarde, sim mas é com muito gosto que respondo ao convite do Poetizando :)
2ª Imagem- Um guif de uma mulher segurando uma lamparina em uma noite onde a neve cai.
Dança meu luar
Para que os sons da noite comecem a sinfonia!
luta, paixão, curiosidade, descoberta,
solidão indefinida, apreensiva ironia
Para que servem as palavras ?
Se em inquietação adormece o dia,
se na doçura de cautelosas sombras,
laços do passado chamam por mim?
Em meu redor,
voam em leveza, pólenes de jasmim,
apressam-se efémeros insetos,
reflexos cintilantes, à luz de uma candeia
Ilusão de águas passadas e praias de areia,
trechos contidos de colorida emoção
esvoaçam neste lugar,
como corujas de olhos atentos e penas macias!
Angela

