Nossa senhora, Mãe de Jesus Notre Dame, Mère de Jésus,
Accompagnons les flâneries de poètes de langue portugaise, les compositions de rimes, les pensées inquiètes ou riantes, de Fernando Pessoa, Luis de Camões, Florbela Espanca, António Nobre, Avelina Noronha, Manuel Fonseca... (o tradutor à direita da página poderá contribuir para uma melhor compreensão dos textos. Obrigada)
"Ronald de Carvalho foi, em conjunto com Luís de Montalvor, diretor do primeiro número da revista literária Orpheu, publicada em Lisboa em Março de 1915, causando enorme polémica..."
Fujo de mim como um perfume antigo
foge ondulante e vago de um missal
e julgo uma alma estranha andar comigo,
dizendo adeus a uma aventura irreal.
Sou transparência, chama pálida, ânsia,
última nau que abandonou o cais.
No alvor das minhas mãos chora a distância
proas rachadas, longes de ouro, ideais…
Sonho meu corpo como de um ausente,
náufrago e exsurjo dentro da memória,
acordo num jardim convalescente,
vago perdido em outros num jardim,
e sinto no clarão da última glória
a sombra do que sou morrer em mim…
Antes a alma que tenho andou perdida,
foi pedrouço a rolar pelo caminho,
topázio, opala, pérola esquecida
num bracelete real; foi caule e espinho,
bronze que a mão tocou, áurea jazida
por entre as ruínas de um país maninho,
e refletiu, fatal, o olhar da Vida
no corpo em sangue de um estranho vinho…
Foi casco medieval, foi lança e escudo,
foi luz lunar e errante lanterna,
e depois de exsurgir, triste de tudo
veio para chorar dentro em meu ser
a amarga maldição de ser eterna
e a dor de renascer quando eu morrer…
Avec ma traduction d'amateur en rouge:
I — Le Sens
Je fuis de moi-même comme un vieux parfum
qui s'échappe ondulant et vague d'un missel
et je crois qu'une âme étrange m'accompagne,
en disant adieu á une aventure irréelle.
Je suis transparence , flamme pâle, attirance,
le dernier navire ayant quitté le quai.
Dans l'aube de mes mains pleure la distance
proues fêlées, lointains en or, chimères…
Je rêve que mon corps est celui d'un absent,
naufragé et j'émerge dans ma mémoire,
je me réveille dans un jardin convalescent,
errant perdu en d'autres dans un jardin,
et je ressens dans l'éclat de la dernière gloire
l'ombre de ce que je suis mourir en moi...
Em 29 de fevereiro de 1915, Fernando Pessoa escreveu ao autor, agradecendo o livro que este lhe oferecera e fazendo uma apreciação de Luz Gloriosa:
A crítica de Fernando Pessoa parece ter influenciado o escritor brasileiro, que iria aderir ao modernismo, destacando-se a sua intervenção na Semana de Arte Moderna. Cinco anos mais novo do que Fernando Pessoa, Ronald de Carvalho viria a morrer, por coincidência, no mesmo ano do escritor português.
Publication du net:PRELÚDIO DE NATAL
Tudo principiava
pela cúmplice neblina
que vinha perfumada
de lenha e tangerinas
Só depois se rasgava
a primeira cortina
E dispersa e dourada
no palco das vitrinas
a festa começava
entre odor a resina
e gosto a noz-moscada
e vozes femininas
A cidade ficava
sob a luz vespertina
pelas montras cercada
de paisagens alpinas.
Almeida Garrett
Este inferno de amar
Este inferno de amar – como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida – e que a vida destrói.
Como é que se veio atear,
Quando – ai se há de ela apagar?
Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes eu vivi
Era um sonho talvez… foi um sonho.
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! Que doce era aquele sonhar…
Quem me veio, ai de mim! Despertar?
Só me lembra que um dia formoso
Eu passei… Dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? Eu que fiz? Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei…
Almeida
Garrett
Só me lembra que um dia formoso
Eu passei… Dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? Eu que fiz? Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei…
Traduit en français ICI
Almeida Garrett o apelido que o poeta começou a usar em 1818,
João
Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett (Porto, 4
de fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de dezembro de 1854),
foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par
do reino, ministro e secretário de estado honorário português.
Grande impulsionador do teatro em
Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs
a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório
de Arte Dramática.
João de Deus