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dimanche 18 décembre 2022

Vinicius de Moraes - Poema de Natal / Poème de Noël



Vinicius de Moraes

(Marcus Vinícius da Cruz e Mello Moraes)
poète brésilien (1913-1980)


(Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 — Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980) foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro.


Poema de Natal Vinicius de Moraes
Publié par borboletasvoam . 23 déc. 2010


POEMA DE NATAL
Rio de Janeiro , 1946

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:

Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
                                                          (Vinicius de Moraes)


Avec ma traduction d'amateur:

C'est pour cela que nous avons été faits:
Pour nous remémorer et vous être remémorés
Pour pleurer et faire pleurer
Pour enterrer nos morts —
Pour cela nous avons les bras longs pour les adieux
Les mains pour récolter ce qui a été donné
Les doigts pour pour creuser la terre.

Ainsi sera notre vie:
Um après-midi toujours à oublier
Une étoile qui s'éteint dans l'obscurité
Un chemin entre deux tombes —
C'est pourquoi nous devons veiller
Parler bas, marcher doucement, voir
La nuit dormir en silence.

Il n'y a pas grand chose à dire:
Une chanson au-dessus d'un berceau
Un vers, peut-être d'amour
Une priére pour celui qui part —
Mais que cette heure ne soit pas oubliée
Et que pour elle nos coeurs
Restent, graves et simples.

Car c'est pour cela que nous avons été faits:
Pour l'espoir dans le miracle
Pour la participation de la poésie
Pour voir le visage de la mort —
Soudain nous n'espérerons plus jamais...
Aujourd'hui la nuit est jeune; de la mort, seulement
Nous naissons, immensément.








dimanche 11 décembre 2022

Feliz mês de Natal / Joyeux mois de Noël

 



Noite de paz 

Noite de paz, noite de luz 
em Belém nasceu Jesus 
Cantam os anjos canções de louvor 
cantam pastores um hino de amor 
brilha a estrela da paz 
brilha a estrela da paz


Nuit de paix 

Nuit de paix, nuit de lumière
à Bethléem naquit  Jésus 
Les  anges chantent des chants de louange 
les bergers chantent un hymne d'amour
brille l'étoile de la paix
brille l'étoie de la paix 

Só Canções de Natal Portuguêsas! 
Quem Quiser Faça o Favôr de Copiar e Divulgar no seu Canal! 
 Publié par Rogério Maciel . 22/12/2016






dimanche 27 novembre 2022

Feiticeira / magicienne

 Com as belas vozes de Pablo Milanês 

(24 de Fevereiro de 1945 - 21 de Novembro de 2022)

e de Luís Represas

Luis Represas e Pablo Milanés Feiticeira
Publié par Paquiderme Videos

Repouse em Paz, Pablo.



Feiticeira com Pablo Milanes 
Publié par guilper 11 juil. 2009
Luis Represas e Pablo Milanes no Alandroal, Portugal em Julho de 2009


Feiticeira

De que noite demorada
Ou de que breve manhã
Vieste tu, feiticeira
De nuvens deslumbrada

De que sonho feito mar
Ou de que mar não sonhado
Vieste tu, feiticeira
Aninhar-te ao meu lado

De que fogo renascido
Ou de que lume apagado
Vieste tu, feiticeira
Segredar-me ao ouvido

De que fontes de que águas
De que chão de que horizonte
De que neves de que fráguas
De que sedes de que montes
De que norte de que lida
De que desertos de morte
Vieste tu feiticeira
Inundar-me de vida.(...)

Avec ma traduction d'amateur:

Magicienne

De quelle longue nuit
Ou de quel bref matin
Es-tu venue, magicienne
Des nuages ​​éblouie

De quel rêve fait de mer
Ou de quelle mer non rêvée
Es-tu venue, magicienne
Te blottir à mes côtés

De quel feu qui renaît
Ou de quelle flamme  éteinte
Es-tu  venue, magicienne
À mon oreille chuchoter

De quelles sources de quelles eaux
De quel sol de quel horizon
De quelles neiges de quelles fournaises
De quels désirs de quelles montagnes
Avec quel nord de quelle magie
De quels déserts de mort
Es-tu venue, magicienne
Pour m'inonder de vie.(...)

samedi 19 novembre 2022

Manuel Lopes


Poète cap-verdien du monde lusophone, Manuel Lopes est né à Mindelo (Cap-Vert) le 23 décembre 1907, et il est décèdé á Lisbonne le 25 janvier 2005.
En 1919 Manuel Lopes a suivi sa famille parti s'installer à Coimbra (Portugal) où il suivit ses études secondaires.

Manuel dos Santos Lopes,  (Mindelo, São Vicente (Cabo Verde), 23 de Dezembro de 1907 — Lisboa, 25 de Janeiro de 2005) foi um ficcionista, poeta e ensaísta e um dos fundadores da moderna literatura cabo-verdiana

Ainda jovem, Manuel Lopes mudou-se com a sua família para Coimbra (Portugal) em 1919 onde fez os estudos liceais. Passaria a viver a sua vida com períodos de permanência entre Cabo Verde, Açores, e Portugal.



Manuel Lopes: Soneto À Liberdade | Escritor Cabo-Verdiano | Poesias Declamadas | Recitar Poema Poeta Publié par Toma Ai Um Poema


Soneto À Liberdade

Primeiro tu virás, depois a tarde
com terras, mares, algas, vento, peixes.
trarás, no ventre, a marca das idades
e a inquietude dos pássaros libertos.

virás para o enorme do silêncio
— flor boiando na órbita das águas —
tu não verás o fúnebre das horas
nem o canto final do sol poente.

primeiro tu virás, depois a tarde
sem desejos e amor. virás sozinha
como o nome saudade. virás única.

eu não terei a posse do teu corpo
nem me batizarei na tua essência,
mas tu virás primeiro e eu morro livre.

Manuel Lopes

Que je traduis ainsi:

Sonnet à la liberté

Tu viendras d'abord, puis l'après-midi
avec des terres, des mers, des algues, du vent, des poissons.
tu apporteras, dans ton ventre, la marque des âges
et l'inquiétude des oiseaux libérés.

tu viendras vers l'énorme silence
— telle une fleur qui flotte dans l'orbite des eaux —
tu ne verras pas le funèbre des heures
ni le dernier chant du soleil couchant.

tu viendras d'abord, puis l'après-midi
sans désirs et sans amour. tu viendras seule
comme le nom nostalgie. tu viendras seule.

Je n'aurai pas la possession de ton corps
ni je ne me baptiserai dans ton essence,
mais tu viendras d'abord et je mourrai libre.

Imagem do Mindelo (Cabo Verde)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mindelo_%28Cabo_Verde%29#/media/Ficheiro:Cabo_2010_Monte_Cara.jpg

jeudi 10 novembre 2022

Da Costa e Silva - "Terra"



Antônio Francisco da Costa e Silva, poète brésilien, qui avait eu des ancêtres portugais,

Nasceu (Amarante, 28 de novembro de 1885 — Rio de Janeiro, 29 de junho de 1950), poeta brasileiro,
Sua obra extraordinária oscilou entre o parnasianismo e o simbolismo mas sempre com um estilo próprio e inconfundível. 


Terra

Quando a minha saudade os olhos cerra,

Na grata evocação de um sonho errante,

Recordo, enternecido, a minha terra,

Vendo-a mais linda quanto mais distante.


Ao longe, um panorama se descerra

Sob o límpido céu, ao sol radiante:

Entre os rios, as árvores e a serra,

Branqueja a casaria de Amarante.


Lembro os sítios bucólicos... A ponte

No manso riacho, onde brinquei menino,

Curvado sobre a gruta, a ouvir a fonte...


A igreja... E ouço, meu Deus! a voz do sino,

Como a repercutir no amplo horizonte

O repique augural do meu destino!


Publicado no livro Pandora (1919).


Ci-dessous ma traduction d'amateur du poème:

Terra

Lorsque mes yeux se ferment de nostalgie,

Dans l'évocation reconnaissante d'un rêve égaré,

Je me rappelle, avec amour, de ma contrée,

Plus distante je la vois plus je la trouve jolie.


Au loin, un décor s'éclaircit 

Sous le ciel limpide, sous un soleil éblouissant:

Entre les fleuves, les arbres et la montagne,

Amarante montre ses maisons blanchies.


Je me souviens des lieux bucoliques... Le pont

Sur le ruisseau paisible, où enfant je jouais,

Courbé sur la grotte, à écouter la source...


L'église... mon Dieu! la voix du clocher que j'entends,

Semble répandre dans le vaste horizon

La répercussion  augural de mon destin!



"A poesia de Da Costa e Silva assenta-se em duas escolas: Simbolista, interpretada nos poemas de Sangue, e Parnasiana, que determinou a fixação de seus poemas. Apreciado poeta do seu tampo, Da Costa e Silva é a maior força da poesia telúrica do Piauí.." https://sites.google.com/site/souamarantino/uma-parte-da-historia-do-amarantino-da-costa-e-silva


La poésie parnassienne s'oppose au lyrisme exagéré romantique et les poètes proposent une nouvelle esthétique fondée sur le désir de perfection et valorisation artistique de la poésie, soit
"un mouvement pour la beauté de la poésie" où "la nature et le divin sont des sujets privilégiés.."



Antônio Francisco da Costa e Silva, nasceu em 1885 em Amarante, município brasileiro do estado do Piauí, "onde havia apenas a lembrança de uns vagos bisavós portugueses..."

Assim se apresenta Amarante, (nordeste do Brasil), onde nasceu o poeta:


AMARANTE - PIAUÍ, CIDADE DE AMARANTE-PI, HISTÓRIA E CULTURA, RIO PARNAÍBA, BR-343
Publicado por Cidades do Mundo

mercredi 14 septembre 2022

Les cantiques de Sainte Marie - As cantigas de Santa Maria



Voici une jolie chanson qui fait partie des Cantiques de Sainte Marie, qui sont des chansons religieuses du XIIIe siècle, écrites en galaïco-portugais.
"Les Cantiques de Sainte Marie sont un ensemble de 427 compositions en galaïco-portugais, qui était au XIIIe siècle la langue principale de la culture lyrique en Castille. Ils ont été parrainés par Alphonse X le Sage, roi de Castille et León de 1252 à 1284..."
https://www.languagesandnumbers.com/articles/fr/Les-Cantiques-de-Sainte-Marie-et-le-galaico-portugais/



Santa Maria, Strela do Dia (Medieval Cantiga) from "O Jerusalem" – APOLLO'S FIRE, Powell, Sorrell
Publié par apollosfirebaroque
Santa Maria, Strela do Dia (Saint Mary, Star of the Day) From the Cantigas de Santa Maria Codex (c. 1250) Arranged by Jeannette Sorrell


As Cantigas de Santa Maria são um conjunto de quatrocentas e vinte e sete composições em galego-português, do século XIII...

Le galaïco-portugais une langue qui était parlée dans l'actuelle Galice et dans le nord du Portugal (a chamada Galécia, província romana), prend son origine dans une évolutions du latin. 

Plus tard, avec la séparation politique du Portugal au sud et de la Galice au nord, le galaïco-portugais devient l'ancêtre du portugais et du galicien qui évoluèrent de manière différente.

O Pacto entre Gomes Pais e Ramiro Pais da Silva (ou simplesmente O Pacto dos irmãos Pais. é o título dado a um documento, escrito maioritariamente em galego-português, que regista um pacto de não agressão e defesa mútua entre dois irmãos nobres. Poderá ter sido escrito em Santa Maria de Arnoso, conservado durante séculos nos fundos documentais da Mitra de Braga, e encontra-se atualmente na Torre do Tombo, em Lisboa. Wikipedia

Voici copié le texte du pacte en galaïco-portugais:


O texto do documento é curto e ocasionalmente de difícil interpretação:

Ego Gomenze Pelaiz facio a tibi irmano meo Ramiru Pelaiz isto plazo ut non intret meo maiordomo inilla villa super vostros homines deslo mormuiral. & de inde antre as casas d’Ousenda Grade & d’Elvira Grade. & inde pora pena longa & de ista parte perilla petra cavada de Sueiro Ramiriz dou vobis isto que sejades meo amico bono. & irmano bono & que adjuderis me contra toto homine fora el rei & suos filios. & si Pelagio Soariz. ou Menendo Pelaiz. ou Velasco Pelaiz. ou Petro Martiniz. Daquele que torto fezer a Don Ramiru. ou a Don Gomeze si quiser caber en dereito & se non ajudarmonos contra illos. Des illo mormoiral ata en frojom non laver {jure} mala Dos ergo illos que abet hodie fora se ganar herdade de gavaleiros ou de engeoida. & in vostra herdade habet tal foro quale dóóspital. & herdade for de penores & ibi morar suo dono dar calupnia & fosadeira & si se for dela abere tal foro quomodo vostros herdades. Se {homenem} entrar enaquela vila que torto tenia a Don Gomeze dar dereito dele si seu for de Don Ramiro {quen} de fora venia. & {quen} isto plazo exierit ad vos Ramiro Pelaiz se erar coregelo & se non {q} volverit peitar quinientos soldos. jsto pleito est taliado de isto maio que venit ad.IJs. anos.
https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Pacto_de_Gomes_Pais_e_Ramiro_Pais

vendredi 9 septembre 2022

Delfina Benigna da Cunha - "SONETO"

 

Femme poétesse, Delfina Benigna da Cunha est née à São José do Norte, Rio Grande do Sul, à l'époque du Brésil colonie portugaise

http://culturaliterariacolonial.blogspot.com/2016/11/poetas-mulheres.html

Devenue aveugle toute petite, à vingt mois, suite aux complications de la variole, Delfina a néanmoins bénéficié d'une solide éducation qui lui a permis de poursuivre des études littéraires et de devenir une poétesse dès l'âge de douze ans.

Portrait de Delfina Benigna da Cunha


Delfine écrit un sonnet sur son malheur de d'être devenue aveugle à l'âge de vingt mois, vingt fois la lune d'argent...


. SONETO (Delfina Benigna da Cunha)


Vinte vezes a lua prateada
Inteira o rosto seu mostrado havia,
Quando um terrível mal, que então sofria,
Me tornou para sempre desgraçada.

De ver o céu e o sol sendo privada,
Cresceu a par comigo a mágoa ímpia;
Desde a infância a mortal melancolia
Se viu em meu semblante debuxada.

Sensível coração deu-me a natura,
E a fortuna, cruel sempre comigo,
Me negou toda a sorte de ventura;

Nem sequer um prazer breve consigo:
Só para terminar minha amargura
Me aguarda o triste, sepulcral jazigo.



Avec ma traduction d'amateur:

Vingt fois la lune d'argent
Intière son visage avait montré,
Quand un mal terrible, dont alors je souffrais,
M'a rendue pour toujours affligeante.

De voir que du ciel et du soleil j'en étais privée,
Une impie affliction en moi a grandi;
Dès l'enfance la mortelle mélancolie
S'est vue sur mon visage esquissée.

Un cœur sensible m'a donné la nature,
Et la fortune, avec moi toujours cruelle,
M'a refusé toute chance de bonheur;

Pas même un bref plaisir je ressens:
Pour mettre fin à ma triste amertume
Seul le lugubre tombeau sepulcral m'attend.


Nascida na Estância do Pontal, em São José do Norte, Delfina era filha de Joaquim Fernandes da Cunha, capitão-mor da guarda portuguesa local, responsável pela guarda do litoral, e Maria Francisca de Paula e Cunha, sendo a oitava de novo filhos.
Aos vinte meses de vida, ela foi completamente privada da visão, devido a uma epidemia de varíola que afligiu a região. Apesar disso, recebeu uma sólida educação, enraizada na cultura clássica e portuguesa, que tornou possível sua formação intelectual.
Aos doze anos, já estaria alfabetizada e escrevendo poemas, como "Colcheia escrita aos doze anos de idade", Wikipedia
Devido à Revolução Farroupilha (1835-1845), exilou-se no Rio de Janeiro; aí faleceu em 13 de abril de 1857.

A Natureza e o Amor  (Delfina Benigna da Cunha)

Combatem minha razão.

Até Júpiter, Senhor
De tudo quanto há criado,
Estreitamente é ligado
À Natureza e Amor.
Se este Deus, que é superior
Vive sujeito à paixão:
Como há de o meu coração
Libertar-se deste mal,
Se Amor com arma fatal
Combate a minha razão?


"Com a morte do pai em 30 de agosto de 1825, Delfina da Cunha perdeu seu amparo financeiro, mas conseguiu obter uma pensão vitalícia de D. Pedro I, em reconhecimento dos serviços militares de seu pai, após escrever um soneto-apelo ao imperador, garantindo, assim, sua sobrevivência..."

São José do Norte onde nasceu a poetisa Delfina Benigna da Cunha 
(imagem da internet)