Accompagnons les flâneries de poètes de langue portugaise, les compositions de rimes, les pensées inquiètes ou riantes, de Fernando Pessoa, Luis de Camões, Florbela Espanca, António Nobre, Avelina Noronha, Manuel Fonseca...
(o tradutor à direita da página poderá contribuir para uma melhor compreensão dos textos. Obrigada)
Après avoir publicé un poème de Maria da Saudade Cortesãodans le post précédent, voici la poésie de son mari le poète brésilien Murilo Mendes.
"Murilo Monteiro Mendes (Juiz de Fora, Minas Gerais 13 de maio de 1901 — Lisboa, 13 de agosto de 1975) foi um poeta e prosador brasileiro, expoente do surrealismo no movimento modernista brasileiro.."
Pour situer l'oeuvre du poète,
j'ai cherché une définition du modernisme, un mouvement artistique qui a "atteint son apogée dans les premières décennies du XXème siècle... Il regroupe, en effet, une multitude de mouvements littéraires et artistiques avant-gardistes, parmi lesquels le post-impressionnisme, le cubisme, le dadaïsme, le surréalisme, le futurisme, le vorticisme, l'imagisme et l'expressionnisme..."
Né à Juiz de Fora (Minas Gerais), fils d’Onofre Mendes et d’Eliza de Barros Mendes, Murilo Mendes poète brésilien ira vivre en 1920 à Rio de Janeiro, où il commence sa carrière littéraire.
Les années 1940 et 1950, Murilo Mendes les passe dans plusieurs pays d' Europe. Au Portugal ses séjours seront de plus en plus longs, et d'après plusieurs publications, ce pays serait devenu sa seconde patrie, cela du aussi à son mariage avec la poétesse portugaise Maria da Saudade Cortesão.
Murilo Mendes "est mort le 13 août 1975 à Estoril (Lisbonne), au Portugal, dans ce pays qu’il a choisi d’aimer et où il est resté."
Le poète et écrivain dediera au Portugal son livre "Janelas Verdes"
Je vous invite à connaître ou à lire un de ces poèmes:
NOTURNO RESUMIDO
A noite suspende na bruta mão que trabalhou no circo das idades anteriores as casas que o pessoal dorme comportadinho atravessado na cama comprada no turco a prestações.
A lua e os manifestos da arte moderna brigam no poema em branco.
A vizinha sestrosa da janela em frente tem na vida um camarada que se atirou dum quinto andar. Todos têm a vidinha deles.
As namoradas não namoram mais porque nós agora somos civilizados, andamos no automóvel gostoso pensando no cubismo.
A noite é uma soma de sambas que eu ando ouvindo há muitos anos.
O tinteiro caindo me suja os dedos e me aborrece tanto: não posso escrever a obra-prima que todos esperam do meu talento.
Murilo Mendes
J'écris en rouge ma traduction d'amateur de ce poème de Murilo Mendes:
RÉSUMÉ NOCTURNE
La nuit suspend dans sa main rugueuse qui a travaillé dans le cirque des âges précédents les maisons où les gens dorment sagement en travers du lit acheté chez le turc en mensualités.
La lune et les manifestes d'art moderne se disputent dans le poème vide.
La voisine charmante de la fenêtre d'en face a dans sa vie un camarade que s'est jeté du cinquième étage. Chacun a sa petite vie.
Les copines ne sortent plus avec nous car maintenant nous sommes civilisés, nous roulons dans une belle voiture en pensant au cubisme.
La nuit est un amoncellement de sambas que j'écoute depuis de nombreuses années.
L'encrier qui tombe me salit les doigts et cela m'embête tellement: je ne peux pas écrire le chef-d'oeuvre que tous attendent de mon talent.
Encontramos que :
"o sobrenome Mendes se espalhou, desde os primeiros anos de colonização do Brasil, por seu vasto território. Em Minas Gerais, mais especificamente na região de Juiz de Fora, estabeleceu-se a importante família de Francisco Mendes de Carvalho, que deixou numerosa descendência de seu casamento com Ana Mendes de Carvalho. Entre esses descendentes, destaca-se o filho dr. Onofre Mendes, nascido em 1873, empresário que foi homenageado com o nome de uma rua em Juiz de Fora. Destaque também para o neto Murilo Mendes, renomado poeta brasileiro, nascido em Juiz de Fora em 1901.."
Maria da Saudade Cortesão, poétesse née en 1938 à Porto, ville du nord du Portugal; la jeune fille a accompagné son père au Brésil, où elle a connu et épousé Murilo Mendes.
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Maria da Saudade Cortesão Mendes
(Porto, 1938 – Lisboa, 25/11/2010)
poetisa e tradutora, filha de Jaime Cortesão e esposa do poeta brasileiro Murilo Mendes.
"Filha de Jaime Cortesão, viveu grande parte da vida no estrangeiro acompanhando seu pai no exílio, primeiro em Paris (1927), depois em Madrid e, por fim, no Rio de Janeiro, onde conheceu o poeta Murilo Mendes com quem veio a casar-se em 1947. Entre 1952 e 1956 viajou pela Europa acompanhando o marido em missões culturais ..."
Maria da Saudade Cortesão avec son mari Murilo Mendes
(image du net)
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“…Como poeta publicou seis livros; traduziu “Crime na catedral”, de Eliot (além de Shakespeare e Camus), e publicou muita coisa que ainda está dispersa por jornais e revistas portugueses, brasileiros e italianos….”
A Musa que passava Não era a que sabias. Vinha em lua minguante A espaços vestida Por espelhos azuis E narcisos de frio.
Que remanso tão meigo Em seus peitos havia! Que miosótis de leite Em suas veias tíbias, Três tangentes tocavam O seu coração dúbio.
Não lhe soubeste o corpo — Terra da madrugada Que se dava ferida, Nem os seus cursos de água. Olhavas tão ao longe Enquanto o amor te olhava.
Avec ma traduction d'amateur (printemps en portugais é du genre féminin) :
PRINTEMPS
La Muse qui passait N'était pas celle que tu connaissais. Elle arrivait en lune décroissante Par intervalles habillée Par des miroirs bleus Et des jonquilles froides.
Quelle mare si douce Qu'il y avait dans ses seins! Quels myosotis laiteux Dans ses veines vacillantes, Trois tangentes qui touchaient Son coeur indécis.
Tu n'as pas connu son corps — La terre qui à l'aube S'offrait avec sa blessure, Ni ses cours d'eau. Ton regard se perdait si loin Pendant que l'amour te regardait.
un autre poème trouvé sur le net:
OFÉLIA
Que perfil perdi no vento Que rosto perdi na água, Transparência perturbada, Íris d’água cor do tempo.
Nunca a figura do sonho Me pareceu tão velada — Vejo só a meia-lua Da sua nuca inclinada.
Edifício d’água e sombra Que a corrente desmanchava E em meus cabelos ao sul As grinaldas desfolhava.
Deixai-me afundar nas frias Solidões de junco e mágoa, E de mim própria ausente Repousar à sombra d’água.
Sobre o pai de Maria da Saudade:
Jaime Zuzarte Cortesão foi um médico, político, escritor e historiador português. Filho do filólogo António Augusto Cortesão, foi irmão do historiador Armando Cortesão e pai da renomeada ecologista Maria Judith Zuzarte Cortesão e da poetisa Maria da Saudade Cortesão, esposa do poeta modernista Murilo Mendes.
Gabriel Fernandes da Trindade, était violoniste, chanteur et compositeur, né en 1790 au Brésil durant la période coloniale. L'étude des oeuvres de ces artistes atteste le haut niveau atteint par ces artistes dans la colonie portugaise d'Amérique du Sud.
Je vous invite 'a écouter un duo de ce compositeur:
Gabriel Fernandes da Trindade (c.1790-1854)
DUETO CONCERTANTE
no. 1
-Allegro moderato
-Andante sostenuto
-Allegro vivace
Maria Ester Brandão, 1o violino
Koiti Watanabe, 2o violino
Le Duo est une pièce musicale à deux parties simultanées, destinée à être interprétée par deux solistes, avec ou sans accompagnement
Publié par Eduardo Linzmayer . 27 mai 2018
Imagem do Paço Imperial é um edifício histórico localizado na atual Praça XV de Novembro, no centro da cidade do Rio de Janeiro, construído no século XVIII para residência dos governadores da Capitania do Rio de Janeiro.
Vemos as semelhanças com o Terreiro do Paço de Lisboa!
Em 1808, com a chegada ao Rio de Janeiro da família real portuguesa, o edifício tinha sido promovido a Paço Real.
"Gabriel Fernandes da Trindade (Vila Rica, 1799/1800 - Rio de Janeiro, 23/08/1854) foi um violinista, cantor e compositor mineiro e brasileiro, atuante no Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX. Autor de canções e de duetos para dois violinos, compôs as mais antigas obras camerísticas brasileiras conhecidas e pertenceu à primeira geração de compositores brasileiros que teve obras impressas em vida, conhecido também como autor de modinhas
Gabriel Fernandes da Trindade nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, em Vila Rica (atual Ouro Preto). Filho do músico José Fernandes da Trindade e de Quitéria Coelho de Almeida..."
Pour faire un bref résumé historique, je rappelle le voyage de la cour portugaise, lorsque, en 1808, le roi D. João VI quitta Lisbonne avec sa famille et toute l'aristocratie portugaise et l'appareil d'état à bord d'une trentaine de navires pour aller règner sur le Portugal et ses colonies à partir de Rio de Janeiro.
La traversée de l'Atlantique était une épopée risquée pour l'époque, mais la famille royale et les dignitaires du pays emportant de nombreux trésors, échappaient ainsi aux armées françaises de Napoléon qui envahissaient le Portugal.
D. João VI dut retourner au Portugal, mais il laissa au Brésil son fils Pedro de Alcantara, comme régent. Ce dernier, pour éviter le cahos et une possible guerre civile, devant la pression des mouvements revolutionnaires/indépendantistes/libéraux/sépartistes, declara l'indépendance du Brésil en 1822.
D. Pedro I impereur du Brésil, est connu au Portugal comme D. Pedro IV.
D. Pedro se fait couronner 1er impereur du Brésil et composa lui-même la musique d'un hymne de l'Indépendance sur des paroles du poète Evaristo da Veiga. D. Pedro était bon chanteur, musicien et compositeur!
C'est la déclaration d'indépendance du pays envers le Portugal que les brésiliens commémorent le 7 septembre.
Je vous présente aujourd'hui, pour ceux qui ne connaissent pas, et pour ceux qui aiment écouter cette belle composition musicale qui est l'Hymne de l'Indépendance du Brésil:
Hino da Independência do Brasil
- Formato de Alta Definição. (Orquestra da OSESP)
Letra de: Evaristo Ferreira da Veiga e Barros
Música de: S.M, o Imperador Dom Pedro de Bragança ( do Brasil e IV de Portugal).
No vídeo do Youtube, encontramos a seguinte explicação:
Dom Pedro I é o autor da melodia do Hino da Independência, sendo que a letra foi escrita por Evaristo da Veiga.
"...em 1822, o Hino original tinha a melodia de Marcos Portugal, aproveitando versos de Evaristo da Veiga. Só a partir de 1824, a melodia composta pelo Imperador substituiu a de Marcos Portugal, sendo executada até 1831, quando retornou à versão anterior de Marcos Portugal. Em 1922, nas comemorações do Centenário da Independência do Brasil, a versão de Dom Pedro I voltou à cena. Anos mais tarde, o então Ministro da Educação, Gustavo Capanema, nomeou uma comissão composta por Villa-Lobos, Assis Republicano, Luís Heitor e Francisco Braga, para estabelecer a versão oficial dos Hinos brasileiros. Assim oficializou-se o Hino da Independência, tal como foi escrito pelo Imperador D. Pedro I e por Evaristo da Veiga, e como é conhecido até nossos dias.
Já podeis, da Pátria filhos, Vous pouvez, fils de la Patrie, Ver contente a mãe gentil; Voir heureuse la mère gentil; Já raiou a liberdade La liberté rayonne déjà No horizonte do Brasil. À l'horizon du Brésil
Já raiou a liberdade La liberté rayonne déjà
Já raiou a liberdade La liberté rayonne déjà
No horizonte do Brasil. À l'horizon du Brésil
Brava gente brasileira! Courageux Brésiliens! Longe vá, temor servil: Loin s'en va, la peur servile: Ou ficar a pátria livre, Ou avoir la patrie libre, Ou morrer pelo Brasil. Ou mourir pour le Bresil.
Ou ficar a pátria livre Ou avoir la patrie libre,
Ou morrer pelo Brasil. Ou mourir pour le Brésil.
Os grilhões que nos forjava Les chaînes qui nous ont forgées Da perfídia astuto ardil, De la finaude et astucieuse rouerie, Houve mão mais poderosa: Il y eut main plus puissante: Zombou deles o Brasil. D'elles se moqua le Brésil.
Houve mão mais poderosa Il y eut main plus puissante
Houve mão mais poderosa Il y eut main plus puissante
Zombou deles o Brasil. D'elles se moqua le Brésil
Brava gente brasileira! Longe vá, temor servil: Ou ficar a pátria livre Ou morrer pelo Brasil.
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
Não temais ímpias falanges, Que apresentam face hostil; Vossos peitos, vossos braços São muralhas do Brasil.
Vossos peitos, vossos braços
Vossos peitos, vossos braços São muralhas do Brasil.
Brava gente brasileira! Longe vá, temor servil: Ou ficar a pátria livre Ou morrer pelo Brasil.
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
Parabéns, ó brasileiro, Já, com garbo varonil, Do universo entre as nações Resplandece a do Brasil.
Do universo entre as nações
Do universo entre as nações Resplandece a do Brasil.
Brava gente brasileira! Longe vá, temor servil: Ou ficar a pátria livre Ou morrer pelo Brasil.
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
(Avec un peu plus de temps, je terminerai ma traduction en rouge!)
L'auteur des paroles était le poète Evaristo da Veiga né à Rio de Janeiro en 1799.
Poète, journaliste, politicien, fils de Francisco Luís Saturnino da Veiga qui avait quitté le Portugal pour le Brésil à l'âge de 13, et qui était devenu maître d'école à Rio de Janeiro.
Evaristo Ferreira da Veiga e Barros (Rio de Janeiro, 8 de outubro de 1799 — Rio de Janeiro, 12 de maio de 1837) foi um poeta, jornalista, político e livreiro. Ótimo estudante que no Rio de Janeiro de D. João VI aprendeu francês, latim, inglês, cursou aulas de retórica e poética e estudou filosofia.
Conta entre os precursores do Romantismo no Brasil. Filho de um português mestre-escola, Francisco Luís Saturnino da Veiga, chegado ao Brasil aos 13 anos, soldado miliciano na paróquia de Santa Rita, no Rio de Janeiro, depois nomeado professor régio de primeiras letras na freguesia de São Francisco Xavier do Engenho Velho.
Evaristo ficou conhecido por ter sido o autor da letra do "Hino à Independência", cuja música se deve a D. Pedro I.
Je vous présente aujourd'hui un poème de la poétesse Alda do Espírito Santo née à Sao Tomé e Príncipe, les îles de l'Atlantique qui ont été une colonie portugaise jusqu'en 1975.
Poetisa da lusofonia, Alda Neves da Graça do Espírito Santo (São Tomé e Príncipe 30 de abril de 1926 - Luanda 9 de Março de 2010), conhecida como Alda do Espírito Santo
Quando São Tomé e Príncipe conseguiu a independência de Portugal em 1975, ela ocupou vários altos cargos no governo como; Ministra da Educação e Cultura, Ministra da Informação e Cultura, Presidente da Assembleia Nacional e Secretária-Geral da União Nacional de Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe. (Wikipedia)
Un poème de cette poétesse de la lusophonie, née le 30 avril 1926 dans l'archipel de São Tomé e Principe et décédée le 9 mars 2010 à Luanda (Angola)
Em Torno da Minha Baía
Aqui, na areia, Sentada à beira do cais da minha baía do cais simbólico, dos fardos, das malas e da chuva caindo em torrente sobre o cais desmantelado, caindo em ruínas eu queria ver à volta de mim, nesta hora morna do entardecer no mormaço tropical desta terra de África à beira do cais a desfazer-se em ruínas, abrigados por um toldo movediço uma legião de cabecinhas pequenas, à roda de mim, num voo magistral em torno do mundo desenhando na areia a senda de todos os destinos pintando na grande tela da vida uma história bela para os homens de todas as terras ciciando em coro, canções melodiosas numa toada universal num cortejo gigante de humana poesia na mais bela de todas as lições
HUMANIDADE
Alda do Espírito Santo
image du net
Avec ma traduction d'amateur:
Autour de ma baie
Ici, sur le sable, Assise au bord du quai de ma baie du cais symbolique, des fardeaux, des malles et de la pluie qui tombe à torrents sur le quais démantelé, tombant en ruines je voudrais voir autour de moi, en ces heures chaudes du couchant dans la tiédeur tropicale de cette terre d'Afrique au bord du quai qui s'effondre en ruines, abrités par un auvent mobile une legion de petites têtes, autour de moi, dans un vol magistral autour du monde dessinant dans le sable le sentier de toutes les destinées en peignant sur la grande toile de la vie une belle histoire pour les hommes de tous les pays murmurant en coeur, des chansons mélodieuses dans un air universel dans un cortège gigantesque de poésie humaine dans la plus belle de toutes les lessons: HUMANITÉ
Le poète romantique Àlvares de Azevedo (1831-1852) est né à São Paulo (Brésil) décrit dans le poème ci-dessous son désir ardent d'être auprès de la femme qu'il aime.
Álvares de Azevedo (1831 - 1852) foi um escritor brasileiro que pertenceu à segunda geração do romantismo, também conhecida como fase ultrarromântica.
Manuel Antônio Álvares de Azevedo, poeta, contista e ensaísta, nasceu em São Paulo, e faleceu o Rio de Janeiro.
Bisneto de Alexandre Álvares Duarte de Azevedo, nascido em 1720 em Braga, Portugal, e que se mudou para o Brasil.
Álvares de Azevedo, image de Wikipedia
Meu Desejo
Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta:
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta….
Meu desejo? era ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra….
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra….
Meu desejo? era ser o cortinado
Que não conta os mistérios do teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.
Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escumilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!
Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro….
Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de langor!
Álvares de Azevedo
Meu desejo - Álvares de Azevedo por José Marcio Castro Alves
Publié par MAPIMESTUPEFACTO . 24 nov. 2012
Meu desejo - Álvares de Azevedo por José Marcio Castro Alves
Avec ma traduction d'amateur:
Mon désir ? serait d'être le gant blanc Que ta douce petite main serre: Le camélia qui se fane sur ton sein, L'ange que de te voir le ciel déserte….
Mon désir? serait d'être le soulier Qui au bal, ton joli petit pied enserre…. L'espoir dans le futur dont tu rêves, La nostalgie que tu as ici sur la terre….
Mon désir? serait d'être ce rideau Qui ne raconte pas les mystères de ton lit; D'être de ton collier de soie noire La croix sur ta poitrine lorsque tu es endormie.
Mon désir ? serait d'être le miroir Qui te voit la plus belle lorsque tu défais Du bal les vêtements d'organdi et de fleurs Et qui en amoureux regarde tes nus attraits !
Mon désir ? serait d'être de ton lit Le drap de fine toile, et le coussin Avec lequel tu recouvres le sein, où tu reposes, Les cheveux dénoués, le visage séduisant….
Mon désir? serait d'être la voix de la terre Que de l'étoile du ciel puisse entendre l'amour! Être l'amant dont tu rêves, celui que tu désires Dans tes rêveries enchantées de langueur!
António Feijó (1859-1917), un poète portugais du mouvement parnassien:
António de Castro Feijó (Ponte de Lima, 1 de Junho de 1859 - Estocolmo, 20 de Junho de 1917) foi um poeta e diplomata português. Como poeta, António Feijó é habitualmente ligado ao Parnasianismo e o final da sua obra tende a um certo tom fúnebre. Morre em Estocolmo, a 20 de Junho de 1917, com 58 anos de idade, cerca de dois anos depois da morte prematura da esposa.
Le Parnasse ou mouvement parnassien:
Sur le net je trouve la définition suivante:
“Parnasse était un mouvement littéraire français de la seconde moitié du XIXe siècle, créé en réaction contre le romantisme de Víctor Hugo, le subjectivisme et le socialisme artistique. Les fondateurs de ce mouvement étaient Théophile Gautier et Leconte de Lisle. Le mot est d'origine grecque et se réfère au haut du mont Parnassus où étaient les muses inspirantes, qui étaient de petites déesses…”
O parnasianismo foi um movimento literário essencialmente poético que surgiu na França no final do século XIX, em oposição ao Realismo e Naturalismo, e tendo como consonância a valorização da cultura clássica e também o combate ao lirismo que os autores parnasianos consideravam excessivo nas nas correntes literárias que o antecederam.
Como principal frase de definição tem a “arte pela arte”, com o uso da linguagem culta e rebuscada.
Je vous invite à lire et à écouter pour ceux qui compreenent le portugais, le joli poème, avec la traduction plus bas en rouge:
O AMOR E
O TEMPO
Pela montanha alcantilada Todos quatro em alegre
companhia, O Amor, o Tempo, a minha
Amada E eu subíamos um dia.
Da minha Amada no gentil semblante Já se viam indícios de
cansaço; O Amor passava-nos adiante E o Tempo acelerava o passo.
– «Amor! Amor! mais devagar! Não corras tanto assim, que
tão ligeira Não pode com certeza
caminhar A minha doce companheira!»
Súbito, o Amor e o Tempo, combinados, Abrem as asas trémulas ao
vento… – «Por que voais assim tão
apressados? Onde vos dirigis?» – Nesse
momento,
Volta-se o Amor e diz com azedume: – «Tende paciência, amigos
meus! Eu sempre tive este costume De fugir com o Tempo… Adeus!
Adeus!»
António Feijó
O Amor E O Tempo Poema de António Feijó com narração de Mundo Dos Poemas
Publié par Mundo Dos Poemas . 8 juil. 2021
Ci-dessous, ma traduction d'amateur:
L'Amour et le Temps
Par la montagne escarpée Tous les quatre en joyeux entour, L'Amour, le Temps, ma Bien-Aimée Et moi, nous montions un jour.
De ma Bien-Aimée sur le doux semblant Des signes de fatigue il y avait déjà; L'amour de vitesse nous gagnant Et le temps qui accélérait le pas.
- "Amour! Amour! Plus doucement! Ne cours pas tant, car de si légère Elle ne peut sans doute pas marcher Ma douce compagnière!»
Soudain, l'Amour et le Temps, combinés, Déploient leurs ailes tremblantes dans le vent... – « Pourquoi volez-vous si pressés ? Où vous dirigez-vous?" - À ce moment,
L'amour se retourne et dit avec amertume : – « Soyez patients, mes amis ! J'ai toujours eu cette coutume De avec le Temps m'enfuir… Adieu ! Adieu!"
António Feijó
Fez os estudos liceais em Braga, de onde partiu, em 1877 para Coimbra, onde concluiu o curso de Direito em 1883. Dirigiu, juntamente com Luís de Magalhães, a Revista Científica e Literária publicada nos seus tempos de estudantes académicos da Universidade de Coimbra.
Em 1886 ingressou na carreira diplomática.
Exerceu cargos diplomáticos no Brasil (consulados nos estados de Pernambuco e do Rio Grande do Sul) e, a partir de 1895, na Suécia, assim como na Noruega e na Dinamarca.
Desposou em 24 de Setembro de 1900 a sueca Maria Luísa Carmen Mercedes Joana Lewin (nascida em 19 de agosto de 1878), cuja morte prematura, em 21 de setembro de 1915, o viria a influenciar numa temática fúnebre, patente na sua obra. Wikipedia